Cultura

Cuba pelas lentes de Figueroa

Fotógrafo traz à Brasília exposição sobre fatos históricos da ilha

Quando o fotógrafo cubano Alberto Korda lhe procurou, na década de 60, o amigo e assistente José Alberto Figueroa já sabia do que se tratava. Korda havia feito uma foto do guerrilheiro Che Guevara num encontro com lideranças políticas e queria revelar a imagem em larga escala. Figueroa, que tinha um estúdio doméstico e bem equipado em casa, aceitou ajudá-lo. Não imaginava que ali começaria um “boom” sobre a icônica imagem do guerrilheiro que perdura até hoje em todo o planeta. Essa e outras curiosidades da trajetória de Figueroa estão na mostra “Um autorretrato cubano”, no Centro Cultural da Caixa, inédito na cidade.

Ao todo são 69 fotos autorais reproduzidas na mostra que conta com  a curadoria de Cristina Figueroa, filha de José. A exposição é dividida em quatro seções: “Uma história pessoal”; “Décadas de 60 e 70”; “Décadas de 80 e 90” e “Imagens atemporais no século 21”. Nelas, o artista cubano que é referência na fotografia conceitual mundial retrata a vida no país no fim da ditadura de Fulgêncio Batista, em 1959, passando pela revolução socialista liderada por Fidel Castro e Che Guevara, o dia a dia no país e a tentativa de fuga de cubanos da ilha. “Era curioso que, naquela época, a imprensa de Miami cobria fartamente o encontro de corpos cubanos que apareciam ao seu litoral, mas isso não era visto ou falado em Cuba.”

Fotos mostram dia a dia em Cuba e reações de moradores a fatos históricos

Fotos mostram dia a dia em Cuba e reações de moradores a fatos históricos

Uma das fotos emblemáticas da mostra é a de um sorridente homem com uma edição do jornal Granma noticiando a primeira ida de um cubano ao espaço. “Parecia uma festa. Como imaginar que uma pequena ilha, um país sem recursos, poderia enviar um de seus ao espaço? Foi com o apoio da União Soviética, mas era fantástico para todos.”

Figueroa também mostra a rotina de cidadãos cubanos, como a de mulheres que faziam exercício na Praça Velha, um marco turístico, e de manifestações contrárias aos Estados Unidos do então presidente Richard Nixon. “A ideologia revolucionária era muito forte na juventude daquela época. Hoje, os nascidos após a revolução e, principalmente após a morte de Fidel, não têm a mesma afinidade com essa questão.”

O trabalho do fotógrafo também passa por fatos históricos mundiais, como a queda do muro de Berlim e o atentado às torres Gêmeas, em Nova Iorque. “Na Alemanha, era curioso ver pessoas se encontrando pela primeira vez depois de anos. Às vezes se falavam ou conversavam pelo muro, mas nunca se viam até a queda do muro. E, no Estados Unidos, foi tudo muito chocante. Pessoas correndo tentando se abrigar, ruas antes movimentadas estavam desertas. Muitos registros desse caos pude trazer para a mostra.” Figueroa relembra a perda de um importante objeto naquela época: “Na década de 70, uma empresa de Cuba havia produzido apenas 100 isqueiros com o busto de Che que eu e Korda havíamos revelado anos antes. Era um amuleto pra mim. Mas, infelizmente, no aeroporto de Nova Iorque tive que deixar para trás por conta do atentado e toda a questão de segurança.”

 

Foto de protesto por cubanos  contra o ex-presidente Nixon

 

Figueroa também relembra a morte de Fidel repercutindo por lá. “Estava em Miami quando anunciaram e vi de perto a reação de extrema direita de vários cubanos exilados por lá. Gritavam comemorando nas ruas.” As fotos, como se sabe, estão na exposição. Ela vai até o dia 19 de agosto, de terça a domingo, das 9h às 21h, na Caixa Cultural (Setor Bancário Sul, Quadra 4). A classificação é livre e a entrada gratuita.

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