Entrevistas

Independente, sim senhor!

Aos 30 anos, Rebeca Oliveira faz parte da estatística de mães que se desdobram em várias mulheres no dia a dia e têm orgulho da história traçada

Por Sonia Vilas Boas a Thamara Maria Abrahão

Nos últimos anos, com a crescente onda do empoderamento feminino, é comum ver cada vez mais mulheres com independência financeira, que tocam as próprias carreiras e ainda conseguem, em meio ao turbilhão do dia a dia, cuidar de casa, filhos e de si. É o caso de Rebeca Oliveira, jornalista e pós-graduada em Jornalismo Digital e Produção Multimídia, que, com 30 anos, já é editora do portal GPS|Lifetime desde outubro de 2017.

Quando criança, Rebeca nunca pensou no jornalismo como profissão, ainda que fosse criativa, comunicativa e sempre tenha levado jeito para redigir. “A escrita e a comunicação sempre foram muito fortes na minha vida, mas nunca fui daquelas crianças que se imaginam âncoras de jornal. Tanto que eu nunca trabalhei em TV, a minha história sempre foi com o texto”, explica. Antes de decidir pelo jornalismo, chegou a pensar em artes plásticas, sociologia e arquitetura. Só depois pensou que poderia transformar a paixão pelas letras em profissão.

Após passar para a faculdade de jornalismo, Rebeca, que é a segunda dos quatro filhos da família, chegou a trabalhar em algumas lojas para pagar o curso. Apenas no segundo semestre conseguiu um estágio em uma revista de política chamada Brasília em Dia, na qual, em pouco tempo, foi contratada. “Era uma redação pequena, que tinha o fundador da revista e eu. Como eu já escrevia e coincidiu de ser na época em que caiu a exigência do diploma em jornalismo, tirei meu registro e me tornei jornalista responsável”, lembra.

Antes de assumir a redação do GPS, Rebeca passou cinco anos no Correio Braziliense

Antes de assumir a redação do GPS, Rebeca passou cinco anos no Correio Braziliense

Assim, no primeiro ano de curso Rebeca já comandava o veículo. “O fundador escrevia apenas a coluna dele. Eu fazia todo resto em uma revista semanal de 40 páginas”, conta. Lá ficou até o fim da faculdade, quando foi chamada para trabalhar na editoria de cultura do Correio Braziliense. “Ainda não tinha nem colado grau, mas fui. Fiquei lá de 2012 a 2017 e tive a oportunidade de aprender com profissionais com mais de 40 anos de carreira. Foi uma escola muito boa”, conta a jornalista.

Paralelo ao trabalho no Correio, começou a pós-graduação em Jornalismo Digital e Produção Multimídia. “O jornalismo online não era a prioridade da empresa, mas eu sentia necessidade de me aprofundar, pois é para isso que o Jornalismo se encaminha”, argumenta. Antes mesmo de concluir a especialização, foi chamada para assumir o site GPS|Lifetime – à época, GPS|Brasília – “A pós-graduação durou mais ou menos dois anos e quando eu estava terminando eu recebi o convite para assumir o site do GPS, que vi como uma proposta interessante porque casava com a bagagem que eu precisava ter de forma mais intensa”, diz.

Com uma rotina dividida entre o comando do portal, a responsabilidade de se bancar desde os 18 e ter um filho de quatro anos, Rebeca vive diariamente o feminismo que defende ferrenhamente como um movimento maior do que só palavras. “É muito complicado eu falar da questão do empoderamento feminino, porque me considero uma pessoa privilegiada. Uma mulher branca, família de classe média, heterossexual, tenho um filho, então sou padrão família brasileira, mas acho que a grande dificuldade está nos nichos. Uma mulher negra, uma mulher homossexual, uma mulher pobre. O feminismo para elas é uma questão de sobrevivência, então eu acho que é muito fácil eu usar hashtags de empoderamento, sendo que pra mim é uma questão intrínseca”, aponta.

A jornalista diz também que sempre defendeu o feminismo como um movimento para além de um discurso. “É muito complicado! Vivo cercada de mulheres, a maior parte das pessoas que trabalham comigo são do sexo feminino, e eu vejo diariamente questões mínimas de segurança, de chegar e sair do trabalho em segurança, preocupações que os homens não têm e a gente tem”, lamenta.

 

ELAS POR ELAS

 Apesar das diversas histórias de sucesso e empoderamento, as mulheres nem sempre aparecem na mídia de forma humana e em destaque. Segundo dados do site Metrópoles, em 12 cidades do país, mulheres morrem mais por agressão que por câncer. Assustada com essas estatísticas, Lílian Tahan, jornalista e diretora de Redação do portal, deu início ao projeto Elas por Elas, que tem como objetivo “alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país”, comenta em seu artigo.

Durante todo o ano, histórias de mulheres vítimas do feminicídio serão contadas por profissionais também do sexo feminino, como fotógrafas, jornalistas e grafiteiras, dando a visibilidade e profundidade que essas vidas perdidas merecem.

 Endereço: www.metropoles.com

 

 

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