Saúde

Musicoterapia: arte como ferramenta de transformação

Incontáveis benefícios unem a música e a medicina para uma maior qualidade de vida; as técnicas são usadas para tratar pacientes com autismo e Alzheimer

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De acordo com a definição do dicionário, musicoterapia é o conjunto de técnicas baseadas na música e empregadas no tratamento de problemas somáticos, psíquicos e psicossomáticos. Para quem trabalha com isso, o conceito vai mais além. Trata-se de um híbrido entre a arte e a saúde que, ao longo dos anos, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu técnicas e teorias próprias que se perpetuaram de maneira holística e íntegra ao conhecimento de muitas áreas profissionais.

Atualmente, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, uma em cada 110 pessoas está incluída no espectro autista. No Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, estima-se que a doença acometa cerca de 2 milhões de pessoas. Com o avanço da medicina, o homem foi capaz de explorar o cérebro humano e entender os ganhos da música do ponto de vista mental, físico e emocional, inclusive no tratamento de doenças como essa.

Isabella Campos da Paz, 51 anos, musicoterapeuta, cantora e presidente da Associação de Musicoterapia do DF, trabalha há 11 anos na profissão. Passaram pela Associação de Musicoterapia do DF, a qual ela preside hoje, cerca de 70 musicoterapeutas, vindos de diversos lugares do Brasil, dos quais 40 foram formados em Brasília. Isabella conta que durante a formação estudou patologias físicas e mentais, assim como psicoterapias, fisiologia humana, psicologia da música e outras áreas, sempre englobando inovadores conhecimentos advindos das novas tecnologias.

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Isabella utiliza de instrumentos diversos para realizar a terapia

Os profissionais, para atuarem, devem ser graduados ou pós-graduados em Musicoterapia, em Instituições autorizadas pelo MEC. “A música é uma ferramenta dentro de uma relação terapêutica sonora e não-verbal, que se estabelece entre cliente e musicoterapeuta, com objetivos de tratamento específicos para cada pessoa”, afirma Isabella.

A musicoterapia trata do ser humano em todas as idades, desde bebês no útero até idosos, com os mais diversos tipos de patologias e situações clínicas. “A maior vantagem da utilização da música é que ela é capaz de fazer as pessoas se expressarem de um modo diferente, entrando em contato direto com as emoções e dizendo coisas que não diriam de outra forma”, enfatiza a presidente da associação.

Quem experimenta esse tipo de terapia enumera os benefícios da prática. A servidora pública, Irene Jeker, 31 anos, mãe do paciente Rafael, 3, relata que seu filho apresentava sintomas de transtorno de desenvolvimento, também conhecido como autismo, no início da infância. A capacidade de comunicação de Rafael era reduzida e não se desenvolvia como a de crianças da mesma idade.

“A musicoterapia mudou a vida dele. Rafael estava se tornando muito agressivo por não conseguir se comunicar, e inserir a música na vida dele ajudou na escola, em casa e na nossa relação”, conta Irene. No colégio, Rafael melhorou sua convivência com colegas e professores e, hoje, consegue aproveitar mais seus estudos. A música foi quem ajudou Rafael a desenvolver a fala e não ter o menor sinal de dificuldade para se comunicar.

Marla Simonini, 43, empresária e psicóloga, encontrou no tratamento o elo com o pai, portador de Alzheimer. Antônio Teixeira, de 79 anos, era pesquisador da Embrapa. “Meu pai era inteligentíssimo e sempre gostou de música. Eu utilizei essa ferramenta até ele não reconhecer mais nada”, alega Marla. “Foi nossa chave de acesso a ele por anos”.

No caso do Alzheimer, a musicalidade é utilizada para diminuir a sensação de isolamento e fazer o paciente se conectar com músicas de seu passado, que deram e podem continuar dando sentido à sua vida. A filha do ex-pesquisador relembra que a melodia sempre teve poder sobre Antônio. “Somos seis filhos. Teve um aniversário dele que uma boa parte da família se reuniu e fez uma aula junto com ele, foi maravilhoso ver como aquilo nos unia”, reconhece ela.

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