Cultura

Livro de Rua combina grafite e leitura nas ruas do DF

Pintado em muro na 413 Sul, O menino Invisível garante cultura e revitaliza área pichada

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Quem passar pela entrequadra da 413 Sul, vai poder ler gratuitamente o livro infantil O Menino Invisível, do escritor brasiliense Hugo Barros, que combina grafite e história pintadas no muro e faz parte do projeto Livro de Rua. “Uma das funções do livro infantil é passar mensagens legais para as crianças, quis contar sobre o Mino, uma criança que mora nas ruas, tem o poder da invisibilidade e usa esse poder para sobreviver, mas de alguma forma consegue vencer na vida”, conta o escritor.

Hugo percorreu bairros da cidade à procura de lugares para imprimir a história, até achar o muro atrás do posto de gasolina na 413 Sul. A ideia foi recebida com apoio pelos moradores, que conversaram e deram sugestões durante o processo. “Achei bacana, desde o início que estou aqui, conversando. Antes, o muro era todo pichado, agora se vier pichar eu vou  brigar, valorizou o lugar. Tem gente que está vindo de longe para ver os desenhos” , conta o aposentado José Pereira da Silva, 87 anos.

As crianças são as que mais se encantam com a história, especialmente com os desenhos multicoloridos. O preferido é o do ratinho. É onde elas mais gostam de tirar fotos. Hugo, que é pai de uma menina, observa que as crianças foram um fator de escolha, pois queria um local que elas pudessem frequentar com segurança.

Os desenhos chamam a atenção das crianças, que tem como favorito o do rato

Os desenhos chamam a atenção das crianças, que têm como favorito o do rato

A execução da obra durou cerca de 2 semanas, com o trabalho da grafiteira Camila Siren, que assina as ilustrações. Hoje o local recebe até turmas de alunos que vão ler a história. “As pessoas geralmente param para ver o que é, inclusive alguns professores já trouxeram a turma. Tem sido uma experiência bem legal”, afirma o escritor.

A revisora do livro, Karina Barros de Castro, que também é professora de Língua Portuguesa, destaca a importância da acessibilidade da obra. “O livro impresso a céu aberto chama atenção de quem passa, independentemente da idade e da classe social. Ele tem como principal objetivo despertar o hábito da leitura de forma lúdica e prazerosa”, avalia.

O grafite também ajuda no papel de popularizar a arte, como explica artista plástico e grafiteiro Pedro Alves Lacerda Rabay. “O grafite é um meio de expressão urbana, além de enfeitar as ruas, tem essa capacidade de movimentar e influenciar artisticamente a comunidade”, explica o grafiteiro.

Hugo compartilha do ponto de vista. “É importante porque ajuda pessoas que não têm o hábito de frequentar museus, de repente, conhecem a arte na rua e passam a gostar”, reforça. Outra questão destacada  é a revitalização de áreas depredadas, um ponto muito trabalhado por grafiteiros, como Frederico Duarte de Calmon Carvalho. “Ele valoriza a área degradada de forma a chamar a atenção para o abandono ou descaso”, defende.

Hugo tem três livros de rua para lançar nos próximos meses e já conta com o interesse de grafiteiros e empresários que estão oferecendo o local para a obra. “A ideia é dar espaço para ilustradores diferentes, incluir cidades vizinhas e despertar o hábito da leitura nas pessoas”, conclui o escritor.

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