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Tudo que sai da lata de spray é arte?

São Paulo se tornou uma das cidades-referência para a arte de rua brasileira; debate sobre o que de fato é arte foi intensificado na vida do paulistano

Alex Vallauri foi o gravurista que introduziu a cidade de São Paulo ao grafite. Sua obra “A bota preta”, de 1980, feita com tinta spray e moldes de papelão, é uma referência neste seguimento. Essa manifestação artística cresceu tanto que hoje em dia existe um “Museu Aberto de Arte Urbana” na cidade.

A arquiteta Márcia Varalla afirma que a arte de rua paulistana exerce o papel de criar no ambiente caótico de São Paulo, um local de paz.  “A arte me influencia de forma direta, desde um suspiro em meio ao caos até uma paisagem reflexiva no ritmo frenético dessa megalópole. Desta mesma forma, podemos ver pontos em comum entre a arquitetura, que também pensa os seus espaços para despertar sensações em quem usufrui da cidade.”

Segundo o roteirista Carlos Silva, que tem como artistas de rua preferidos Eduardo Kobra, Derlon Almeida e Os Gêmeos, “a arte precisa estar integrada ao urbanismo da cidade principalmente em uma cidade como São Paulo, que tem como esse tipo de arte como uma característica forte.”

Eduardo Kobra, grafiteiro brasileiro que já deu vida a diversos personagens icônicos como Anne Frank, Nelson Mandela, Michel Jackson. Deixa na Av. Paulista, sua marca: um mural do Oscar Niemeyer

Eduardo Kobra, grafiteiro brasileiro que já deu vida a diversos personagens icônicos como Anne Frank, Nelson Mandela, Michel Jackson, deixou na Avenida Paulista a sua marca: um mural do Oscar Niemeyer

Limpando a tinta

O então prefeito João Dória, em janeiro de 2017, apagou grande parte do chamado “maior museu de grafite a céu aberto da América Latina”. O morador da cidade de São Paulo Eduardo Pereira alerta para a diferença entre a arte e a depredação. “Acho que é preciso separar o que é vandalismo e o que é manifestação artística. A partir do momento que temos gritos de guerra de gangues e facções escritos pela cidade deixamos de trazer beleza para dar lugar à violência estética. Nem tudo que sai de uma lata de spray é arte, às vezes é só tinta”, justifica.

O artista Rafael Sanches afirma que apesar do ato de limpeza dos grafites a arte de rua de São Paulo sobrevive e continua sendo o centro artístico mais importante do Brasil. “Mesmo assim acredito que São Paulo é esse centro criativo para a arte. Com certeza, todos os melhores artistas, na minha visão estão em São Paulo, e os que não estão acabam vindo para cá. Assim como Nova York, São Paulo é esse miolo do centro artístico.”

O olhar de quem produz

Sanches, 26 anos, começou a grafitar no estado de São Paulo aos 14 anos, recentemente, teve sua arte exposta fora do país. Ele expôs em locais de grande referência para o grafite, como o Wynwood Art District, nos Estados Unidos, além de cidades na Europa. Ele afirma que São Paulo é uma das cidades mais abertas a essas manifestações artísticas e  relata que a cidade libera e manifesta todas essas produções e criações.

Rafael indica para quem quer conhecer mais sobre os grafites da cidade o Beco do Batman, onde estão expostos trabalhos dos melhores artistas. Mas alerta sobre um novo movimento de arte contemporânea que está surgindo em outros locais:  LabOf uma galeria na Villa Olímpia, está se movimentando e revitalizando uma rua inteira com grafite e arte.

Além disso, ressalta a importância de ir em museus e exposições. “Precisamos entender cada vez mais o lado das galerias, porque elas estão trazendo a arte de rua para dentro delas. Isso para mim é o mais importante: entendermos que a arte de rua também é arte de galeria e que podemos aproveitar isso”, conclui o artista.

 

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