Cidadania

O papel cidadão de quem pratica a coleta seletiva

Separar o lixo orgânico dos resíduos recicláveis secos é um exercício de cidadania

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Assim são mãos de catadores lixo: fortes, pele espessa, de calos recorrentes e de cicatrizes perdidas. Mãos que puxam carroças pelas ruas e rodovias. Mãos que buscam latas de alumínio, garrafas plásticas, caixas de papelão, mas que, frequentemente, encontram sobras de alimentos, papéis sanitários e estilhaços de vidro. Separar os resíduos úmidos dos secos, do lixo reciclável do não-reciclável, além de ser uma atitude ecológica, é um exercício de cidadania para com quem trabalha diretamente com o lixo.

Estela Santos é catadora de lixo e trabalha todos os dias da semana, separando e coletando materiais em um condomínio de casas em Sobradinho. A jovem de 24 anos conta que são horas de trabalho sob o sol, vasculhando por itens que possa vender para as cooperativas de coleta de lixo, e que tem sorte quando encontra sacos separados para cada matéria.

“Quando o lixo vem misturado, somos nós quem temos que separar. Então a gente abre os sacos, seleciona o que se pode aproveitar e limpa a bagunça depois. Isso leva tempo, às vezes uma manhã inteira só abrindo e limpando. Se vier separado, é menos tempo que a gente passa em meio ao lixo”, conta a catadora.

O marido de Estela, Ailton Santos, que também é catador, relata que em uma ocasião, ao separar garrafas PETs, pisou em cacos de vidros e que, mesmo calçado com um par de botas, teve um corte profundo no pé. “Fiquei dias sem poder trabalhar e isso foi problema para toda a minha família. Diminui a renda”, explica Ailton. Segundo o casal, os melhores momentos no trabalho são quando encontram latinhas de alumínio. Contam que faturam, ao final do mês, cerca de R$ 500,00 na reciclagem de materiais e que o maior lucro vem das latas de alumínio.

Ailton e Estela fazem parte de uma cooperativa de catadores de lixo, a “Recicla Mais”, e de um grupo de 5 mil catadores reconhecidos no Distrito Federal. De acordo com dados da Cooperativa do Distrito Federal e Entorno (Coperdife), o Distrito Federal conta, hoje, com 22 cooperativas que prestam serviço de triagem e coleta seletiva.

Lúcia Hernandez do Nascimento, presidente da Cooperativa de Reciclagem Ambiental da Cidade Estrutural (Coorace), diz que não são todas as cooperativas que trabalham com coleta seletiva e que isso reduz o número de oportunidades de troca aos catadores de lixo. “Muitas vezes os catadores não têm opção de venda de materiais e o baixo número de cooperativas que trabalham com essa reciclagem não traz a competitividade de mercado”, complementa Lúcia.

Além do altruísmo: para Paulo Florêncio, separar lixo seco do úmido é um engajamento social e ambiental

Além do altruísmo: para Paulo Florêncio, separar lixo seco do úmido é um engajamento social e ambiental

A presidente da Coorace disse, ainda, que a principal razão de Brasília não apresentar mais cooperativas que trabalham com a coleta seletiva é a falta de demanda: “São muitos catadores que dependem da renda da venda do lixo reciclável. O problema é que as pessoas não separam, logo, não há incentivo para as empresas empreenderem no ramo. A população precisa entender que por trás do lixo existem pessoas trabalhadoras.”

Há, no entanto, pessoas que, em casa, separam o lixo úmido do lixo seco. Paulo Florêncio Silva e Ana Maria Silva praticam a coleta seletiva. Eles lembram quais são os dias que o condomínio onde moram coleta o lixo seco e o lixo orgânico, separam o lixo reciclável e identificam doações quando as fazem. “Não é uma atitude altruísta. É pensar na sociedade, no meio ambiente, na praticidade de quem trabalha com o lixo. Contribui até para a higiene do condomínio”, diz Paulo.

Para eles, falta conscientização pública. “Começar a cultura de reciclagem a nível de condomínio já é um bom primeiro passo. Às vezes um panfleto informativo para os moradores ou a troca de sacos de lixo por cada semana de boa prática, a longo prazo, muda a percepção coletiva da sociedade”, concluem Paulo e Ana.

Quer separar o lixo mas não sabe o que vai aonde? Confira abaixo dicas que o Ministério do Meio Ambiente compartilhou sobre cada um dos materiais.

Papéis: todos os tipos são recicláveis, inclusive caixas do tipo longa-vida e de papelão. Não misture papel com material orgânico, como caixas de pizza cheias de gordura, pontas de cigarro, fitas adesivas, fotografias, papéis sanitários e papel-carbono.

Plásticos: 90% do lixo produzido no mundo são à base de plástico. Recicle sacos de supermercados, garrafas de refrigerante (pet), tampinhas e até brinquedos quebrados.

Vidros: quando limpos e secos, todos são recicláveis, exceto lâmpadas, cristais, espelhos, vidros de automóveis ou temperados, cerâmica e porcelana.

Metais: além de todos os tipos de latas de alumínio, recicle, também, tampinhas, pregos e parafusos. Atenção: clipes, grampos, canos e esponjas de aço devem ficar de fora.

Isopor: Ao contrário do que muita gente pensa, o isopor é reciclável. No entanto, esse processo não é economicamente viável. Por isso, é importante evitar ao máximo o seu desperdício. Quando tiver que jogar fora, coloque na lata de plásticos. Algumas empresas transformam em matéria-prima para blocos de construção civil.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

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