Política

Fake news e política, uma relação indissociável

Notícias falsas se espalham três vezes mais rápido quando ligadas à política, de acordo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)

De acordo com estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, em inglês), as fake news se espalham 70% mais rápido do que notícias verdadeiras. E, quando ligadas à política, o alastramento é três vezes mais rápido. Por se tratar de um assunto que impacta radicalmente o dia a dia do cidadão, os jornalistas Rodrigo Serpa, Isadora Teixeira e Filipe Matoso realizaram, no Centro Universitário IESB, um debate sobre as dificuldades e a rotina da cobertura política em tempo de fake news. O encontro ocorreu no último dia 29, no campus da Asa Sul.

Apesar das notícias falsas não serem um fenômeno pós-redes sociais, a facilidade com a qual elas repercutem atualmente assusta. “As pessoas estão mudando a sua maneira de se informar”, afirma o editor de política e de economia do G1, Filipe Matoso. Hoje, com a liberdade de expressão oferecida pelas mídias digitais, qualquer um pode produzir e disseminar ideias pelos meios não convencionais. Segundo estudo da PSafe, empresa que desenvolve aplicativos de segurança, performance e privacidade, 95,7% das fake news compartilhadas no Brasil em 2017 foram feitas por meio do aplicativo WhatsApp.

“As fake news são uma grande infelicidade que a internet trouxe. A apuração sensata e correta é desvalorizada por elas, vindas de pessoas que só querem disseminar algo para diminuir aquilo no qual não se acredita. Fake news, para mim, nada mais é que o retrato de uma sociedade que coloca seus interesses inerentes à verdade”, relata a jornalista Jeane Magalhães, especialista em redes sociais.

Quando ligadas a cobertura política, inventar informações pode ser decisivo. Um exemplo claro é a eleição de 2018, na qual foram discutidas diversas notícias mentirosas sobre os  candidatos, como o livro “Aparelho Sexual e Cia” exibido pelo então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL) durante o Jornal Nacional, afirmando que a obra fazia parte do programa Escola Sem Homofobia, iniciado pelo MEC enquanto o então candidato do PT, Fernando Haddad, era ministro da Educação. Além disso, vídeos falsos em que a urna sugeria automaticamente o candidato do PT ao apertar a tecla “1″ repercutiram pelas redes sociais.

Filipe Matoso avalia a relevância de se repensar a profissão jornalística atualmente. “É um momento importante para gente discutir o papel do jornalismo, como a gente se insere numa sociedade que há uma disseminação muito grande de fake news em redes sociais, influenciando a forma do cidadão ver o cenário político e tomar decisão”.

"É um momento importante para gente discutir o papel do jornalismo”, afirma o jornalista Filipe Matoso durante debate

“É um momento importante para gente discutir o papel do jornalismo”, afirma o jornalista Filipe Matoso durante debate

Afinal, o que o jornalista pode fazer?

A responsabilidade do jornalista se tornou ainda maior atualmente, visto que é a profissão responsável por garantir a informação correta e precisa ao público. Isadora Teixeira, repórter do Metrópoles, acredita que o maior inimigo desse profissional é o tempo, e que todos estão passíveis de erros.

“Cada vez temos menos tempo para apurar, escrever e publicar”, conta. Por isso, a dica que utiliza em sua rotina é aproveitar todos os dados oficiais. Além disso, há de se pensar que cada palavra escrita pode afetar a vida de milhares de pessoas que estarão lendo aquela notícia. “Eu sempre me questiono ‘por que estou fazendo essa reportagem? Por que isso é importante?’ E por isso que eu faço o meu melhor, porque sei que pode afetar o seu João que vai ler aquilo”, finaliza.

Lei de acesso à informação

Regulamentada em maio de 2012, a Lei de Acesso à Informação possibilita a qualquer pessoa, física ou jurídica, sem necessidade de apresentar motivo, a solicitação de informações públicas dos órgãos e entidades. Esse é um instrumento muito utilizado pelo repórter da CBN, Rodrigo Serpa, que acredita ser essencial para a produção jornalística. “É muito importante para a cidadania e para a transparência”, afirma.

De acordo com o governo federal, a Lei vale para os três Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, inclusive aos Tribunais de Conta e ministérios.

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