Economia

“Complemento de renda” acaba virando negócio

Brasil conta com quase 7 milhões de microempreendedores cadastrados, grande parte deles tem a atividade como seu único faturamento

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#Microempreendedorismo economia microempreendedor renda complementar

Por hobby ou necessidade, pessoas realizam tarefas em busca de renda extra. Produção de bombons e vendas de produtos feitos a partir de tecidos podem acabar deixando de ser apenas um complemento para fazer parte do orçamento ou até mesmo a renda inteira.

Renata pretende se dedicar inteiramente ao atelier em sua casa.

Renata pretende se dedicar inteiramente ao atelier em sua casa

A servidora pública Renata Amoras é uma das que faz parte desses pequenos negócios há cerca de 4 anos, com o atelier Cesto de Amoras. Renata produz bolsinhas, nécessaires, porta celulares, estojos e várias outras peças de tecido no atelier em casa. Ela começou a produção por hobby, dando presentes de Natal para a família e acabou sendo incentivada a transformar em um negócio por amigas e pelas filhas.

A complementação de renda veio logo após a servidora abrir mão de suas gratificações no trabalho para dar atenção ao seu marido, que sofre de Alzheimer. “Comecei a sentir que teria que ficar mais tempo em casa com meu marido, por conta da doença dele, e aí abri mão de uma gratificação no trabalho. Investi mais ainda no atelier e virou uma complementação de renda”, explica.

Renata ainda não é uma Microempreendedora Individual (MEI), mas, após a aposentadoria, que está próxima, pretende continuar com o trabalho com a venda online e presencial, sempre por encomendas, como uma característica de seus serviços. “Eu gosto muito de conversar com o cliente para saber de sua necessidade. ”

Mariana, que cursa administração, pretende ter um pequeno negócio envolvendo doces.

Mariana, que cursa administração, pretende ter um pequeno negócio envolvendo doces

A estudante Mariana Pinheiro, produtora de docinhos para festas, conta que seu negócio, Nosso Lado Doce, começou justamente pela necessidade de complementação de renda há dois anos. “Eu e minha parceira sempre gostamos de fazer doces, então quando tinha festinha as pessoas pediam para a gente fazer os docinhos, ás vezes até cediam o material. E foi então que a gente pensou em unir o útil ao agradável. ”

Ela e Priscila Nunes, sua parceira, trabalham por encomendas e aproveitam datas comemorativas para ter uma maior complementação da renda. Mariana já é uma MEI e utiliza os benefícios do CNPJ para ter mais facilidade em seu negócio, como desconto em produtos em mercados atacadistas.

Futuramente após o término da faculdade e do estágio, elas pretendem manter o negócio como uma renda principal, inclusive criando uma loja. “A ideia é a gente realmente ter uma loja e passar do MEI para Microemprensa.”

 

Microempreendedores Individuais

Atualmente o Brasil conta com quase 7 milhões de microempreendedores individuais, 125 mil no Distrito Federal. Cerca de 77% deles têm a atividade como sua única fonte de renda e 44% dos MEI empreendem em casa, segundo um levantamento realizado pelo Sebrae. O instituto explica que a formalização no MEI ajuda no aumento das vendas e propicia melhores condições de compra.

Em 2017, o Brasil tinha cerca de 7,4 milhões de MEI, mas perdeu 1,3 mi por falta de pagamento das contribuições mensais, número que pode crescer ainda mais.

 

 

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