Cidades

Mané Garrincha prioriza mais eventos festivos do que esportivos

A renda de jogos do campeonato regional no estádio tem sido cada vez menor, enquanto a procura por eventos privados só cresce

O Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, tem sido alvo de críticas por grande parte da imprensa brasileira em razão de seu pouco uso para eventos esportivos de grande apelo. Como o campeonato local de futebol não tem muito público e há poucos jogos de times de outros estados no estádio, o Mané Garrincha tem dado prejuízo a FFDF (Federação de Futebol do Distrito Federal) e aos times que o utilizam. Com isso, a organização do estádio tem priorizado a realização de eventos festivos privados ao invés de esportivos.

Reinaugurado em 2013 para a disputa da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, no ano seguinte, o estádio teve um custo de 2 bilhões de reais. Segundo Jean Figueiredo, um dos administradores do Mané Garrincha, o estádio tem um custo mensal entre 700 e 800 mil e apenas com jogos não teriam como ter algum lucro mensal. Durante o ano de 2018, a arena faturou 685 mil e teve um déficit de 8 milhões de reais. Por este motivo ocorrem várias festividades privadas no estádio, algo entorno de 150 eventos por ano.

Foto bola da Copa do Mundo de 2014.

Bola da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil: Mané Guarrincha foi um dos estádios que sediou jogos do mundial

Existe uma tabela de preços para utilização do Mané Garrincha em festas culturais, religiosas, artísticas, educacionais e etc. Os preços variam de acordo com a ocupação. Para uso apenas do gramado e da arquibancada inferior o aluguel sai por R$ 200 mil. Com a inclusão da área VIP, sobe para R$ 250 mil. Para utilização também dos camarotes o valor é de R$ 300 mil. O custo para uso de todo o estádio é de R$ 500 mil ou 13% da renda bruta do evento, considerado o maior valor entre os dois.

No caso de eventos culturais apoiados pelo GDF, o custo será mais baixo: R$ 150 mil. O objetivo é ter ingressos com menores preços nestas festas.

Com tantos eventos dentro do estádio durante o ano, a grama é muito castigada sendo esse um dos principais pontos criticados pela imprensa, principalmente na época em que houve um Vasco x Flamengo, em 2018. “O gramado nunca foi um problema, apesar do estádio ter uma grama específica ele apenas passou por um replantio, algo que acontece em todos os estádios após shows. Após 20 dias já estava em perfeitas condições. A repercussão foi grande por ter um jogo de grande apelo poucos dias depois”, disse Jean.

A Federação faz parte do que se transformou o estádio após sua reinauguração. Com a falta de divulgação e de investimento no campeonato local o estádio veio a depender quase que integralmente de eventos. Bill, ex-jogador com passagens por vários clubes candangos, hoje trabalha na FFDF na área administrativa e acredita que a falta de divulgação e de patrocinadores afetam diretamente para o não crescimento do campeonato candango. “O único patrocinador fixo do campeonato é o BRB (Banco de Brasília). Outros aparecem em alguns clássicos e em jogos de times grandes do país, mas esses são patrocinadores por jogo”, disse Bill.

Foto Ex jogador Mané Garrincha e Juscelino Kubitschek.

Na foto o ex presidente Juscelino Kubitschek e o jogador Mané Garrincha

Essa falta de patrocinadores é reflexo do que vem acontecendo no campeonato. No começo deste ano, foi registrado o pior público da história do Mané Garrincha quando o Real-DF ganhou por 4 a 1 sobre o Santa Maria, pela quinta rodada do Campeonato Brasiliense. A arena recebeu apenas 60 torcedores – renda bruta de R$ 510. Bill completa: “Em jogos como este, com times de menor tradição, esse times podem chegar a levar um prejuízo de 20 mil reais por conta de tudo que é preciso contratar para um estádio como o Mané Garrincha. A federação não tem o poder de impedir nenhum clube de jogar no estádio, mesmo sabendo que pode ser um fracasso de público, porque quem escolhe onde jogar são os clubes. E em Brasília são poucos os estádios que possuem alvará para jogos’’.

Segundo a FFDF, os estádios liberados são os de Sobradinho (Augustinho Lima), Ceilândia (Abadião), Taguatinga (Serejão), Gama (Bezerrão) e Brasília (Mané Garrincha).

A Terracap, responsável pela parte econômica do estádio, procurada sobre novos projetos afirmou estar em grande expectativa com o projeto do Centro Esportivo de Brasília- Arenaplex, que prevê gestão integrada do Mané Garrincha Ginásio de Esportes Nilson Nelson, Ginásio e Complexo Aquático Claudio Coutinho e Quadras Polivalentes. Já tem um nomeado para concorrer a gestão integrada.

Com esse projeto, a Terracap, junto com a FFDF, espera poder melhorar a valorização dos Ginásios de esportes e das quadras polivalentes, mas principalmente tornar o Estádio Nacional Mané Garrincha mais rentável na parte esportiva, para não continuar sendo um salão de festas.

Repórteres: Luan Gabriel Santos Viana e Henrique Reis

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