Saúde

Movimento antivacina cresce e preocupa profissionais da saúde

Baixa cobertura vacinal traz de volta doenças já erradicadas no Brasil. Informativo de imunizações de 2018 mostra que apenas uma região do DF alcançou a meta de cobertura

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O movimento antivacina surgiu após a publicação de um estudo do médico britânico Andrew Wakefield, de 1998, que apontava uma possível relação entre a vacina tríplice viral e o autismo. Em 2004, a revista científica em que foi publicado o artigo, The Lancet, se retratou publicamente, demonstrando que a teoria de Wakefield não tinha fundamentos e que dados do estudo haviam sido alterados pelo médico. Mas isso não impediu que o medo da vacinação se espalhasse pelo mundo.

21 anos depois, grupos no Facebook alardeiam efeitos colaterais desastrosos das vacinas e instigam o medo, fazendo revelações sobre uma suposta composição do medicamento, que incluiria até mesmo tecido de fetos abortados.

O aumento nos casos de sarampo no mundo preocupa a OMS

O aumento nos casos de sarampo no mundo preocupa a OMS

Em janeiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o movimento antivacina na lista dos dez maiores desafios de saúde para 2019. De acordo com a organização, a queda no número de imunizações produz resultados graves, como o aumento de 30% nos casos de sarampo no mundo, inclusive em países onde a doença já estava erradicada.

A meta de cobertura esperada da maioria das campanhas de vacinação é de 95%. No entanto, o boletim informativo de imunizações de 2018 mostra que, no DF, apenas Brazlândia e Ceilândia conseguiram atingir esse objetivo.

De acordo com Renata Brandão, gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, o profissional de saúde se depara com dúvidas e questionamentos sobre as vacinas no dia a dia. Por isso, é importante que eles conversem com os pais, falando da segurança e da importância das vacinas. Além disso, é necessário que as famílias sejam alertadas sobre as doenças que podem ser prevenidas através da imunização. Segundo Brandão, “as vacinas são seguras. O problema é a pessoa adoecer por uma enfermidade que poderia ter sido evitada”.

"A escolha de vacinar ou não os filhos depende do bom senso dos pais", diz o homeopata Alexander Saliba

“A escolha de vacinar ou não os filhos depende do bom senso dos pais”, diz o homeopata Alexander Saliba

Por outro lado, a homeopatia questiona a utilidade e eficácia das vacinas, e também a quantidade indicada às crianças. Alexander Saliba, pediatra e especialista em homeopatia, afirma que as vacinações podem apresentar efeitos comportamentais ou físicos. No entanto, o médico não aconselha que os pais deixem de imunizar seus filhos, já que doenças preveníveis, como a poliomielite, podem causar efeitos irreversíveis muito mais perigosos: “prefiro um vacinado com problemas que eu possa tratar, do que um não vacinado morto”.

Para a infectologista Valéria Paes, o programa de imunizações é vítima do próprio sucesso. Vacinou-se muito nos últimos anos, algumas doenças foram consideradas erradicadas. Isso fez com que as pessoas tivessem uma sensação de segurança, pensando que os filhos não correm mais risco. As fake news são outro problema, já que atualmente qualquer informação se espalha com rapidez, sem que se faça qualquer tipo de checagem da veracidade. A dica da médica é tirar as dúvidas com o pediatra ou profissional da sala de vacina.

A infectologista Valéria Paes afirma que a melhor atitude dos pais é tirar as dúvidas com o profissional de saúde

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