Cidadania

Travessia de ciclista não é faixa de pedestre

Detran-DF alerta que cruzamentos têm sido utilizados de forma equivocada pelos pedestres, causando confusão no trânsito

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Basta um simples passeio pela cidade e lá está ela, a ciclovia. De acordo com o Governo do Distrito Federal, Brasília detém a maior malha cicloviária do Brasil. A extensão está estimada em 420 km, considerando os trechos já concluídos e os que ainda estão em construção. Ciclistas e veículos estão cada vez mais próximos no trânsito, mas as chamadas travessias cicloviárias têm causado confusão. Reclamações sobre a sinalização são recorrentes.

“Eu achei que era uma faixa. Até fiz sinal com a mão. Como o carro parou, eu atravessei”, conta, surpreendido, Alan Gonçalo, 19 anos, após utilizar uma travessia cicloviária como faixa de pedestre. Depois de ser informado sobre a finalidade daquela travessia, confessou: “Eu não sabia que existia uma travessia só para ciclistas”.

O porta-voz do Detran-DF, Glauber Peixoto, esclarece que a travessia cicloviária é uma passagem exclusiva para os ciclistas. “É importante educar os pedestres para que façam a travessia nos locais destinados a eles: faixa de pedestre ou passarela”, reforça. De acordo com a Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF, a cidade possui mais de cinco mil faixas de pedestres sem semáforo.

22 anos da faixa

Brasília ainda carrega o título de primeira cidade brasileira a respeitar a faixa de pedestre. No último 1° de abril, a capital federal comemorou os 22 anos de sua existência. De acordo com o Detran-DF, de 1997 para cá, a faixa de pedestre tornou-se responsável por uma redução de 60,5% no número de mortes por atropelamento.

“Com a faixa de pedestre, o Detran fez uma super campanha. Você via propaganda na TV, tinha teatro nas escolas, panfleto nas ruas. Mas com as ciclovias está bem ruim, a gente não sabe de nada”, reclama Vanessa Peixoto, 26 anos, que usa a bicicleta para ir trabalhar e percebe a falta de atenção dos motoristas.

Sinalização confusa

Em alguns locais, no entanto, a sinalização confunde pedestres e condutores. Há travessias cicloviárias com placa de faixa de pedestre, por exemplo. Ao ser questionado sobre uma sinalização confusa no Sudoeste, o Detran-DF assumiu que a placa estava errada. O Departamento de Engenharia informou que o órgão não faz projeto de ciclovias e, sim, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do DF, acrescentando que vai pedir a retirada da placa.

Travessia cicloviária com placa de faixa de pedestre: Detran-DF assume sinalização errada e promete retirada

Travessia cicloviária com placa de faixa de pedestre: Detran-DF assume sinalização errada e promete retirada

Viça Saraiva, 41 anos, pratica triatlo e reforça a insegurança no trânsito. “Nós, que somos atletas profissionais, dividimos as ruas com os carros, pois pedalamos a 50 km por hora. Se andássemos nas ciclovias, a incidência de acidentes seria muito grande”, explica. “O maior problema que eu vejo é a falta de informação. Até hoje eu não vi uma campanha do Detran falando dessa travessia cicloviária. Eu, também enquanto motorista, preciso saber como agir ao ver uma pessoa de bicicleta nessa travessia”, alerta Viça.

Mais carros no trânsito

De acordo com o Detran-DF, o número de veículos quase quadruplicou nas ruas do DF. Já são mais de 1,7 milhões de carros. Para Bruno Leite, coordenador-geral da ONG Rodas da Paz, o projeto das ciclovias no DF é resultado de uma “grande sucessão de erros”. Ele explica que as ciclovias não são integradas e que há muitos cruzamentos. “É um projeto mal feito, que deveria estar incorporado ao fluxo de carros. Essa quantidade de travessias cicloviárias não deveria existir, são muitas”, critica.

Quem deve parar, ciclista ou motorista?

Ao avistar uma travessia cicloviária, é preciso ficar atento às placas. “Na maioria dos cruzamentos no DF, o ciclista precisa aguardar. Mas isso depende da sinalização”, explica o porta-voz do Detran-DF, Glauber Peixoto.

Segundo Bruno, a ONG Rodas da Paz entende que, se os carros sempre tiverem que parar para o ciclista em todas as travessias cicloviárias que existem na cidade, “o trânsito vai parar”. Ele acrescenta: “normalmente, existe uma placa de ‘pare’ voltada para o ciclista, mas falta sinalização para o motorista, informando que, naquela pista, existe uma travessia cicloviária”.

Excesso de placas e falta de campanhas educativas confundem a população sobre as diferenças entre as duas travessias

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Bruno argumenta que o condutor do veículo também precisa estar atento e reduzir a velocidade. Ele lembra que, mesmo se a obrigação de parar for do motorista, o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) defende que os maiores têm responsabilidade sobre os menores. “Isso quer dizer que bicicletas merecem atenção no trânsito”, defende.

De acordo com o CBT, cada estado pode ter uma regra diferente sobre a preferência nas ciclovias. “No DF, essa decisão é política. Mais uma vez, é dada preferência aos carros, na contramão do movimento mundial, que favorece os transportes alternativos. Em Brasília, você só escuta falar de construção de viadutos e alargamento de vias. Construção de calçadas e ciclovias descentes não são prioridades”, finaliza Bruno.

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