Meio Ambiente

O racionamento nos deixou, mas a conscientização deve ficar

Fim do racionamento próximo do período de seca em Brasília pode servir como alerta para um maior cuidado com a água

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O fim do racionamento de água no Distrito Federal chegou ao fim em 15 de junho. Com os reservatórios cheios, o anúncio de uma economia de 12% nos domicílios brasilienses e a previsão de entregar mais reservatórios faz parecer que vencemos a crise hídrica. A população respeitou os cortes, mas nem todos acreditam que o racionamento foi o fundamental para a economia e, sim, a conscientização através dele.

A servidora pública Juliana Leão é uma das que acreditam em uma melhor economia com conscientização ambiental. Juliana é moradora de Águas Claras e explicou que, em seu prédio, a caixa d’água supria a demanda nos dias de corte, então não havia muitas mudanças na sua rotina.

Caixas d'água supriram boa parte da demanda nos dias de racionamento

Caixas d’água supriram boa parte da demanda nos dias de racionamento

Ela conta que o racionamento pode ser facilmente burlado. “Por exemplo, costumamos lavar as roupas da minha casa 3 vezes na semana, ou seja, três máquinas de roupa. Com o racionamento, deixávamos de lavar nos dias em que havia corte e passava a lavar nos demais dias, ou seja, não havia economia real.” A servidora explica que, sabendo da crise, mudava outros hábitos como reduzir a duração de banhos, economizar água ao lavar louças e diminuir lavagens do carro.

O condomínio de Juliana, além de colocar um calendário da interrupção da água nos elevadores, mantém campanhas como dias certos para utilizar a máquina de lavar, por exemplo, e campanhas de conscientização.

O corretor Alfredo Brasil também não tem muita certeza de que o corte periódico foi a melhor maneira de economizar, mas ele acha que isso funcionou como um alerta. “Acredito que a iniciativa do corte tenha sido o melhor incentivo, visto que alertou a população para a gravidade da situação de escassez.”

Alfredo explica que teve uma economia de aproximadamente 20% na conta de água, mas com outros tipos de ações parecidas com a de Juliana. “Passamos a acumular mais roupas sujas antes de lavar; lavamos o carro com menor frequência; passamos a dar descarga no vaso sanitário apenas quando necessário; coletamos a água que lavamos as mãos para utilizar na descarga.”

Ele também conta que vai manter as atitudes adquiridas durante a crise hídrica. “Algumas atitudes irão mudar, não tendo assim tamanha preocupação com o racionamento. Porém, bons hábitos adquiridos continuarão.”

A especialista em recursos hídricos Lorena Vaz, apesar de achar precipitado o fim do racionamento de água próximo do período da seca, explica que faltava conscientização entre os moradores para uma real economia. “Conheço muita gente que um dia antes do racionamento enchia baldes e baldes para não ficar sem água e acabavam desperdiçando. Acho que só uma pequena parcela teve essa conscientização.”

Recirculação contínua da água pode ser um grande benefício para indústrias

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Ela considera que o governo não reagiu com campanhas de conscientização. “Eu acho que o racionamento foi fundamental, mas porque as campanhas foram muito fracas. Deveria existir uma campanha de conscientização oferecendo alternativas de como você deve fazer esse racionamento”.

Lorena expõe algumas soluções para indústrias, que são os maiores consumidores de água. “Às vezes tem muita empresa que tem equipamentos com goteira e isso gera um desperdício absurdo. A manutenção deles é importante e serve até para nossas casas. Além disso, temos outras alternativas, como o reaproveitamento da água, usar a mesma água para várias operações indústrias, quando a água não sofre com componentes químicos e pode ser utilizada em várias atividades.”

 

 

 

 

 

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