Saúde

Narguilé: Mitos e verdades

Cada vez mais difundido entre os jovens, o narguilé representa convívio social, porém, é mais prejudicial do que o cigarro

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Narguilé, arguile, shisha ou hooka, esses são alguns nomes para designar um dos cachimbos mais conhecidos no mundo. Sua origem tem uma história um pouco confusa, porém, a versão mais divulgada aponta para o surgimento na Índia, na região de fronteira com o Paquistão. Teria sido inventado pelo médico Hakim Abul Fath, em meados do século XVII, com o objetivo de retirar as impurezas da fumaça.

Bastante difundido nos países do Oriente Médio, como Líbano, Síria, Jordânia, Turquia, Iraque, Israel, Egito, Kuwait, Qatar e Arábia Saudita, o narguilé também chegou com força ao Brasil, sendo presença marcante nas rodas de conversas e bares frequentados, principalmente, por jovens.

Os estudantes Henrique dos Santos e Lucas de Ávila usam narguilé há oito anos

Os estudantes Henrique dos Santos e Lucas de Ávila usam narguilé há oito anos

O narguilé é basicamente um cachimbo de água, e pode ser definido como um instrumento individual ou coletivo, geralmente feito de vidro. Ele funciona a partir do ar aquecido pelo carvão que passa pelo fumo e resfria no líquido antes de ser inalado, para ser eliminado logo em seguida pelo usuário em forma de espessa fumaça.

A variedade das cores somada aos aromas das essências utilizadas (composto de tabaco misturado com ervas e/ou frutas), que podem ser de pêssego, maçã-verde, coco, uva, flores, mel, menta, entre outras, deixam o narguilé com a aparência de produto praticamente inofensivo, o que não é verdade.

Em Brasília o uso do narguilé virou moda, e já faz parte do cenário dos bares da capital. “Virou febre no início, e agora é meio cultural de Brasília”, conta o estudante de fotografia Henrique dos Santos, 25.

Para o estudante de arquitetura Lucas de Ávila Nunes, 25, fumar narguilé representa mais do que um vício. “Uso o narguilé para socializar com os amigos, trocar ideias. Ele ajuda muito na interação entre as pessoas”.

“Não dá para acreditar nessas pesquisas, acho que tem muito exagero e que não é tão prejudicial assim. Já fiz exames de coração, pulmão e não acusou nada”, diz o estudante de letras Luís Ricardo Pacheco, 20.

Luís Ricardo fuma narguilé ao menos três vezes por semana

Luís Ricardo Pacheco fuma narguilé ao menos três vezes por semana

Perigo real

No entanto, um estudo realizado pela Universidade de Brasília (UnB) indica que uma sessão de narguilé é equivalente a fumar 100 cigarros, e que apenas 5% das impurezas do tabaco são filtradas pela água. Ou seja, a alta taxa de nicotina tem grande potencial de causar dependência. Além disso, a concentração de alcatrão é 60 vezes maior, e os níveis de monóxido de carbono, 4 a 5 vezes mais altos do que nos cigarros comuns.

De acordo com o médico Marcelo Medeiros, o uso contínuo do narguilé pode acarretar em sérios danos à saúde. “Pode causar doenças cardíacas, enfisemas e câncer de pulmão, mesmo entre os usuários que não tragam a substância”.

Em reuniões sociais o narguilé fica posicionado no centro do grupo, e a mangueira é compartilhada entre os presentes enquanto a conversa rola solta. Salvo algumas exceções em que os usuários possuem uma piteira pessoal, espécie de bico fixado na mangueira, e por onde a fumaça é puxada.

“Há também outras consequências que decorrem do uso compartilhado do narguilé, como a transmissão de doenças infectocontagiosas, como hepatite, herpes e tuberculose”, alerta o médico.

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