Meio Ambiente

Nova lei de copos e canudos causa impacto na produção de descartáveis

Aprovada pelo governador Ibaneis Rocha, norma exige troca de plásticos por opções biodegradáveis

O governador Ibaneis Rocha (MDB) retomou a Lei nº 6.266, proposta em 2016 pelo ex-deputado Cristiano Araújo (PSD), que prevê a substituição dos copos e canudos descartáveis por produtos feitos a partir de materiais biodegradáveis, como amido de milho, cana-de-açúcar, beterraba, entre outros materiais orgânicos. Entretanto, ainda vai demorar para os brasilienses conviverem com essa realidade de biodegradáveis.

Com a medida, surgiu uma nova dificuldade para as indústrias. Segundo Rui Fortunato, representante da Plazapel, produtora de materiais biodegradáveis, atender a demanda do governo não será tão rápido pois a produção ainda é muito difícil. “A quantidade de matéria-prima biodegradável disponível é de 20 a 25% e a demanda para consumo no Brasil é muito grande”, afirma. A solução encontrada pela produtora de descartáveis Copobras, que  tem unidade industrial em João Pessoa (PB), foi adaptar a fabricação para a empresa começar a produzir opções biodegradáveis. “Começamos fazendo o copo de 180 ml, mas é necessário entender que não é fácil para uma empresa que tem mais de 20 anos mudar totalmente o formato da produção”, diz Nelson Piacentini, representante da Copobras em Brasília.

A Santana Distribuidora afirmou em nota que a expectativa das empresas é que a lei seja derrubada: “Como são poucos os lugares onde a lei foi aprovada, as indústrias não vão passar a produzir biodegradáveis só por causa de Brasília”. Em contrapartida, Nelson acredita que o comércio vai pedir para as produtoras, mesmo que o preço de demanda do plástico seja de 45 reais e o biodegradável chegue a 70 reais, o que causará impacto no valor do produto.

De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), cada pessoa consome por dia, durante o horário de trabalho, no mínimo 4 copos descartáveis. Isso corresponde a 88 copos por mês. Segundo o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), a coleta de plásticos chega a ser de 85 toneladas diariamente.

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Plástico após uma das etapas do processo de reciclagem

Será que o plástico é realmente um vilão?

Mais de 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos, segundo a Organização das Nações Unidas – ONU. A reciclagem do material é uma opção de descarte consciente e já é uma realidade em Brasília, onde 150 a 200 toneladas de plástico são recicladas pela Capital Recicláveis, de acordo com o gerente operacional da empresa Jorge Ribeiro Dias. “O plástico não é maldoso, se descartado adequadamente 100% dele pode ser reutilizado”.

Para Jorge, a viabilidade de substituir os plásticos por biodegradáveis ainda não existe. Ele explica que ainda que possua a qualidade de se decompor de 1 a 3 meses, o biodegradável não pode ser reciclado. Além disso, os produtos reciclados são mais caros. O material virgem vai para o comércio e recebe o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Quando reciclado, o produto volta para a indústria gerando novamente o ICMS, o que o torna mais caro.

A reciclagem é uma questão de consciência. Jorge fala que o plástico vai estar sempre presente no cotidiano, mas que o descarte desse material deve ser adequado. Sabe-se que o tempo de decomposição do descartável é de 400 a 500 anos, porém todo material pode ser reciclado e o gerente da Capital Recicláveis acredita que essa seja a solução para a diminuição da contaminação dos rios e o desmatamento. “O governo não incentiva o reciclo do plástico por ser um material leve e os catadores ganham por peso, mas ainda assim gera empregos”, diz ele.

Reportagem por: Júlia da Silva e Camila Miranda

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