Cidadania

Alfabetização voluntária que muda vidas

Com idade entre 40 e 80 anos, alunos são alfabetizados por uma equipe voluntária que oferece desde o caderno ao carinho para cada um deles

O projeto Makiguti, de origem budista, é liderado por voluntárias da organização não governamental BSGI (Brasil Soka Gakkai Internacional), que oferece aulas de alfabetização básica para crianças e adultos do Distrito Federal, a partir dos nove anos de idade. Com dois Polos, o projeto abrange praticamente todas as satélites. O primeiro, chamado Polo Taguatinga, alcança, além de Taguatinga, as áreas da Samambaia, Águas Lindas, Recanto das Emas, Ceilândia e Riacho Fundo 2. O Polo Sobradinho alcança o Guará, Águas Claras, Asa Sul, Asa Norte, Cruzeiro, Planaltina, Paranoá e as outras cidades satélites do DF.

Makiguti é o sobrenome do primeiro presidente da SGI (Soka Gakkai Internacional), a organização budista mundial. Ele era professor e foi o desenvolvedor da organização. A fez como uma criação de valores voltada para educação. Logo em seguida, ganhou uma proporção muito maior, tornando-se a grande organização budista que é hoje. Nesse meio tempo, inventou um método de pedagogia único, usado até hoje por seus seguidores.

O nosso objetivo é acolher e incentivar cada um deles ter o hábito de leitura

O objetivo é acolher e incentivar cada dos alunos a ter o hábito de leitura

Tatiane Pliciê que é a coordenadora do Polo Taguatinga explica que o projeto é baseado na pedagogia de Makiguti. “É uma pedagogia que preza o acolhimento. Recebemos o aluno de uma forma mais acolhedora para que ele se sinta à vontade para aprender. É importante que o aluno seja feliz enquanto aprende”, disse Piliciê.

O projeto que tem mais de 35 anos no Brasil e mais de 20 no DF conta com um total de nove voluntários no Polo Taguatinga e seis no Polo Sobradinho. Tudo que acontece no projeto é 100% voluntário. O lanche para os alunos, os cadernos e lápis, a casa onde são ministradas as aulas; tudo, inclusive a dedicação.

Elenice é aluna do projeto há 11 anos, ela recebeu um certificado de comparecimento às aulas do ano passado

Elenice, aluna do projeto há 11 anos, recebeu certificado de comparecimento às aulas do ano passado

O cronograma

Os encontros acontecem de 15 em 15 dias e cada aula tem duração de três horas, completando um cronograma de 44h semestrais. Sábado, 30 de março, foi a primeira aula do ano, chamada de Aula de Encantamento, o dia em que os professores se dedicam a conquistar os alunos para que fiquem até o final do ano.

Na primeira aula de 2019, as professoras decoraram a entrada com cartazes em formato de castelo e essa se passou dentro de um. Ao final, pediram para que cada aluno colocasse seus sonhos e objetivos para o final do ano em placas douradas, e uma das professoras ressaltou: “Acreditem em vocês e antes que falem que não dá mais tempo, dá tempo sim!”. No projeto existem duas vertentes: a Alfabetização, para alunos que precisam aprender a ler e escrever do básico, e a Magia da Leitura, para alunos que aprenderam com dificuldade ou que aprenderam com uma idade elevada. Esta ajuda os alunos a aprimorarem a leitura e incentiva a mesma.

Clarice Satélis de Souza, 63, aposentada, aluna do projeto Alfabetização há mais de três anos já sabe ler e consegue escrever. “Eu confundia o G com Q, ai a professora me ensinou, e agora vai, eu vou conseguir”, contou Clarice que tem o sonho de fazer faculdade, mas ainda não decidiu o curso.

Já Elenice Rosa da Silva, 60, aposentada, é aluna do projeto há mais de 11 anos e agora está no Magia da Leitura. No sábado, recebeu um certificado de honra por ter sido a aluna com maior número de frequência no ano de 2018. Elenice se emocionou: “Me sinto muito feliz e vitoriosa, e agradeço aos meus professores e aos meus colegas. Eu conquistei muita coisa. Transformar a mim mesma em um ser humano de verdade”, falou Elenice que tem como objetivo entrar na faculdade, ler corretamente e aprender mais para ajudar as pessoas a serem felizes também.

Para participar do projeto basta ir aos encontros e preencher uma ficha com os dados. Não é necessário pagar nenhuma taxa. Para saber mais informações basta acessar o grupo do Facebook Coordenação de Educação da BSGI ou entrar em contato com a Tatiane Piliciê (61) 99228-6912.

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