Cidades

Descarte inadequado do lixo é recorrente em todo o DF

População reclama da falta de informação; SLU aguarda liberação do Tribunal de Contas para que coleta seletiva aconteça em mais regiões administrativas

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Não é preciso uma longa caminhada entre as quadras da Asa Sul e Sudoeste, considerados bairros nobres do DF, para constatar que o cidadão ainda não aprendeu a separar o lixo. Uma olhada rápida no interior dos contêineres permite perceber garrafas de vidro em recipientes de lixo orgânico e restos de comida acompanhados de caixas de papelão. A separação entre “seco” e “orgânico” parece não fazer efeito. No Entorno e demais regiões administrativas do DF, a situação é ainda mais grave.

Pesquisa do Ibope revela que 8 em cada 10 moradores do DF não separam o lixo doméstico por tipo de material, como sugere a coleta seletiva. A média é pior que a nacional, que aponta 4 em cada 10 brasileiros. Além disso, no Distrito Federal, 39% dizem não separar sequer os resíduos orgânicos do lixo seco. O levantamento mostra, ainda, que quase metade da população (49%) diz saber “pouco ou nada” a respeito da separação correta do lixo. Os dados foram divulgados em junho de 2018.

“Ninguém separa. Quando o caminhão passa, você escuta as garrafas de vidro quebrando”, critica a moradora da Asa Sul, Bruna Moreira, 42 anos. “Eu simplesmente não acredito que até hoje o meu prédio não faça a coleta seletiva. Esta divisão do lixo é complexa. O governo precisa orientar melhor a população”, desabafa.

Descarte inadequado é constante no DF: 49% da população diz saber “pouco ou nada” a respeito da separação do lixo

Descarte inadequado é constante no DF: 49% da população diz saber “pouco ou nada” a respeito da separação do lixo

Atualmente, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) realiza a coleta seletiva em 25 regiões administrativas do DF e atende a 52% da população. O trabalho está sob responsabilidade da empresa Sustentare e de 11 cooperativas de catadores. Dependendo do local, a coleta acontece de forma integral ou parcial.

Por meio de nota, o SLU informou que a coleta seletiva será ampliada para 100% do DF assim que o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) liberar a realização do pregão eletrônico nº 02/2018, que tem como objetivo a contratação de novas empresas de limpeza urbana.

Falta conscientização

Segundo a assessora especial do SLU, engenheira ambiental Luana Sena, o órgão realiza palestras, peças de teatro, visitas técnicas, mutirões e campanhas de sensibilização da população para o descarte ambientalmente adequado dos resíduos sólidos urbanos. “Entretanto, é recorrente o descarte irregular. Acredito ser, sim, necessária uma quantidade maior de recursos financeiros para ampliar e intensificar a campanha educativa de sensibilização da população, além de uma fiscalização efetiva”, afirma.

Alexandre Amorim, 34 anos, confessa que não faz a separação do lixo. “A gente já tem o vício de juntar tudo em um lugar só. E tem a preguiça também. É uma questão cultural”, argumenta. O assistente administrativo mora em uma casa no Riacho Fundo 1. “Se tem coleta seletiva por aqui, eu desconheço”, defende. A região, no entanto, consta na rota da coleta seletiva do SLU, por meio de cooperativa.

Alexandre Amorim, 34, confessa não separar o lixo em casa, mas na empresa, sim: "em casa, você acaba relaxando"

Alexandre Amorim, 34, confessa não separar o lixo em casa, mas na empresa, sim: “em casa, você acaba relaxando”

Já no trabalho de Alexandre a regra é diferente. Não há lixeiras nas salas e todo o descarte de lixo deve ser identificado. “Na empresa, você consegue disciplinar as pessoas. Se não separar, tem multa. Em casa, você acaba relaxando”, pondera. Ele acredita que, no DF, a coleta seletiva só funcione para os estabelecimentos comerciais.

O SLU alerta que o cidadão pode ser multado se colocar lixo fora dos horários da coleta, em área pública, em terrenos edificados ou não; se sujar vias e logradouros públicos com podas; se depositar entulho (resíduo de obras) em local não autorizado; se queimar lixo; se os recipientes para o lixo estiverem inadequados para o armazenamento, sujos ou fora do local apropriado; e se deixar lote vazio (não edificado) sem a manutenção da limpeza.

A multa varia de R$ 84,31 a R$ 210.800, dependendo da gravidade e quantidade de lixo disposto inadequadamente.

Bons exemplos

Depois que optou por ser vegetariana, Liz Albuquerque, 23, moradora de um apartamento no Guará, passou a ter cuidado com o lixo. “Comecei a cozinhar mais, então, a quantidade de frutas e legumes aumentou. Não tinha coragem de misturar tudo, até porque o cheiro ficava insuportável”, explica a estudante de Psicologia. Ela destaca que o novo hábito entrou na rotina de forma muito rápida: “quando você percebe, abriu uma nova pasta de dente no banheiro, mas teve o cuidado de descartar a embalagem em outro lixo, exclusivo para material reciclável”.

Pedro Costa, 33 anos, conta que começou a separar o lixo em casa há cerca de seis meses. “Minha namorada já fazia e eu achei legal. Eu separo o lixo seco do orgânico. Também não misturo vidro nem o lixo do banheiro”, explica. O servidor público destaca que nunca viu um caminhão da coleta seletiva no seu bairro, o Sudoeste. “Também não sei como é a separação no meu condomínio, mas faço mesmo assim. O cuidado com o lixo é um caminho sem volta”, diz.

Pedro Costa, 33, passou a fazer a coleta seletiva por influência da namorada

Pedro Costa, 33, passou a fazer a coleta seletiva por influência da namorada

Entenda a coleta seletiva

Coleta seletiva é o recolhimento exclusivo de materiais recicláveis, como papel, papelão, plástico, isopor e metal, nas áreas urbanas do DF. Estes resíduos não devem ser misturados ao lixo comum das residências ou locais de trabalho. É importante separar os resíduos em duas lixeiras, uma para os orgânicos e rejeitos e outra para os recicláveis.

A população pode consultar dias e horários, no site do SLU (www.slu.df.gov.br), onde há mapas georeferenciados e a lista de endereços por região administrativa. No portal, também é possível obter orientações sobre o descarte e acomodação dos resíduos.

O cidadão pode, ainda, fazer denúncias, com vídeos e fotos, no site da Ouvidoria Geral (www.ouvidoria.df.gov.br) ou no 162, para que o DF Legal fiscalize e multe.

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