Entrevistas

Decacampeã mundial do futevôlei é brasiliense

Lana Miranda conta a história da sua carreira como primeira campeã mundial representando o DF e como enfrenta preconceito

Tags:
#entrevista #futevôlei esportes parque

A mulher não joga igual ao homem, ela joga mais do que vários homens. A opinião é da atleta profissional de futevôlei Lana Miranda, decacampeã mundial. Aos 36 anos, 22 deles dedicados ao futevôlei e com 18 títulos brasileiros, ela treina diariamente no Parque da Cidade “Porque o que eu sou hoje de personalidade e de caráter, devo tudo ao esporte, principalmente em aprender perder e ganhar”, afirma Lana, em entrevista exclusiva ao portal Jornalismo IESB.

- Portal de Jornalismo do Iesb: Como começou seu envolvimento com o esporte?

- Lana Miranda: Comecei com essa veia de brasileiro, de ter o futebol no sangue, então desde pequena com meu irmão e primos jogávamos bola, sempre joguei embaixo do bloco na Asa Sul. Na escola comecei a praticar também e meu pai percebeu um certo dom que eu tinha com a bola no pé. Comecei a praticar esportes dentro do colégio, participando de campeonatos  e a princípio, tudo que tinha de ação, seja basquete, vôlei… Eu queria jogar.

 - Em que momento, o esporte virou uma profissão?

- A paixão pelo futebol e o fato de jogar muito bem vôlei fez com que eu realmente entrasse para os times e comecei a jogar profissionalmente. Eu falo que aos 14 anos tomei a maior decisão da minha vida, que eu tive que escolher entre futebol e vôlei. Por jogar muito bem vôlei, acabei sendo chamada para jogar na Força Olímpica de Brasília e no futebol, eu já estava jogando pelo Gama, na época que o Gama estava na euforia da 1ª divisão do campeonato. No dia da decisão, eu quase não dormi à noite. Meus pais sempre me apoiaram, eles falaram assim: Filha, decisão é sua. E realmente eu escolhi pelo coração que foi o futebol e assim fui me profissionalizando mais.

Maior campeã do futevôlei mundial tem como praia o Cerrado

Maior campeã do futevôlei mundial tem como praia o Cerrado

-Como foi seu início profissional no futebol de campo?

- Fui a dois campeonatos brasileiros e conheci as meninas que hoje estão na seleção:  Formiga, Pretinha, Rosely… Só que acabei me machucando, tive uma contusão no joelho e tive que fazer um trabalho de recuperação na areia. Minha fisioterapia foi na areia e foi ai onde eu conheci o futevôlei.

- O que te motivou a permanecer no futevôlei e abandonar os campos?

- Comecei a jogar lá no clube AABR e me apaixonei. Logo depois, já veio a primeira competição de futevôlei, era uma competição mista, ou seja, um homem e uma mulher na dupla, e aí eu fui me apaixonando mais pelo esporte. Começaram a aparecer mais competições de brasileiros e eu comecei a ver que ali eu realmente tinha um dom. Que é um pouquinho de futebol e um pouquinho do vôlei né? E quando cheguei no meu primeiro Brasileiro lá no Rio de Janeiro,  muito menina com 15/16 anos, foi a primeira vez que Brasília deu a cara. Lembro que uma carioca chegou pra mim e falou assim: “Mas peraê, você é de Brasília mas você treina aonde lá?, eu falei: “uai, na areia” e ela: “Que areia?”, eu: “Não sei, é areia. Não tem praia, mas tem areia”.

E a partir desse momento comecei a treinar bastante e me dedicar total ao esporte. Só que como eu tinha me lesionado muito feio no futebol, eu meio que fiquei com medo de voltar a jogar e me lesionar denovo, então preferi focar e ficar de vez  no futevôlei.

- Qual é o sentimento ao conquistar o Campeonato Mundial?

- Meu primeiro campeonato mundial foi nos Estados Unidos e foi pra mim uma explosão de emoção, porque eu sempre quis esse sonho, desde pequena. Eu queria ser campeã do mundo , já cresci com esse desejo e esse campeonato foi o primeiro de uma história bem vitoriosa, de 22 anos de carreira e dez títulos mundiais. E hoje sou ícone do esporte feminino do futevôlei no Brasil e no Mundo.

- Devido toda a sua representatividade para o esporte em Brasília, hoje, qual você considera  ser a maior dificuldade para manter a modalidade em alto nível no DF?

- Principalmente, a gente que nasce mulher dentro de um esporte masculino, sofre muito preconceito e realiza muita quebra de paradigma também . Fora isso, ainda tem a questão de patrocínio e apoio, Brasília mesmo sendo a capital, deixa a desejar. Desde o começo, eu sempre corri atrás de patrocínio porque era disso que queria viver, do esporte. Sou formada em Direito e isso me ajudou na hora de abrir portas para que eu tivesse inserida no meio de patrocínios. Não é fácil viver do esporte, ainda mais ele não sendo olímpico.

Além de mostrar o dom dentro das quadras, a atleta também tem um lado social fora delas, através da clínica esportiva com jovens.

Além de mostrar o dom dentro das quadras, a atleta também tem um lado social fora delas, através da clínica esportiva com jovens.

- Na sua visão, em qual cenário se encontra o futevôlei feminino em Brasília?

- Eu digo que Brasília é a capital do esporte. Nosso clima é favorável, nossos parques, nossos clubes são favoráveis às práticas de esportes e o futevôlei deu um boom, em pesquisa do ano passado.  Depois da corrida de rua, foi o esporte que mais cresceu no DF. E o que acontece é que as mulheres são grandes adeptas ao futevôlei porque ela sai daquele comodismo da academia, coisa fechada. Mulher quer o que? Ficar bronzeada, ter um pernão, um glúteo e a areia faz isso. (risos)

A areia trabalha muito bem o condicionamento físico, explosão, força e garante uma vida ativa.É um esporte difícil para homem, para mulher é mais difícil  ainda, só que a mulherada tem gostado.

- Qual a sua opinião em relação a necessidade de tornar olímpico o futevôlei?

- Nosso sonho é tê-lo como olímpico. Lá fora, o futevôlei tem crescido muito, na Espanha,Estados Unidos, Portugal, Paraguai…Vários lugares já conhecem e têm profissionais do futevôlei. Aos poucos eles estão se organizando e temos vários campeonatos mundiais. Seria sem dúvidas, o boom que o futevôlei precisa.

- Qual a expectativa para o futuro da sua carreira e do Futevôlei?

- Estou com expectativa muito grande que o esporte cresça na nossa capital. Tenho um projeto de clínicas de futevôlei para crianças , na parte  social, que é uma área que sou apaixonada e é isso que a gente tem que agregar e acrescentar para essas crianças e jovens, principalmente tirar eles da rua. Porque o que eu sou hoje de personalidade e de caráter, devo tudo ao esporte, principalmente em aprender em perder e ganhar. Pensando na minha carreira, eu falei que iria parar no meu décimo título, mas só que não quero parar mais não. Parece que quando você chega lá , você fala, peraí que dá mais um, vamos mais um. Estou treinando para chegar a mais um, se Deus quiser.

    Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

    Deixe uma resposta

    Cultura
    O taxidermista César Leão em seu ambiente de trabalho Brasília conta com dois museus de taxidermia
    Ciência e Tecnologia
    Telescópio do Planetário de Brasília Descubra qual a possibilidade de um meteoro atingir a Terra
    Esporte
    IMG_4988 Distrito Federal pode ser representado no skate na próxima Olimpíada

    Mais lidas