Educação

Angústia costuma marcar decisão sobre escola de filhos

A partir de julho, pais começam a procurar instituições de ensino; fatores como linha pedagógica, custo, proximidade e ambiente são determinantes

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É comum pais sofrerem de angústia quando se trata da educação dos filhos. Não são só as crianças que precisam de adaptação, eles também necessitam de tempo para aprender a lidar com essa etapa e os preparativos que antecedem a vida escolar. É difícil encontrar pais que não passaram ou não vão passar por questionamentos como: Qual escola devo oferecer ao meu filho? Qual a idade certa? Qual a melhor linha pedagógica?

1º dia de escola -Manuela Jacobs

Pais de Manuela passaram por diversas instituições antes de fazer escolha

A psicopedagoga Denise Leite garante que não há a “escola perfeita” e as variáveis a serem consideradas são muitas: a logística e valores filosóficos ou religiosos da família, a metodologia, as atividades extracurriculares, localização, preço. “A preocupação não ocorre apenas na escolha da primeira escola, o processo se estende até a faculdade. Não importa se a opção é por uma escola pública ou privada. Afinal, todas precisam cumprir a política educacional de currículo mínimo”, afirma.

Embora as renovações de matrículas sejam feitas a partir de setembro, muitas escolas começam a receber pais após as férias de julho. A via-crúcis, principalmente para os de primeira viagem, começa cedo. “Manuela estava com 2 anos quando a levamos à primeira creche. Visitamos seis creches diferentes. Infelizmente, naquela época, nessa idade, não havia opções de creches públicas” conta a gestora de projetos Patrícia Jacobs. As opções, então, passam também por indicações de amigos com quem dividiam angústias. “Poder levar as crianças de bicicleta ou passar apenas alguns minutos no carro, em nosso ver, aliviam os transtornos da rotina e ampliam a possibilidade de passar tempo de qualidade com as crianças”,complementa.

 Além de atender aos propósitos da família, tanto no projeto pedagógico-educacional quanto no acolhimento, é importante garantir que o filho seja feliz na proposta escolhida. Vale lembrar que, em média, são 15 anos de vida na escola. “Se queremos que eles façam parte da vida social, quais os métodos pedagógicos mais eficientes, quais ambientes mais acolhedores e propícios à educação em geral e em Brasília?”, questiona o jornalista João Carlos Teixeira, pai de Manuela. O casal concorda que deve ser oferecida uma boa proposta pedagógica, mas sem estar à mercê de modismos ou da influência direta dos pais. “Apesar de todos os problemas gerenciais e políticos, a nossa melhor escolha era a educação pública provida pelo Estado laico, financiado pela sociedade”, acrescenta João.

Despedir-se do filho no primeiro dia de escola costuma ser um momento difícil na vida dos pais. Se a criança vai para o berçário com poucos meses, a aflição é por deixar alguém tão pequeno com desconhecidos. “O Enzo Rafael fica na creche do condomínio Prive na Ceilândia, onde moramos. É muito prático e ele gosta muito, e, no nosso caso, conhecemos todos, fica na nossa rua. Ano que vem ele vai para o maternal e foi bem difícil chegar à conclusão de qual melhor opção. Optamos por uma escola particular e pequena, próxima de casa”, diz a avó do menino, Eliomar Moreira.

Há várias linhas pedagógicas adotadas pelas escolas, entre elas: a Tradicional, na qual professor é o centro do processo educativo, é conhecida como conteudista tem o foco no vestibular; a Waldorf, que incentiva a criatividade e a imaginação; a Sócio-interacionista, cujo conhecimento é adquirido em conjunto; a Construtivista, que propõe a construção do conhecimento pelo próprio aluno e o aprendizado é realizado aos poucos pela experimentação; e a Montessoriana, na qual a educação se desenvolve com base na evolução individual, e não o contrário.

A psicopedagoga Denise Leite explica que é preciso levar em consideração o perfil da criança, e também o das famílias, que podem ser liberais, religiosas, tradicionais ou globalizadas.

Enzo Durante - Opção pela escola pública

Família de Enzo escolheu escola pelo critério da proximidade com a casa

A escola deve estar aberta ao propósito do desenvolvimento da responsabilidade e, da autonomia dos filhos. “Não foi um processo fácil. Eu troquei meu filho de uma escola particular para uma pública e ouvimos muitas críticas de amigos. Mas a decisão foi correta, a escola é uma referência em Brasília e oferece uma convivência única. Meu filho teve uma professora daquelas que marcam a vida para sempre”, diz a analista de sistemas Andréa Durante.

João Carlos concorda e explica que, com a mesma filosofia, puderam desfrutar do que fora concebido no planejamento original de Brasília: o provimento da educação próximo às casas, em cada bairro. Ao mesmo tempo que as crianças têm colegas de escola perto de onde moram, mantêm contato diversas realidades socio-culturais.

A arquiteta Roberta Rorer sofreu até encontrar uma escola para filha. “Luisa é muito criativa, curiosa e precisa de espaço. Ela foi para uma escola padrão militar e foi horrível para ela, vi minha filha minguar em uma escola que não era permitido sequer correr no recreio. Procuramos outra alternativa e contei com ajuda do grupo do Facebook ‘A melhor escola-Brasília’, onde pais acharam um campo neutro para dividir suas histórias e trocar experiências. Luísa mudou para uma escola que ama”, relata.

Mas seja qual for a escolha, a psicopedagoga adverte que deve-se prestar atenção à adaptação do filho numa sociedade cada vez mais massificada e complexa. Se ele estiver feliz e motivado vai apresentar bom desempenho e enfrentar melhor conflitos da sua idade. Caso contrário, é bom que os pais procurem ajuda profissional, tanto na escola como em um consultório. O importante é ele ser parte do processo de escolha e se sentir devidamente acolhido e seguro.

 

 

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