Entrevistas

Guerreiro que não se dá por vencido

Estudante de Educação Física, Mateus da Silva lidou com o desafio de descobrir um linfoma no auge na juventude

Tudo ia bem na vida do estudante de educação física, Mateus da Silva, de 23 anos. No ano de 2017, ele vivia a ansiedade da reta final do curso de Educação Física na Universidade de Brasília. Sempre muito independente e interessado, tinha uma rotina corrida, dividida entre os estudos e os estágios que fazia na época. Foi de estagiário a dono de escolinhas de futebol espalhadas pelo DF, sempre unindo suas duas paixões: o curso e futebol.  Até que no mês de julho deste mesmo ano, ele viu sua vida tomar rumos diferentes.

“Começou com uma dor no peito, parecia uma dor muscular. Mas era uma dor que não passava e, com o tempo, ela aumentou.” Então fui em 4 médicos que me indicaram apenas anti-inflamatórios alegando que era apenas dor muscular. Só o 5º médico consultado o alertou que poderia ser algo mais sério. “Fui me observando no decorrer das semanas e, coincidentemente, um dia que eu já estava bem inchado, fui levantar de vez do sofá e desmaiei”. Como não sabia na época, Mateus continuava em suas atividades, como luta e futebol o que agravava mais a situação, já que o inchaço vinha da dificuldade de circulação de líquido no corpo, causado por um linfoma.

O jovem relata que a mãe e a namorada, com quem se relaciona há 4 anos, foram suas fiéis escudeiras durante o processo. “Elas me acompanharam na procura de uma equipe especializada com quem fiz todos os exames e após a biópsia (procedimento em que é removida uma pequena amostra de tecido para análise) foi confirmado um linfoma, identificado como linfoma primário de células B, não Hodgkin.” A princípio estava no mediastino, região do peito, já comprimindo as veias do coração, o que mais tarde poderia levar a uma parada cardíaca. “Meu caso era muito urgente, mas quando o médico me disse que os índices de cura para o meu tipo de câncer eram um dos mais altos tive esperança.”

Mãe e namorada que são apoios essenciais durante o tratamento

Mãe e namorada são apoios essenciais durante o tratamento de Mateus

O tratamento padrão consiste quimioterapia e radioterapia, mas Mateus fez o contrário, já que com a rádio o linfoma respondia muito bem. “Logo que comecei, o linfoma já começou a diminuir de tamanho.” Ao todo, o estudante passou por 3 protocolos no tratamento. O ambulatorial, que durava cerca de 8 horas, período em que ele não sentiu muitos efeitos colaterais porque era muito ativo e saudável na época; o segundo, que consistia em 5 dias internado no hospital tomando medicações, e que precisou ser interrompido por falta de resultados; por fim, o terceiro protocolo, que também pedia a internação do paciente, sendo a etapa mais agressiva. “Foi a parte que meu corpo mais sentiu”.

Tirando algumas intercorrências, os tratamentos foram bons. Depois do último protocolo, a doença sumiu. Então, sua médica achou que era um momento oportuno para realizar um transplante de medula, que tem 80% de chance de cura. Em setembro de 2018, o estudante realizou o transplante autólogo, que consiste na doação de células sadias retiradas do próprio paciente.

Mas o que ninguém esperava era que a doença tinha regredido, mas não acabado. E nem o melhor exame tinha detectado isso. Menos de 3 meses após o transplante, o tumor voltou. Desde então, surgiu uma nova proposta: deixar a quimioterapia de lado e iniciar a imunoterapia. O tratamento consiste em fortalecer o sistema de defesa do corpo, para que o próprio organismo combata as células cancerígenas. A boa notícia é que com esse novo tratamento, Mateus pode seguir com suas atividades, no ritmo recomendado pelos médicos. Porém, um dos efeitos colaterais da imunoterapia é deixar o paciente cansado, com pouca disposição.

“Essa foi a pior parte que a doença me causou, ver claramente que perdi energia e disposição. Sempre fui muito agitado e sei que é temporário, então agradeço a Deus e ao exercício físico que sempre foi algo muito presente na minha vida.” Hoje, ele alega valorizar muito mais a vida e a saúde num âmbito geral, porque aprendeu que sem saúde não adianta mais nada. Por todos os obstáculos que eu já venceu, Mateus se considera uma pessoa mais feliz.

Aprendizado

O ano de 2019 já começou bem especial na vida do jovem. No final do ano, ele se formará no curso que estava trancado e há 4 meses foi contratado como analista de desempenho da sociedade esportiva do Gama. “Sou cobrado para ser um funcionário como qualquer outro, mas é um trabalho que pode ser feito de qualquer lugar. E eles são bem flexíveis, então dá para conciliar com o tratamento e a faculdade.”

Como está em um clube profissional, ele trabalha de segunda a sábado. A volta à rotina e o novo trabalho, que o exige mais mentalmente do que fisicamente, deixa Mateus cansado no final do dia. Hoje, com quase 10 quilos a menos do seu peso ideal, ele busca estratégias junto aos seus nutricionistas para recuperar o peso perdido.

Foi bom foi ver os amigos que se fizeram presentes neste momento. “Agradeço pela base familiar que tenho, porque sempre estão ao meu lado, me acompanham até nos jogos do Gama”, afirma. O maior desejo de Mateus é deixar esse capítulo para trás e se tornar um treinador de futebol, crescendo a níveis nacional e internacional.

Perguntado sobre qual recado deixa para as pessoas que também vivem esse momento, ele diz: “Já aprendi muito com esse desafio, mas o principal é que a felicidade está nas coisas simples. Nada do que está no externo vai te fazer tão feliz como algo que vem de dentro. Não importa nada se você não se amar e se cuidar, preservando sua saúde, e em segundo lugar amar os seus próximos, que é algo difícil. Tenho desavenças com a minha família, mas sei que quando as coisas apertam, eles que estão comigo. A doença me mostrou o valor das coisas simples da vida”.

"Nada do que está no externo vai te fazer tão feliz como algo que vem de dentro"

“Nada do que está no externo vai te fazer tão feliz como algo que vem de dentro”

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