Cidadania

Alunas da Unb elaboram projeto que ajuda mães universitárias

Idealizada há um mês, a Rede VOA possui 56 voluntários e 13 crianças participantes

Amanda Moura, do 9º semestre de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), e Kelly Gonçalves, do 6º semestre do mesmo curso, idealizaram o projeto Rede VOA (Rede Voluntária de Apoio Infantil para Permanência Universitária), há um mês e a proposta já vem beneficiando mães universitárias.

A Rede VOA surgiu da necessidade de Kelly ajustar seus horários acadêmicos à disponibilidade de sua mãe, que cuida da sua filha de quatro anos. Ela imaginava que havia outras estudantes na mesma situação. Kelly procurou ajuda em um grupo de Psicologia no Facebook, e Amanda, que desenvolveu um trabalho acadêmico sobre ser mãe e universitária, viu a postagem e entrou em contato com Kelly.

Em duas semanas, planejaram toda a proposta da Rede Voluntária, que busca identificar alunos voluntários que se tornem responsáveis pelos cuidados de crianças de seis meses à seis anos de idade, a fim de possibilitar a frequência constante das estudantes mães, especialmente as não beneficiadas por creche ou outro regime de cuidado público ou privado, nos horários correspondentes às suas atividades acadêmicas.

As fundadoras da Rede VOA comentam das dificuldades que enfrentam por parte da Universidade: “Até o momento a Unb não nos recebeu para reuniões e nem se dispõe a prestar respostas formais sobre as nossas solicitações.” Kelly e Amanda pontuam que a intenção delas ao se reunirem com a instituição é de, principalmente, ouvir sugestões que tornem o projeto mais viável e replicável possível.

As estudantes querem estender a proposta para outras universidades, mas por enquanto, é necessário estruturá-lo na Unb. E, para isso, as alunas buscam as devidas orientações visando a regularização e aguardam uma reunião com a reitoria que ainda não disponibilizou salas.

As fundadoras Amanda Regis e Kelly Regina hoje lutam pela regularização do projeto dentro da instituição de ensino - Foto de arquivo

As fundadoras Amanda Regis e Kelly Regina, hoje, lutam pela regularização do projeto dentro da instituição de ensino – Foto de arquivo

A voluntária Laura Cavalcante Corrêa conheceu a iniciativa da mesma forma que Amanda. Para Laura, ser voluntária a fez entender a importância de uma ação como esta em Instituições de Ensino: “Antes de entrar no projeto, eu não imaginava a importância. Hoje, percebo a importância como forma de proteger os direitos da mãe. E isso vai além de cuidar do filho em casa. A mãe deve ter o direito de cuidar dele onde quiser, sem precisar desistir de estudar ou de ter uma carreira por causa da criança”, conta.

Marina de Melo que é mãe de Elis, de um ano e quatro, meses conheceu o projeto por meio do Instagram que as idealizadoras criaram, e após preencher os formulários necessários para ser beneficiada pela Rede VOA, começou a participar e ressalta a relevância dessa ação: “Entendo a importância que o projeto tem, sou mãe, universitária e sei bem das dificuldades que existem”. Marina comenta que não recebe auxílio da própria instituição.

Para a estudante do 9º semestre de Pedagogia na UnB, Ana Clara Loiola Mariz, mãe de Heitor, de um ano e sete meses, o único apoio que teve foi o da própria família. “A universidade lamentou por ter acontecido comigo e nunca podiam fazer nada pela minha situação, tive que me virar muito”, conta Ana Clara.

A estudante conta que conseguiu realizar algumas atividades acadêmicas em casa, entretanto eram tarefas inviáveis para conciliar com a maternidade. Ela afirma que um professor chegou a pedir para fazer 25 artigos em uma semana. Na ocasião, teria dito a estudante:“se você consegue cuidar de um bebê, você consegue entregar esses artigos”.

Para as mães que têm interesse em participar, são necessários alguns pré-requisitos, como: comprovar regularidade em algum curso da Unb, apresentar cópia de identidade própria, certidão de nascimento e cartão de vacinação atualizado da criança, dispor de, ao menos, duas horas semanais para questões administrativas ou de cuidado para cada seis horas semanais solicitadas, participar da aula de treinamento coordenada por professores e/ou alunos participantes do projeto, aceitar o Termo de Consentimento e Livre e Esclarecido entregue na primeira reunião, entre outros.

Para ser voluntário também é necessário o cumprimento de pré-requisitos.  Aqueles interessados podem entrar em contato por meio das redes sociais: Instagram (@redevoaunb) e Facebook (Rede Voa Unb), ou pelo Whatsapp (61 9 98172407).

Rede VOA organiza piquenique no Instituto Central de Ciência da Unb, primeiro encontro da iniciativa - Foto: Amanda Regis

Rede VOA organiza piquenique no Instituto Central de Ciência da Unb, primeiro encontro da iniciativa – Foto: Amanda Regis

Auxílios realizados pela Universidade de Brasília

De acordo com a Universidade de Brasília, a Diretoria de Desenvolvimento Social oferece o Auxílio Creche – bolsa no valor de R$ 485 mensais, que concede ajuda financeira a estudantes, tanto mulheres como homens, regularmente matriculados nos cursos presenciais de graduação da Unb, caracterizados em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que sejam responsáveis legais e residam com crianças entre zero e cinco anos incompletos.

O auxílio é disponibilizado somente a estudante cuja criança ainda não tenha sido contemplada com vaga da rede pública de ensino (creche e pré-escola). Atualmente, existem 27  alunos que já recebem o auxílio. Nesse semestre há 10 vagas disponíveis. Para concorrer a uma delas é necessário conferir o edital: http://www.dds.dac.unb.br/index.php/editais-ano-2019).

A Unb informou que existe, na Faculdade de Educação, uma sala de acolhimento para estudantes e crianças. O local possui brinquedos, livros, computador, micro-ondas, refrigerador e fraldário. Para usá-lo, é necessário cadastro prévio: https://www.noticias.unb.br/publicacoes/112-extensao-e-comunidade/2258-espaco-acolhe-filhos-de-alunas-e-servidoras-na-fe .

Outra iniciativa é a Ciranda da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc), curso da UnB que funciona no modelo de alternância (no qual os estudantes passam um tempo na universidade e depois retornam às suas comunidades). Entre os alunos, há mães e pais com crianças pequenas, que têm o apoio de monitores durante o período em que estão em atividades.

Existe uma demanda pela criação de uma creche escola no campus Darcy Ribeiro levada pela reitora Márcia Abrahão ao governador Ibaneis Rocha, que encaminhou o assunto para o secretário de Educação, Rafael Parente.

Gestante, mãe e estudante: quais são os meus direitos?

Existem algumas regulações que garantem maior proteção jurídica à gestante, mãe e criança.

- A Lei n; 6.202/75 garante à estudante gestante o direito de ser assistida pelo “regime de exercícios domiciliares”, a partir do oitavo mês de gestação, por até três meses.

- A Lei n. 13.536/17 garante a prorrogação por 120 dias, da vigência das bolsas de estudo concedidas por agências de fomento à pesquisa nos casos de maternidade e de adoção.

De acordo com o advogado Lucas Rosa, a Lei 6.202/75 foi uma extensão do Decreto Lei 1.044/69. O artigo 1° da lei diz que a partir do 8° mês de gravidez a estudante poderá ficar assistida pelo regime de exercícios domiciliares, em um prazo de 3 meses, e isso é regra. “Há exceções, pois sempre será necessário analisar o estado de saúde da gestante e da criança.  Ou seja, é necessário sempre ter um atestado do médico responsável”, pontua Lucas.

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