Cidadania

Projeto Música e Cidadania leva o som clássico para crianças e adolescentes do Paranoá

Jovens conhecem e fazem música em projeto gratuito

Ainda hoje a violência e a criminalidade estão ligadas à imagem dos jovens, principalmente nas periferias. Visando combater esse estereótipo e proporcionar a crianças e adolescentes um futuro melhor, o casal Cláudia e Valdécio Fonseca criou o projeto Música e Cidadania.

Os dois, que são da periferia de Belo Horizonte (MG), participaram na capital mineira de uma banda em um projeto social responsável por mudar a vida de todas as gerações que passaram por ele. Então, Valdécio notou o enorme poder transformador que a música tinha. Nasceu assim o sonho de criar um projeto parecido no Distrito Federal.

O início aconteceu no Varjão em 2007. As aulas eram dadas por Valdécio e alguns voluntários, mas não eram o suficiente para a quantidade de alunos, que só aumentava. Após uma apresentação na cidade do Paranoá, o casal encontrou uma enorme carência de programas sociais, então, viu ali a oportunidade para atender mais pessoas.

No Paranoá, o projeto se instalou inicialmente no Centro de Ensino Fundamental 1, porém, como não era um espaço voltado somente para a música e existia o sonho de criar uma orquestra, era necessário melhorar a instalação e os instrumentos. Dessa maneira, após um acordo com a Administração Regional do Paranoá, o projeto Música e Cidadania foi alocado na quadra d2, onde permanece até hoje.

O projeto começou apenas como um sonho e agora atende aproximadamente 200 crianças, com cerca de 30 profissionais e conta com aulas de violino, trompete, flauta, clarinete, violão, entre outros.

Tabu

O Música e Cidadania ensina crianças e adolescentes a tocarem instrumentos na versão clássica. Por não ser um dos estilos musicais mais populares, chama a atenção o modo como as crianças e adolescentes do projeto se identificam com os instrumentos. Sobre o interesse desses jovens pela categoria clássica, Cláudia diz que a curiosidade se deve porque muitas vezes os alunos nem conhecem a modalidade. “A curiosidade vem porque ninguém nunca apresentou mostrou para eles”.

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Cláudia deixou o emprego para focar no Projeto

Um dos tabus que o projeto busca quebrar é a elitização de determinado estilo de música e acabar com as barreiras impostas pela sociedade, pois a música é universal. “O berço do funk no Brasil é o Rio de Janeiro, nas favelas. Mas o que a gente mais vê são as menininhas de Copacabana e Ipanema indo para as festas que têm lá ou então tocando funk nas suas festinhas, em suas coberturas também. Então por que o pessoal daqui não pode ouvir música clássica?”, completa Cláudia Fonseca.

O estudante Thallison Gabriel, 17 anos, é um dos exemplos de como o projeto é capaz de transformar vidas. Ingressou há três anos e se apaixonou pelo trompete. Por um pequeno período, ele ficou em recuperação na escola, o que impediu de frequentar as aulas de música até que a média escolar retornasse. Como a paixão pelo instrumento era grande, não demorou muito para as notas aumentarem. Agora, Thallison é monitor no projeto.  “Eu fui alfabetizado musicalmente lá, tive meu primeiro contato com o instrumento. Sou grato ao projeto pois graças a tudo que me ofereceram gratuitamente, quero passar na UnB para cursar bacharelado em trompete e seguir uma carreira na música”.

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Thallison já fez apresentações para orquestras sinfônicas

 

Apesar da importância do Música e Cidadania, não há apoio financeiro por parte do governo. O projeto está entrando com uma solicitação na lei Rouanet, mas fora isso o dinheiro vem de eventos como o Musicaldo e o Concertando, rifas, bazares e bingos. Toda essa renda é voltada para a manutenção do espaço e dos instrumentos.

Como colaborar

É possível fazer doações através do site http://www.musicaecidadania.com/como-colaborar/   em dinheiro, com um instrumento novo ou usado e também com material de escritório, como papel A4 e cartucho de tinta.

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