Economia

Novas formas de consumo sugerem adaptações no mercado da moda

Além da questão ambiental, o preço camarada das roupas de segunda-mão tem levado muita gente a encher as sacolas nos bazares

Se fazer compra em bazar já foi considerado coisa apenas de quem tem baixo poder aquisitivo, com certeza não é mais. Com a economia em crise, os gastos com vestuário ficam mais restritos e os bazares e trocas têm sido uma boa opção para quem quer poupar na aquisição ou desapegar de peças que não usa mais e, com isso, ganhar um extra.

A servidora pública aposentada Santana Maria Almeida é do grupo que opta pela compra em bazares. “Eu vou ao shopping, mas é mais difícil comprar lá. O bom das lojas é a comodidade, a organização, a numeração das peças. Mas eu compro bem mais em bazares, esses de rua mesmo. Porque preço é bom e mesmo para a gente que tem um salário certo está complicado pagar caro em roupa. No bazar dá para negociar e é possível encontrar peças em ótimo estado, basta olhar direitinho”, avalia.

Outro fator que tem impulsionado compradores a optar por peças usadas e demais formas alternativas de consumo é a maior exigência da geração. Há mais pessoas preocupadas com o impacto do consumismo no meio ambiente, mais pessoas preocupadas em estender o tempo útil das peças e com desejo de preservar mais. Isso gera impacto no comércio, faz com que ele busque se adaptar, seja oferecendo novas condições de compra ou peças com propostas não convencionais.

É o caso das promoções feitas em lojas de grife que dão desconto na compra de peças novas caso o cliente desapegue de uma peça própria já usada. A vendedora Fernanda Honorato conta que onde trabalha funciona assim. “Sempre fazemos esse tipo de promoção. Se a pessoa trouxer qualquer jeans usado, não precisa ser da nossa marca, ela tem R$100 de desconto na compra do novo”, explica.

Oportunidades

Segundo a consultora empresarial de moda do Sebrae, Gabriella Araujo, “em virtude da crise de desconfiança que se estabeleceu, em decorrência do desequilíbrio econômico-financeiro e social do País, o consumidor ficou mais cauteloso e criterioso no momento da compra. Por este motivo, negócios embasados pela economia circular (reduzir, reutilizar, reciclar, recusar e repensar) podem ter mais força, como brechós, bazares e feiras de troca. Essa mudança e nova consciência sobre os hábitos de consumo abrem oportunidades e obrigações para empresas que trabalham com moda”, diz.

Andando por Brasília aos finais de semana, é possível encontrar muitos bazares reunidos, como se fosse uma feira. Mas é possível vender e também trocar. Eliana Lima, também servidora pública, faz questão de participar das feiras. “Eu sempre vi vantagem em comprar em bazar. Porque você paga menos e reutiliza. Aqui, eu trago coisas que não uso mais para vender e também levo outras para casa, trocando ou pagando”, conta.

De acordo com a assessoria da Fecomércio, este é um segmento que está sim em crescimento, mas não dá para mensurar. Por ser um trabalho sazonal e que acontece em pontos variáveis, os bazares são raramente empresas regularizadas. Quase todos funcionam em pequena escala e não são reconhecidos como negócios, apesar de ser uma fonte de renda importante ou mesmo a principal para muitas famílias.

A consultora Gabriella Araujo lembra que é importante que as empresas acompanhem esse novo ritmo para atender esse público também.  ”Além de propósito, valores, papel social, personalização, colaboração, diferencial competitivo e presença digital, as empresas devem estar atentas às inovações como produção de roupas com tecidos inteligentes (que consomem menos água), uso de tecidos orgânicos como algodão e bambu, tecidos feitos a partir de produtos reaproveitáveis como PET e outros tipos de plásticos. A criatividade deve e pode ser usada a esse favor. A dica é: entenda e compreenda seu cliente para que você possa fazer o melhor por ele”, sugere.

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