Política

Política que vem de casa

Como as cidades, os condomínios também necessitam de gestores e participação da comunidade para organizar o ambiente

Você sabe o seu papel na política? Para Aline Silva, estudante de contabilidade, “somos responsáveis por nossas escolhas na hora de votar. Precisamos analisar com cuidado e responsabilidade cada candidato”. O advogado Antônio José completa: “Nossa maior arma é o voto. Quem colocamos lá nos representa, e é fundamental que façamos o acompanhamento do trabalho realizado durante o período do mandato”.

Você já deve ter ouvido que política começa dentro de casa, mas, antes dos debates e conversas de nível estatal ou nacional, viver em apartamentos ou condomínios podem nos deixar mais próximos de uma vivência política do que imaginamos. Nos condomínios, as relações entre síndico e morador revelam como as interações políticas movem outras esferas sociais. Assim como os presidentes, os síndicos são responsáveis em organizar e manter o funcionamento das atividades do ambiente. Os moradores, por sua vez, representam o povo, que nas assembleias votam nas medidas apresentadas pelo conselho.

Deusélis e Julian trabalham juntos na gestão dos prédios

Deusélis e Julian trabalham juntos na gestão dos prédios

Julian Marcondes é administrador público e há três anos ajuda na gestão de um edifício com 72 apartamentos no Noroeste. Como síndico, tem que lidar desde pequenas situações, como a relação entre os moradores, até problemas estruturais, como a distribuição de gás.

“Em geral não é fácil você ser síndico e fazer com que as pessoas compreendam a necessidade de manutenção do condomínio. As pessoas estão lá vivendo o dia a dia do seu apartamento e não estão vendo o que tem em volta. O condomínio é com uma pequena cidade, ele tem seu sistema de iluminação, saneamento, abastecimento de água… E sem essa estrutura trabalhando bem, a pessoa não consegue usufruir bem o seu imóvel”, explica Julian.

Mas o síndico não está sozinho. O trabalho é dividido com outros três conselheiros, também escolhidos por votação. O grupo auxilia na gestão e nas decisões que venham a ser tomadas. Deusélis Filho é síndico profissional, e já está no ramo há  4 anos. Ele é conselheiro do Julian no prédio D e, ainda, gere outro bloco, também no Noroeste. Em situações de desentendimento entre moradores o conselheiro acha essencial, antes de qualquer medida oficial, conversar pessoalmente com o morador para buscar solucionar o problema, ele acredita que assim consegue manter o bem estar geral do condomínio.

“O morador tem vários canais de comunicação com a gente. Tem o whatsapp, o email nosso e o meu celular está 24h comigo. Então, se um morador precisa falar é só me lugar, por ser perto a gente consegue ir. Mas no outro prédio que eu trabalhei que era mais distante, geralmente eu marcava conforme o horário do morador e a gente se encontrava no escritório do síndico, que fica no prédio”.

E alinhar o convívio de diferentes moradores não é tarefa fácil, como no país, as regras e leis devem buscar garantir o bem estar de todos. A grande dificuldade é na mobilização das pessoas que acabam não se envolvendo nas atividades do prédio. Apenas 20% dos moradores acabam comparecendo às assembleias. “Às vezes você quer aprovar uma coisa que vai aperfeiçoar a qualidade de vida e que os outros 80% dos moradores têm interesse, mas por eles não terem uma dor muito aparente eles não participam da assembleia. A pessoa que está vivendo muito bem, que não tem nenhum problema que afeta a vida dela, ela não vem participar. Por mais que a gente tente, ela acaba se distanciando da assembleia e acha esse momento chato”, completa o síndico Julian.

A gestão de um condomínio tem coisas complexas como o Estado

A gestão de um condomínio tem coisas complexas como o Estado

E se no Estado a gente tem o poder judiciário, nos condomínios os advogados também são essenciais para auxiliar em eventuais momentos. Vinicius Nóbrega está há 5 anos no mercado de direito imobiliário, ele ajuda na administração de alguns condomínios pela cidade. Ele explica que para ter uma convivência harmônica é necessário que se tenha uma regulação que considere a legislação prevista no código civil. “A presença do advogado é importante para as questões de consultas a respeito de como serão feitos os procedimentos do condomínio, como: aprovação de contas, alteração de regime interno ou até quando tem algum conflito entre algum vizinho e outro que respeite o direito de vizinhança, como com questões de barulho. O advogado ajuda para que as ações da administração do condomínio e do síndico seja feita em conformidade com o que prevê e a lei  e para que os condôminos respeitem os direitos de todos”, completa o advogado.

Denize Souza mora há 26 anos em um prédio da asa norte. Ela conta que logo que se mudou para o prédio costumava frequentar as reuniões e assembleias do condomínio, mas que com o tempo deixou de ir aos encontros. “Não me lembro muito bem quando parei de ir às reuniões. Mas a mesma síndica está no comando há muito tempo no posto e não temos muitas mudanças entre os moradores, então, confio no que ela decide para a melhoria do prédio, as medidas não fogem muito do que costumamos fazer”, explica Denize.

Por outro há quem ache esse momento muito importante para  a manutenção da moradia. Cristina Albuquerque mora no Noroeste e  mesmo sem ter do que reclamar acredita que é importante contribuir  com o trabalho realizado no condomínio.

“Eu moro aqui. O condomínio é como se fosse minha varanda, por isso, preciso  zelar e agregar nas mudanças que sejam para tornar o ambiente melhor. É essencial saber onde o meu dinheiro está sendo aplicado e se a aplicação era para o bem comum. Esse é o local que eu descanso e recebo meus amigos e familiares, então quero que ele esteja sempre bom.”

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