Ciência e Tecnologia

Implante Coclear é esperança de audição para surdos

Tecnologia é pouco difundida no Brasil, principalmente pelos seus altos custos

Uma boa alternativa para pessoas surdas, mas pouco difundida no Brasil, é o implante coclear. Um dos motivos que deixa o procedimento pouco acessível é o preço, que varia de R$ 80 mil a 100 mil reais. A operação é oferecida pela rede pública, mas para poucos pacientes. Os planos de saúde também têm de oferecer o equipamento conforme a legislação do setor.

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O médico otorrino André Neri faz o implante em pacientes de um hospital particular de Taguatinga e explica que o aparelho é ideal para bebes que nascem surdos e crianças de até 5 anos de idade, mas em alguns casos também pode ser implantado em adultos. “São aqueles que já desenvolveram a fala e por algum motivo perderam a audição, esses que não serão beneficiados pelo aparelho comum, eles podem ser candidatos ao implante coclear”, confirma.

A cirurgia e realizada atrás da orelha, com um corte pelo qual são implantados feixes de eletrodo dentro do órgão auditivo, a cóclea. Esses feixes auditivos vão transmitir o som que é capitado por um aparelho que vai fica em cima da orelha do paciente, uma espécie de amplificador que transmite a informação sonora para a cóclea. André afirma que a adaptação ao implante é difícil. ‘‘Precisa de uma equipe com vários profissionais’’. A criança vai passar por essa equipe aproximadamente por 3 anos até conseguir uma fala boa e acompanhar a comunidade ouvinte na escola, nas atividades. Os resultados não são imediatos para identificar se a criança é candidata ao implante coclear e é necessário fazer o teste da orelhinha no berçário e, depois, outros exames são feitos no consultório.

Começar a ouvir

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A estudante Maria Eduarda de Oliveira, 17 anos , não nasceu surda, mas aos nove meses contraiu uma bactéria que lhe tirou a audição. A família foi atrás de tratamento e, aos 3 anos, ela fez o implante. ‘‘Tive um resultado muito bom, minha mãe falou que quando ligou o implante foi muito emocionante, ela chorou. Pra mim foi muito importante, porque estou ouvindo e entendendo e comunicando com todo mundo. Eu falo no telefone, watsapp, mexo computador desde pequena’’, comemora. Com acompanhamento de uma fonoaudióloga, Maria Eduarda desenvolveu a fala e está no segundo ano do ensino médio, sendo destaque na escola.

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Já o personal trainer Eduardo Chaves Fávaro, 37, ficou surdo com 1 ano e 8 meses e fez o implante em outubro de 2017. O processo de adaptação é longo e Eduardo ainda faz acompanhamento com fonoaudiólogo duas vezes por semana. “Até a minha fala melhorar cada vezes meu cérebro está sendo alfabetizado, os sons estão cada veze melhor”, explica.

Para Eduardo, é incrível poder escutar: “é como se fosse tudo novo para mim, cada som é uma nova descoberta da minha vida,a melhor coisa é escutar as gargalhadas das minhas filhas, passarinhos cantando e música são as melhores coisas que já me aconteceu”.

O implante divide opiniões na comunidade surda, pois alguns surdos acreditam que o aparelho faz perder a identidade. Para Eduardo, a cirurgia trouxe mudanças positivas em sua vida. Ele convive com surdos não implantados e acredita que faz parte da diversidade surda.

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Tecnologia pode falhar

Iramar Rodrigues Cordeiro, 64 anos, é servidora pública aposentada. Ela é mãe de um casal de gêmeos surdos, Irana e Welington, que foram submetidos à cirurgia aos 13 anos de idade, em 2003.

A adaptação dos filhos ao implante foi excelente, mas depois de mais de 10 anos os aparelhos começaram a dar problema. A tecnologia dos equipamentos ficou obsoleta e ainda houve um defeito nos processadores. A empresa que fornece os aparelhos foi acionada e constatou que os implante precisam ser substituído.

Agora, Iramar tenta conseguir o conserto dos aparelhos por meio do plano de saúde. “Já abrir e reabrir várias vezes dos processos junto aos programas de Saúde dos convênios. Agora, aguardo resposta de um convenio no qual dei entrada nos documentos”, desabafa. Ela completa: “Fiquei muito triste quando eles pararam de usar o implante. Mas com esperança de novamente usarem, pois é usa tecnologia muito eficiente nos ganhos de audição”.

O Hospital Universitário de Brasília é pioneiro em implante coclear pelo SUS. Para saber se o surdo pode ser candidato ao procedimento é preciso procurar o Serviço de Saúde Auditiva do HUB, que fica no 1° andar do Ambulatório 2. O hospital está localizado na quadra 605 Norte, no Plano Piloto.

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