Cidadania

A arte marcial que pode mudar vidas

Projetos sociais utilizam o jiu-jitsu como forma de incluir os jovens na sociedade e melhorar a autoestima

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Autismo autoestima Jiu jitsu projetos sociais

A palavra superação significa ato ou efeito de se superar. Superar é o lema de dois projetos que, coincidentemente, levam o mesmo nome e realizam o mesmo trabalho, embora voltados para públicos diferentes. A iniciativa independente Lutando pela Inclusão promove a inclusão de crianças com autismo no esporte por meio da prática do jiu-jitsu. O Projeto Lutando pela Inclusão da Cidade Estrutural oferece aulas gratuitas de jiu-jitsu para crianças e adolescentes.

Criado em 2017 pelo professor de artes marciais Fabbio Façanha, o Lutando pela Inclusão visa inserir crianças com autismo no esporte. Fabbio Orelinha, como é mais conhecido, trabalha sozinho, sem parcerias ou financiamento do governo, e atende em clínicas e em domicílio. Ele diz que uma das vertentes do projeto é acreditar no potencial das pessoas, independente de diagnósticos ou características individuais.

Existem muitos mitos sobre o autismo, mas a psicóloga Thais Gerbassi explica que a condição é um transtorno de desenvolvimento com variações de gravidade, que pode prejudicar a capacidade de interagir e de se comunicar. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) só pode ser diagnosticado por meio do médico, pois não existem exames de imagem ou laboratoriais que o apontem. O tratamento é feito por meio de terapia e acompanhamento de alguns especialistas, como fonoaudiólogo, neurologista e psiquiatras pediátricos.

As aulas com Fabbio Façanha trouxeram melhoras para a saúde mental e motora de Heitor

As aulas com Fabbio Façanha trouxeram melhoras para a saúde mental e motora de Heitor

Gerbassi afirma que o esporte é benéfico para a vida dos portadores do TEA, pois propõe a inclusão dessas pessoas na sociedade e traz melhoras para a saúde mental e motora. A evolução desses pacientes após o início da prática esportiva se nota de imediato, após alguns dias. Eles se tornam mais pacientes, concentrados, dispostos e apresentam evolução crescente nas sessões de terapia.

Thiago Piloni é pai de Heitor, aluno de Fabbio, e diz que o início do projeto se deu com o trabalho que o professor realizava individualmente com o filho, em casa. A atitude se deu pela crença de que um esporte de contato físico seria o ideal para a evolução e melhora física e mental de Heitor. O projeto cresceu e, hoje, atende outras crianças e adolescentes do DF.

Jiu-jitsu abre portas para jovens da Estrutural

Fundado em 2007 por Marcelo Pinheiro, o Instituto Superar tem como missão primordial fomentar, incentivar e desenvolver a educação de crianças e adolescentes que moram na Cidade Estrutural. O jiu-jitsu é utilizado como mecanismo de aproximação, mas o instituto também oferece aulas de português, matemática, história e até inglês.

Avelar Lima, servidor público, participa do projeto há 3 anos, ensinando jiu-jitsu e história. Para ele, quem procura o instituto nem sempre vai pela arte marcial. Muitos alunos vivem realidades difíceis em casa e, por isso, vão em busca de amizade e acolhimento. Além disso, Lima afirma, a prática do esporte dá autoestima para esses jovens e proporciona uma sensação de pertencimento.

Além do jiu-jitsu, o Instituto Superar também oferece aulas de reforço e outras atividades

Além do jiu-jitsu, o Instituto Superar também oferece aulas de reforço

As aulas acontecem num espaço alugado, na Quadra 1 da Cidade Estrutural. Para bancar a ampliação do local, o projeto realizou uma feijoada beneficente. Atualmente, 11 voluntários trabalham no instituto, mas, de acordo com Lima, esse número está em oscilação constante. Ao todo, o Lutando pela Inclusão já atendeu 795 jovens, entre crianças e adolescente. No momento, 50 estão matriculados.

Alguns dos jovens que já passaram pelo Instituto Superar vivem atualmente da arte marcial. Tiago Highlander e William Freitas foram alunos do projeto e hoje competem profissionalmente. Lima revela que vários alunos enxergam no jiu-jitsu uma oportunidade de emprego, tanto como atletas, quanto como professores no futuro.

Os alunos chegam com muitos problemas, com um mundo muito fechado, e é no instituto que eles abrem a mente e percebem que podem evoluir. “O que eu sempre falo para os alunos é que a condição deles é a condição deles, ninguém vai mudar. O que importa é o que eles vão fazer daqui pra frente para transformar isso”, completa Avelar Lima.

Como ajudar

Fabbio Façanha atualmente só atende alunos pagantes e, com esse dinheiro, ele aluga os espaços onde as aulas são ministradas. Para fazer propaganda e arrecadar mais fundos, ele produz e vende camisetas do projeto. No futuro, Façanha pretende estender os atendimentos para crianças carentes. Para entrar em contato: (61) 98242-1982.

O Instituto Superar recebe doações em dinheiro pelo site https://institutosuperar.org.br. Os interessados podem doar mensalmente ou quantas vezes desejarem. Há também a opção de entregar kimonos de jiu-jitsu e cestas básicas na sede do projeto, que fica na Quadra 01 – Conjunto 05 – Lote 01, Setor Oeste Cidade Estrutural.

 

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