Ciência e Tecnologia

Agricultura sintrópica pode mudar até clima das regiões

A proposta de Suíço Ernest Gotsch faz escola no Distrito Federal; técnica é caminho para regeneração do solo

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A agricultura sintrópica tem como fundamento a forma de cultivar alimentos sem desestabilizar o meio ambiente, ou seja, não promove a devastação e mantém as características naturais da região. O ponto principal é a não intervenção. O uso de adubos orgânicos só é utilizado quando o solo escolhido é pobre e precisa de nutrientes e microrganismos para melhorar a qualidade antes dos primeiros cultivos. A agricultora Luciana Aboim explica que a lavoura é uma atividade normalmente agressiva. A ideia, então, é promover o equilíbrio por meio de um conjunto de princípios e técnicas para integrar a produção de alimentos e a regeneração de áreas degradadas.

horta orgânica

Uso de adubo orgânico só é feito em caso de solos pobres

Técnica SIntrópica

Técnica SIntrópica se baseia em processos naturais aplicados a  práticas agrícolas

O geólogo Wilson Pereira possui uma chácara em Sobradinho. Na região não há nascente e o solo é tomado pela erosão. Ele lembra a necessidade recolocar o  teor em micronutrientes, que vão auxiliar no processo de regeneração. “É bem difícil recuperar esse solo depois de anos de desgaste. É um trabalho de formiguinha, mas não é impossível, venho investindo tempo nesse aprendizado e tenho certeza que ainda teremos muitas colheitas na chácara”, diz. O geólogo fez um sistema de captação de água em sua chácara para a hortas. “A ciência vem avançando muito nesse conceito agroflorestal”, comenta .

Luciana Aboim  orienta a não irrigar as plantações, pois o equilíbrio será atingido de maneira natural. “Ernest Gotsch, o suíço que veio para o Brasil há 30 anos e desenvolveu esse conceito, conseguiu na sua fazendo no nordeste, em um clima desfavorável, recuperar 14 nascentes e, com isso, a fauna. Ele plantou árvores, palmeiras, fruteiras, mandioca, cacau, café, hortaliças. Em quatro anos, a área estava totalmente recuperada” .

Em Brasília, o biólogo Juã Pereira, ex-aluno de Ernest,  oferece cursos para turmas iniciais e avançadas, com  explicações sobre manejo e podas de sistemas agroflorestais, visando a produção de frutas e madeira. “ O melhor são as grandes possibilidades que essa instrumentação permite. Entender a sucessão natural e a tecnologia natural é um caminho para restruturar as terras e recuperar áreas que nem imaginávamos mais ser possível”, diz Juã.

Curso de Sistemas Agroflorestais

Curso de Sistemas Agroflorestais atrai cada vez mais pessoas

Outro ex-aluno do suiço é o agrônomo Rómulo Araújo. Ele  também usa a prática com foco na produção de hortaliças e frutas.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) possui 42 projetos de pesquisa para viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável da agricultura, por meio da geração e transferência de conhecimentos e tecnologias que contemplam todos os segmentos da cadeia produtiva, sendo uma exclusivamente para atender a agricultura familiar e as comunidades tradicionais. A Embrapa divulgou uma pesquisa que em 2050, o mundo terá cerca de 9 bilhões de pessoas. A população cresce, aumenta a expectativa de vida e o poder de compra, o que demandará mais água, energia, alimentos e fibras.

Tudo isso em um cenário de mudanças climáticas que pode limitar a produção. “A busca do desenvolvimento sustentável e responsável representa um dos maiores desafios da humanidade”, conclui Juã.  

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