Entrevistas

Brasília tem espaço para a moda

A estilista Fernanda Ferrugem é uma das caras mais conhecidas na cidade, quando o assunto é tendência e mercado de roupas

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Em contato com a moda desde criança, a brasiliense Fernanda Ferrugem é uma das estilistas mais conhecidas da capital. Com o costume de estar sempre observando a cidade e os diferentes pontos, a estilista tem a rua como maior inspiração e conta um pouco sobre a profissão que já segue há 15 anos.

Como surgiu o interesse em trabalhar com moda?

Eu já nasci em uma família que trabalhava com moda, costura. A minha avó era costureira do Hospital Santa Lúcia, e a minha mãe desde muito cedo, aprendeu a cortar, costurar. Então, foi muito natural, sempre gostei de criar minhas próprias roupas. Desde pequena já desenhava.

Quais são as suas inspirações?

Eu me inspiro muito na rua, metrô, festas que frequento, no meio que eu vivo. Mas eu também me inspiro muito em filmes antigos. Eu tenho duas linhas, uma linha street e uma linha de vestido de festas, que é o meu carro chefe. Então, o lado mais retrô vai para a linha de vestidos e a linha street vem do que observo no meu dia a dia.

O que acha da moda em Brasília?

Quando comecei era uma coisa marginalizada, até porque não tinha ninguém que fazia praticamente. Era eu e mais duas pessoas. Tinham os modistas, mas estilistas que assumiam eram poucos. Então eu vi crescer, evoluir bastante. Hoje eu vejo que Brasília tem sim designer, tem uma cara. E as coisas podem sair daqui. Não precisamos ficar buscando fora, aqui tem, tem muita gente boa fazendo.

A cidade serve de inspiração?

Total, é o que mais me inspira. Eu não dirijo, então eu ando muito de ônibus, bicicleta, metrô. Ficar andando e observando esses espaços, a rua, me inspira totalmente.

Existem desafios?

Muitos. Trabalhar com moda não é fácil. A moda passou por um momento que foi banalizada. Veio o fast fashion e as pessoas, principalmente no Brasil, não se preocupam em comprar de forma consciente. Elas compram o que é mais barato. Para a gente que trabalha com algo autoral, independente, é mais difícil porque o nosso custo acaba ficando mais alto. Mas seguimos trabalhando a ideia de fazer as pessoas entenderem a diferença entre comprar de quem faz e comprar de uma grande corporação que só visa o lucro.

Qual a dica para quem está começando?

Ter humildade, correr atrás, participar de eventos e não ter vergonha de vender suas próprias coisas. Se joga. Porque a moda precisa desse “tête-à-tête” do consumidor com quem produz. Quem está começando tem que procurar lugares para mostrar o trabalho, sem medo de ser feliz.

Como usa sua marca para se posicionar em questões relevantes?

Sempre foi um meio de comunicação, desde que eu comecei, sempre quis imprimir o que eu penso. Eu não tenho medo, tipo agora, me posiciono politicamente. E não tenho medo se vou perder cliente. Acho que quem compra comigo é porque se identifica. Então uso sim a moda como um viés de manifesto.

Qual o público de maior interação com sua marca?

Como estou há um tempo no mercado, tenho clientes que envelheceram e agora estou buscando renovar. Eu vejo que varia muito, tenho clientes novos e clientes mais velhos, mas o que une todos é a forma de pensar das pessoas. Quem compra minhas coisas são pessoas com uma cabeça mais aberta, independentemente da idade

Como você define sua marca? Como produz?

Viso muito a pegada independente e upcycling, que é o reaproveitamento de material.  A minha marca é o slow fashion, eu faço poucas peças, no meu tempo. Um consumo consciente, essa é a minha cara.

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