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Entrevistas

Layane Ketlyn vive a vida como se cada dia fosse um milagre

A jovem de 21 anos que ficou paraplégica ao colocar piercing no nariz conta como lida tão bem com sua lesão e como inspira seguidores com sua força de vontade

Jovem no Hospital Sara do Lago Norte

Layane Ketlen no Hospital Sara do Lago Norte

Mais uma segunda-feira no Hospital Sara do Lago Norte. Às 9h da manhã, Layane Ketlen Ferreira do Nascimento se prepara para seu exercício semanal. Naquele dia ela tinha handeboll, e com o sorriso no rosto me recebeu com muito carinho.

A brasiliense é uma jovem de 21 anos, que ama dançar funk e pagode. “Vivo a vida como se todos os dias fossem um milagre”, diz Layane. A jovem contraiu uma bactéria logo após colocar um piercing no nariz no ano passado. A bactéria produziu muito pús em suas costas, o que gerou dores fortíssimas, levando-a a ficar de cadeira de rodas.

Layane se encontra paraplégica, realizando tratamento e precisa da ajuda de familiares para locomoção e atividades do dia a dia. O caso de Layane repercutiu no mundo inteiro, com reportagens em canais de grande visualização e em vários idiomas. Seu Instagram já conta com 45 mil seguidores. Pessoas do mundo inteiro são comovidas e inspiradas pela sua história. Atualmente, está com um canal no Youtube onde conta um pouco mais sobre sua vida. Momentos antes de entrar em quadra para jogar handball, Layane conversou com o Portal de Jornalismo Iesb.

Como está sendo seu processo de reabilitação?

É um dia de cada vez, é muito devagar. A cabeça tem que estar muito boa, isso faz bastante diferença. Tudo é um processo. Quando eu estava no hospital, os enfermeiros me falavam que eu estava me recuperando muito rápido. Eu não falaria que está sendo fácil, pois não seria a palavra correta, mas tudo tem sido um aprendizado, todo dia eu aprendo uma coisa, eu me conheço mais, todo dia eu descubro uma força em mim maior. É um processo gostoso por ter a minha família do meu lado. Toda a minha conquista não é só minha. As pessoas estão esperando, é um processo gostoso por mais difícil que seja.

Quais os maiores desafios que tem enfrentado desde que parou de andar?

O que mais me incomoda, e que é o mais difícil para mim, é ver as pessoas ao meu redor reclamando. Pior do que andar, ter as dificuldades de bexiga que eu tenho, ver as pessoas reclamando de coisas banais que elas podem resolver. Acredito que se você está passando por algo é porque você dá conta. Ver pessoas ao meu lado reclamando por coisas tão mínimas me incomoda, por que eu fui uma pessoa assim, que reclamava muito de bobeiras, e a gente só dá valor quando perde. Eu acho que eu até teria motivos para reclamar, mas eu sei que existem pessoas em situações piores que eu, e eu estou sem sentir as pernas, mas poderia ser pior. Eu poderia estar sem sentir meus braços também. E pessoas que não sentem os braços são muito felizes, pelo simples fato de estarem vivas. Hoje, minha vida é muito limitada, mas eu tento quebrar essas barreiras.

Pacientes praticam exercícios para melhorar coordenação motora e locomoção

Pacientes praticam exercícios para melhorar coordenação motora e locomoção

Quais suas atividades diárias e como está sua rotina?

Todas as minhas atividades são no Sara: minha fisioterapia, basquete, handball, pintura. Tudo isso eu faço às segundas e às quartas-feiras aqui.

O que mudou para você, e quais os tipos de ajuda de que necessita?

A vida é um sopro. No natal fiquei pensando no natal do ano anterior. Eu montei uma árvore de fotos e tudo, e dessa vez eu não pude montar. Como eu ia subir lá em cima? Isso traz sentimentos muito fortes, coisas que eu fazia antes, hoje tenho dificuldade para fazer. Na minha casa eu andava para cima e para baixo normalmente e agora ela precisa ser mais adaptada para mim. Ela ainda tem degrau para subir, tive que mudar de quarto por conta da dificuldade para passar, tiramos a porta da cozinha e do banheiro.

Como foi voltar no Hospital de Base?                

A sensação foi bem ruim, foi péssimo, foi como se eu estivesse tocando na tomada. Eu me arrepiei da cabeça aos pés, pensei: “cara, fiquei dois meses ali”. Olhava para a janela lá fora e pensava quando ia sair daquele quarto, todo dia era uma eternidade naquele hospital. E hoje meu corpo é outro, e estou extremamente feliz.

Como tem lidado com essa situação e o que a motiva seguir em frente?

Deus! Tudo passa, eu lembro quando ainda estava no hospital, e hoje eu já estou na minha casa. Tudo passa e é isso que eu quero passar para as pessoas, eu busco melhorar. Eu nunca me senti tão feliz na minha vida, nem quando eu andava, e é isso que eu quero mostrar, a minha força, a minha fé. Muitas pessoas me falam que queriam ter essa fé. Antes de entrar para a cirurgia, eu lembro que pedi a Deus que se fosse para eu ficar na cadeira de rodas e ficar blasfemando, reclamando que ele me levasse com ele. Aí apaguei, abri o olho e acordei. A cirurgia tinha sido um sucesso. Então, ali eu sabia que eu ia voltar a andar.

Conte-nos mais sobre seu canal no Youtube?

As pessoas começaram a pedir muito vídeos para o Youtube. Eu quero mostrar a rotina, sem passar a dificuldade. Por exemplo, tem várias vezes que eu não respondo as pessoas no Instagram ou no Whatsapp porque eu passo mal ou porque eu desmaio, e isso ainda acontece com muita frequência. E eu não passo isso para as pessoas, por que eu acredito que elas me seguem pela forma como eu lido bem com tudo isso. Eu vou gravar vídeos e vou mostrar como foi minha primeira vez saindo sozinha e coisas do tipo…

Jovem recebe sua primeira órtese feita com suas medidas

Layane recebe sua primeira órtese feita com suas medidas

Layane Ketlen em Hospital Sara

Layane Ketlen em Hospital Sara

Layane Ketlen recebendo órteses

Layane Ketlen jogando handball no Sara

Layane Ketlen jogando handball no Sara

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