Ciência e Tecnologia

Comunidade incentiva e apoia mulheres que querem programar

No Brasil, apenas 17% dos programadores são mulheres; comunidades são importantes para diminuir a desigualdade de gênero na área

A desigualdade de gênero ainda é muito grande no mercado de trabalho, e esses números são ainda mais desiguais quando se trata da área de tecnologia da informação (TI). Segundo dados divulgados pela ONU Mulheres, apenas 17% dos programadores do Brasil são mulheres. Por isso, é cada vez mais importante a criação de projetos que incentivem a entrada de mulheres no mundo da tecnologia.

Com esse intuito, nasceu o Pyladies. A comunidade foi criada há 7 anos, em Los Angeles, por 7 mulheres que programavam na linguagem Python, e se espalhou, tendo, atualmente, mais de 40 grupos no mundo. No DF, o Pyladies conta com mais de 140 participantes e atua desde 2018 com o intuito de reunir mulheres que gostam ou querem aprender programação. Essas iniciativas são importantes para instigar a entrada de mulheres na área da tecnologia.

Bruna Moreira, professora da Universidade de Brasília no Campus Gama, é participante da comunidade e ressalta que muitas vezes as mulheres já chegam inseguras nos cursos de software. “Quando a gente entra na graduação, tudo parece muito difícil, muito complicado. Eu tive alguns problemas com isso, parecia que todo mundo já sabia alguma coisa antes de entrar e eu estava totalmente crua”, conta.

Python é a linguagem de programação que uniu as Pyladies.

Python é a linguagem de programação que uniu as Pyladies

Por isso, o grupo das Pyladies no aplicativo Telegram também serve como um “apoio” para as participantes, tanto na resolução de dúvidas quanto no empoderamento para fortalecer a autoestima das mulheres que querem programar. “Às vezes elas ficam sem graça de perguntar para um monitor, que geralmente é homem, com medo do pessoal achar que ela é burra, esse tipo de coisa”. Por isso, a comunidade dá esse suporte.  “A gente tenta diminuir essa ideia que elas têm, falando que dúvida é para perguntar mesmo, senão a dúvida continua e vai te deixar insegura pra continuar no curso, vai fazer você pensar que você não é capaz”.

Letícia Souza é uma das 3 mulheres que trabalham no Information Technology Research and Application Center (ITRAC), unidade acadêmica da Universidade de Brasília (Campus Gama).

Letícia Souza é uma das mulheres que trabalham no Information Technology Research and Application Center (ITRAC), unidade acadêmica da Universidade de Brasília

Além da integração, a comunidade promove rodas de conversa e traz para as meninas a oportunidade de se reconhecer na área de tecnologia, enxergando mulheres importantes na área em quem podem se inspirar. Letícia Souza, 20, estudante da Universidade de Brasília, conta que a comunidade serviu de apoio em tempos difíceis. “Eu conheci as Pyladies em um momento que eu estava muito vulnerável, depois de ter passado por um assédio moral em um estágio. Elas foram super receptivas e isso foi muito importante, porque aqui eu nunca tive muitas amigas mulheres. Já estive em muitas turmas onde eu era a única mulher”, conta.

A evasão ainda é grande

O incentivo para entrar no mundo da tecnologia é essencial, mas também é necessário que as mulheres tenham suporte para continuar. Dados do Centro Nacional de Mulheres e Tecnologia da Informação apontam que 41% das mulheres que trabalham com tecnologia acabam deixando a área, em comparação com apenas 17% dos homens. “Como nós mulheres somos poucas no curso, a evasão fica ainda mais clara e mais evidente ao longo do tempo. Isso acaba desmotivando a gente um pouco”, relata Bruna.

Buscando incentivar e diminuir as fronteiras entre as mulheres e a programação, a comunidade Pyladies é uma das opções. Ela é aberta para todas as mulheres que desejam aprender a programar, independente da sua área de atuação. Para participar, basta entrar em contato pelo Instagram @pyladiesdf, onde as mulheres são acolhidas e integradas no grupo.

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