Cultura

Batalhas de rap ganham popularidade nas ruas do DF

As disputas vão além das rimas e acrescentam crítica social à arte

Não é novidade que o rap é um dos estilos musicais mais presentes no cotidiano dos brasilienses. Cantores e bandas da modalidade do DF, como Hungria Hip Hop, Froid e Tribo da Periferia, são destaques no cenário nacional. Essa onda de sucesso trouxe holofotes às batalhas de rap, que se popularizam no Plano Piloto, nas regiões administrativas e também nas cidades do Entorno.

Pessoas de todas as idades participam das batalhas, fazendo rimas ou apenas acompanhando quem vai ao microfone. Porém, o público, em sua maioria, é formado por adolescentes. A ideia das batalhas é ter pensamento rápido para formar rimas no improviso para “atacar” o adversário. A disputa é feita em três rounds e o Mc que ganhar dois é o vencedor. A decisão dos melhores é feita por jurados e também por aclamação da plateia.

Mc Joy pretende se mudar para Brasília visando alavancar a carreira

A Praça do Relógio, em Taguatinga, é palco para uma das batalhas mais conhecidas do Distrito Federal

A professora e tatuadora Joy Caldeiras,  20 anos, é conhecida como Mc Joy, mora em Caldas Novas (GO) e veio para o Distrito Federal participar das batalhas na Praça do Relógio, em Taguatinga, e no Museu, no Plano Piloto. A cidade em que vive não é referência na categoria. Mesmo não sendo um lugar de expressão, ela criou o Projeto Filhos do Rap, onde crianças de até 11 anos são ensinadas a fazer rimas. “Eu dei para as crianças um espaço de liberdade de expressão, onde elas podem transmitir o que estão sentindo”, diz Mc Joy. Para a professora, o rap é uma maneira de tirar as crianças e jovens da criminalização. “O rap salva muitas pessoas, diferente do crime. Eu estou querendo só passar o melhor”.

Aline da Silva, conhecida como Aline Mc, 20 anos, participa das batalhas de rap há três anos. O interesse surgiu de vídeos no YouTube. Ela rebate o conceito de pessoas que não conhecem o meio de que o rap é ligado à violência. “ É um tabu que a gente pretende quebrar. O rap é para salvar a galera, não adianta deixar o rap privado, às vezes tem alguns moleques usando droga, ouvem as batalhas e se interessam. O nosso foco é principalmente essa galera, a salvação deles”.

Mc Aline na Praça do Relógio. um dos principais pontos das batalhas de rap no DF

Mc Aline na Praça do Relógio, um dos principais pontos das batalhas de rap no DF

Um exemplo de que o rap ajuda a livrar da criminalização é Silas Augusto, ou Mc Free, 20. Ele começou a disputar há seis anos na Batalha do Museu. “Sempre quis participar das batalhas, mas não sabia onde rolava. Mas quando comecei, elas (as batalhas) me ajudaram a mudar de vida, porque eu era do crime antigamente e a batalha me desvinculou disso”.

Ex-estudante da UnB e Rapper, Nauí Lopes, 33, começou a rimar apenas como brincadeira e hoje possui mais de 80 mil seguidores no Instagram. Após uma viagem para Belo Horizonte (MG), maior referência nacional em batalhas, queria trazer para a capital federal a mesma energia.

Nauí admite entender a visão negativa sobre as batalhas, mas não acredita que sejam a causa dos problemas. “Como é feito na rua, os problemas das ruas aparecem. Isso não é problema das batalhas, da polícia ou da administração, é um problema da sociedade”. Ele acredita no ambiente como uma válvula de escape dos jovens: “Ali é um lugar onde os jovens têm acesso a cultura. Nós conseguimos ocupar o tempo deles para um propósito, o grande lance não é negligenciar os jovens, é realmente redirecionar para uma coisa melhor”.

As batalhas de rap podem ser vistas de maneira negativa por estarem ligadas diretamente às ruas e aos seus problemas. Contudo, o proposito e difundir a cultura, especialmente em regiões mais carentes, e possibilitar a todos acesso ao lazer, além de funcionar como rota de  fuga do mundo da marginalidade.

 SERVIÇO

Batalha do Museu: Todo domingo, às 16h00, no Museu da República, ao lado da Rodoviária.

Batalha do Relógio: Toda quinta-feira, às 19h30, na Praça do Relógio, em Taguatinga Centro.

Batalha da Escada: Toda quarta-feira, às 18h00, no Teatro Arena da Universidade de Brasília.

Batalha das Gurias: Todo segundo sábado do mês, às 15h00, na Praça Central do Conic, no Setor de Diversões Sul.

Sonora da Rua: Toda segunda-feira, às 19h30, na Praça da Quadra 10 da Ceilândia.

Guerra do Flow: Toda sexta-feira, às 19h30, na Rodoviária de Planaltina.

 

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