Cidadania

Associação acolhe gestantes que desistem do aborto

Grupo atende mulheres em Samambaia e ajuda a cuidar da mãe e do bebê

A Associação Santos Inocentes é uma entidade sem fins lucrativos, sediada em Samambaia Norte, que tem capacidade para acolher e dar suporte para até 25 gestantes com seus filhos de maneira gratuita, e mais de 80 crianças em regime de creche. Durante seus 16 anos, a entidade já ajudou centenas de gestantes durante o período de gestação e pós-gestação.

Segundo o presidente da associação, Ari França, o objetivo do projeto é dar autonomia e empoderamento para a gestante em situação de vulnerabilidade, negligência familiar e falta de planejamento quanto à gravidez.  “Dar condições de escolha para as mulheres que não teriam outra alternativa senão o aborto”, explica.

Ari é o responsavel pela associaçao desde 2012

Ari é o responsável pela associação desde 2012

A maioria das gestantes que já passou, ou que ainda está no acolhimento, é de adolescentes, que muitas vezes não teriam lugar para ir senão a casa disponibilizada pela associação.

De acordo com Ari, os principais motivos que fazem com que essas gestantes necessitam do acolhimento são conflitos familiares. Muitas vezes elas são expulsas de casa pelos pais ou são vítimas de violência doméstica.

Maria (Nome fictício) tem 19 anos e está grávida do segundo filho. É a segunda vez que ela precisa do acolhimento. Na primeira, ela chegou por conta de situações de violência doméstica enquanto morava com um ex-namorado em Santa Maria. ¨Ele chegava alterado em casa e começava a quebrar tudo. Um dia ele pegou um cordão grosso e me enforcou até eu desmaiar, quando eu acordei, vi minha filha chorando muito¨. relata.

Ari França diz que muitas mulheres chegam à entidade achando que ali é uma casa de aborto e, após uma primeira conversa, algumas gestantes acabam comentando rapidamente sobre estes locais. ¨Várias das mulheres que chagam até nós mostram muito receio quanto as condições que elas observaram nas casas ilegais de aborto¨.

Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil ocorrem mais de 1 milhão de abortos induzidos por ano, sendo que desses números, 250 mil casos acabam levando à hospitalização da gestante. Uma mulher a cada dois dias acaba morrendo no Brasil tentando o aborto induzido.

A associação começou como um projeto de conscientização contra o aborto, e após 16 anos. O trabalho da casa das mães e da creche é mantido por meio de doações, como roupas, alimentos, e produtos de limpeza. Constantemente a instituição precisa de apoio com esses produtos. Os interessados que desejam contribuir devem entrar no SITE da Santos Inocentes na aba ¨Como Colaborar¨ para mais informações.

Legislação

No Brasil, o aborto induzido é uma prática ilegal, exceto em casos que a gravidez apresente riscos para a mãe ou tenha sido resultado de um estupro. Todo caso de aborto induzido que não esteja entre esses casos é feito de forma clandestina, muitas vezes por pessoas pouco qualificadas e em ambientes que não estão preparados para esse tipo de procedimento.

Em agosto de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) fez duas sessões de audiências públicas para debater sobre a descriminalização do aborto, o julgamento ainda não tem uma data definida.

Com a atitude do STF, em fevereiro deste ano, o Senado decidiu retomar a discussão do tema para tentar garantir a inviolabilidade da vida após a concepção, ou seja, proibição do aborto desde o início da gestação. Ainda não há uma data prevista para a votação.

Aborto no DF

Estudo divulgado pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) e pelo Departamento de Informática do SUS (DataSUS) mostra um índice de mortalidade materna em Brasília muito maior comparado a um que possa ser aceitável. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, um coeficiente considerado admissível seria de 20 mortes para cada 100 mil nascidos, em Brasília temos 53,9 óbitos a cada 100 mil nascidos. Por ano, Brasília tem mais de 3 mil internações de mulheres em consequência do aborto.

Esse mesmo estudo mostrou que de 2009 a 2013 houve um aumento de 17,4% no aumento dos casos de gravidez tardia. Além disso, também mostrou que 75% dessas mulheres que sofreram com o óbito materno eram negras.

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