Educação

Desempenho em matemática retrocede no DF nos últimos anos

Além dos dados em matemática, o DF foi a única unidade federativa em que o rendimento no terceiro ano do Ensino Médio piorou

O aprendizado em matemática regrediu no terceiro ano do Ensino Médio entre os anos de 2007 e 2017. A afirmação é resultado de pesquisa elaborada pelo Todos pela Educação com base no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

Na capital federal, apesar de apresentar o melhor número entre os estados brasileiros, o ensino está indicado no pior nível da tabela do levantamento e também retrocedeu. Segundo os dados, em 2007, 82% dos alunos não sabiam o recomendado para a série; em 2017, o número subiu para 83% – um aumento de 1 ponto percentual (pp).

Em comparação com o restante do país, Brasília teve um dos piores desempenhos. Na média geral, o percentual de estudantes do terceiro ano do Ensino Médio que não sabem o adequado em matemática subiu em 0,7 pp. Em 2007, apenas 9,8 dos brasileiros saíram do Ensino Médio com aprendizado adequado, enquanto que no último ano da pesquisa, a estimativa caiu para 9,1%. Os dados abrangem escolas públicas e privadas.

Coordenadora de projetos do Todos pela Educação, Thaiane Pereira considera o caso do DF grave, principalmente pelo fato de ser o estado com o maior PIB per capita do Brasil. “É um estado que, tendo tantos recursos, não poderia ter um cenário como esse”, diz. Por fim, ela compara a capital federal com outros estados de situações econômicas piores, mas que apresentaram melhores resultados na pesquisa. “É inadmissível. Tem que ligar o alerta do serviço público para que alguma medida seja tomada”, atenta.

Para Márcio Lopes, 47 anos, 23 como professor de matemática, o problema se intensifica na falta de perspectiva de alunos e pais. “Antigamente, os pais tinham mais compromisso com a escola e cobravam mais dos filhos. Hoje em dia, os alunos não têm interesse nenhum e os pais acabam jogando tudo para cima dos professores”, opina.

Porém, para o secretário de Educação do DF, Rafael Parente, os números não refletem a realidade local. Ele conta que existiu um “boicote” nas provas anteriores que mediram os índices de aprendizado, como o apresentado pelo Todos Pela Educação, por parte de professores e diretores das escolas do DF.

“A gente entende que houve um boicote em relação à Prova Brasil e ao Ideb, por razões ideológicas e político partidárias. Isso fez com que apenas 11 das nossas 93 escolas de Ensino Médio tiveram resultado do Ideb”, explica Parente. “A realidade do DF é muito melhor do que essa.”

Rafael Parente, Secretário de Educação do DF. Foto: Tácio Lorran

Rafael Parente, secretário de Educação do DF, reconhece que nível de aprendizado no DF pode melhorar – Foto: Tácio Lorran

 

A pasta realiza anualmente um relatório, através de uma prova diagnóstica, onde também é medido o nível de aprendizado. De acordo com o secretário, o número é quase o dobro melhor do que foi apresentado pelo Todos Pela Educação.

Ainda assim, Rafael Parente não se sente satisfeito com os números e reconhece que Brasília tem capacidade para melhorar. A Secretaria da Educação está apresentando o projeto Educa DF, que visa oferecer educação pública de excelência para todos.

Piora cada vez mais

O nível vai gradualmente piorando. Thaiane, do Todos pela Educação, diz com base nos estudos, que o brasileiro tem uma crise de aprendizado que vai se intensificando ao longo dos anos. “Existe uma grande defasagem dos alunos ao longo do caminho e isso vai se agravando nos níveis superiores”, explica a coordenadora.

Outra justificativa que Thaiane encontra para a queda de aprendizado no país é o antigo modelo de escola, que ela qualifica de “antiquado em vários aspectos”. “No Ensino Médio”, comenta a professora, “o aluno tem 13 disciplinas obrigatórias, pouca possibilidade de escolher o que quer estudar e a maioria das escolas exigem pouco do aprendizado juvenil nessa etapa”.

O professor de matemática Henrique Barros, 58 anos, concorda com a Thaiane. Há 25 na educação, ele explica que, muitas vezes, precisa rever matérias do fundamental com alunos do Ensino Médio. Os alunos “têm que ler alguns assuntos que faltam como pré-requisitos para que eles possam acompanhar”, exemplifica o professor.

Centro de Ensino Médio Setor Oeste, na Asa Sul. Foto: Priscila Ferreira

No Centro de Ensino Médio Setor Oeste, na Asa Sul, professores  também perceberam a piora no aprendizado do português –  Foto: Priscila Ferreira

A dificuldade avança e chega no Ensino Superior. Coordenadora do curso de Engenharia Civil pelo Centro Universitário IESB, Keyla Sahb concorda com o fato dos alunos estarem cada vez menos qualificados. “Os alunos não conseguem avançar além de cálculos simples e básicos”, relata. “Se observa, principalmente, que o aluno não entrou em contato com o conteúdo, ou seja, nem teve a chance de aprender”.

A professora conta que, durante a graduação, os professores precisam trabalhar o nivelamento dos alunos no nível mínimo de conteúdo necessário para desenvolver cálculos mais complexos. “Essa queda reflete na própria capacidade de crescimento do país uma vez que o que agrega valor e traz investimentos é a área tecnológica”, conclui a professora.

Português não escapa

Em português, a situação é semelhante e, no caso do DF, mais preocupante ainda. A pesquisa do Todos Pela Educação revela que a capital federal foi a única unidade federativa que retrocedeu no aprendizado da matéria no Ensino Médio, saindo de 43% que sabiam o adequado, em 2007, para 39% em 2017 (-4 pp).

Professor de português do Centro de Ensino Médio Setor Leste, Nilo Mendes, 53 anos – 30 como educador – relata que na sala de professores o assunto de que o aprendizado está piorando se repete constantemente. “A cada ano que passa, a gente percebe essa piora no sistema de educação brasileira”, diz. “Não existe mais aquela ideia de estudar, de conquistar e de aprender. O que existe é o imediatismo: nós vamos fazer a prova e o sistema vai empurrar”, completa.

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