Cidadania

Projeto leva esporte e música a adolescentes em Sobradinho

Com aulas de dança e boxe, Fênix visa empoderar jovens e mantê-los longe da criminalidade

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O projeto Fênix, de Sobradinho II, desenvolve atividades socioeducativas para adolescentes com idades entre 12 e 18 anos há mais de uma década. Entre as principais metas do projeto estão a inclusão social que visa proporcionar o resgate de valores e princípios no âmbito familiar e fortalecimento de caráter. Cerca de 50 adolescentes fazem parte do projeto e quatro professores voluntários ministram aulas de boxe, breakdance, oficina de beleza e maracatu. Além disso, são feitas visitas psicossociais nas casas das famílias dos membros do grupo.

O projeto Fênix nasceu em 2006, quando a coordenadora Eliane da Silva Aguiar Arquinigo atuava como psicóloga em uma instituição para adolescentes que cumpriam regime fechado. Segundo ela, o sistema socioeducativo era ineficiente por não possuir uma proposta pedagógica, assim, os adolescentes não eram beneficiados pelo tempo que passavam lá. Ao questioná-los sobre o que acreditavam que poderia transformá-los, Eliane passou a buscar conhecer o que de fato interessava esses jovens e assim, a fortaleceu a ideia da criação do Projeto Fênix. O projeto social nasceu três meses depois, quando Eliane e um ex-detento de Londrina, Stilo, que cantava rap, colocaram a ideia em prática no Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) em Sobradinho II.

Durante três anos o projeto funcionou com o enfoque no apoio a adolescentes em conflito com a lei, porém, sem apoio econômico acabaram encerrando as atividades. Apenas em outubro de 2014 retornaram com um novo enfoque, um trabalho de prevenção à criminalidade, por meio de vínculos sociais e apoio psicossocial às famílias.

Atualmente, o projeto não tem uma sede própria e depende do espaço da escola pública CEF 08 de Sobradinho II. Segundo a coordenadora, a principal dificuldade é a questão socioeconômica para manutenção do projeto, como lanches e materiais para as oficinas, então dependem de parceiros de diversos segmentos. Além disso, outra dificuldade é a ausência da verba do governo para que ampliem a proposta do grupo, entretanto esse é um processo já em tramitação.

Fabiano Pereira entrou como aluno e hoje ministra aulas de dança no projeto Fênix. Foto: Ingrid Pires

Fabiano Pereira entrou como aluno e hoje ministra aulas de dança no projeto Fênix. Foto: Ingrid Pires

O dançarino Fabiano Pereira conheceu o projeto Fênix em 2007, por indicação de um amigo da escola. Desde então, ele faz parte da “família”. Fabiano tornou-se professor de dança e passou a ministrar aulas para novos participantes do projeto em 2014, quando o grupo retornou a atividade. “O projeto me mudou de todas as formas. Mentalmente, espiritualmente, emocionalmente e profissionalmente”, conta. Segundo ele, o melhor de ser parte do projeto é ter liberdade de comunicação e expressão, tanto como aluno quanto como professor.

A mudança no comportamento dos adolescentes que participam do projeto Fênix é visível. Muitos deles ingressam no grupo quando já estão quase envolvidos na criminalidade e, por ação do projeto, redefinem os próprios caminhos.

O estudante Luiz Fernando Barbosa é um desses casos. Filho de pai alcoólatra, ele tinha parado de estudar e teve a família despejada da casa onde moravam. Quando ingressou no grupo, ainda muito novo, não socializava, nem sequer levantava a cabeça, mas em pouco tempo se destacou na oficina de breakdance. Por meio das parcerias, o projeto ofereceu cursos profissionalizantes a Luiz e o convenceu a voltar para escola, onde eram feitos monitoramentos da presença dele nas aulas. Hoje, Luiz cursa educação física e é líder do grupo de dança Charadas, que já participou de quatro competições na França.

Walisson Sousa, professor de boxe no projeto Fênix. Foto: Ingrid Pires

Walisson Sousa, professor de boxe no projeto Fênix foi vice-campeão no campeonato brasileiro em 2016

Outro exemplo é Walisson Sousa, apelidado “Tyson”, que se destacou nas aulas de boxe assim que começou a participar do projeto e em 2016 alcançou o título de vice-campeão no campeonato brasileiro. Para os coordenadores Eliane e Tomy Arquinigo, o mais gratificante de realizar esse trabalho é ter a oportunidade de gerar transformação de vidas e das histórias desses adolescentes.

Para participar do projeto Fênix é necessário ir ao CEF 08 em Sobradinho 2, no sábado pela manhã, e conversar com a coordenação. O único requisito é que o adolescente vá ao projeto três sábados consecutivos para que seja devidamente cadastrado. Além disso, qualquer pessoa pode se voluntariar, desde que o que tenha a oferecer seja de interesse e necessidade do projeto.

Conheça o projeto Fênix: https://www.facebook.com/projetofenix.sobradinho/

https://www.instagram.com/projetofenix.df/

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