Entrevistas

Os caminhos para um novo ensino da geografia

Pensando em ampliar a proximidade com os alunos, o professor Leonardo Cunha muda a forma de ensino da disciplina

 

Leonardo Ferreira Farias da Cunha, 35 anos, é professor de geografia da rede pública do DF, mestre e doutorando pela Universidade de Brasília. Com o objetivo de pensar em um novo ensino de geografia, ele é um dos autores do livro: Ensinar e Aprender Geografia por meio do Projeto Nós Propomos.

O projeto foi criado em Portugal com um trabalho chamado “Cidadania Territorial”, que tem por objetivo provocar a participação cidadã de quem mora no local e quer solucionar problemas.

No DF, a ideia é convidar os alunos a partir das aulas de Geografia para ter um novo olhar para a cidade. Isto pode permitir ver pontos positivos e negativos das comunidades onde moram. O trabalho está em  cinco escolas em quatro Regiões Administrativas: Ceilândia, Paranoá,  Taguatinga e Santa Maria. No livro, cada professor escreve um capítulo falando de suas experiências. O mesmo foi feito para professores, para compartilhar as experiências.

Como o objetivo de entender a natureza da Crise Hídrica, o capítulo de Leonardo é chamado Nós Propomos Taguatinga-DF: pensando na crise hídrica no Distrito Federal. O texto trata de um problema que os estudantes e todo o DF enfrenta desde 2017: a falta de água.

O livro foi publicado pela Editora Educação e tem autoria de Hugo Carvalho, Denise Mota, Rodrigo Suess, Leonardo Cunha e Vânia Souza. O valor é de  R$ 25, mas é doado em muitos eventos dos quais os professores participam. Quando há a venda, a arrecadação vai justamente para financiar a organização desses eventos.

O professor realizou a primeira experiência coletiva de escrever um livro

O professor realizou a primeira experiência coletiva de escrever um livro

 

Como nasceu o projeto no Distrito Federal?

O projeto cresceu de tal maneira, que ficou pequeno para Portugal. O professor Sérgio Claudino da Universidade de Lisboa viajou alguns países incluindo o Brasil e fez contatos com universidades e uma delas foi a UnB, onde todos os autores do livro são pós-graduandos, mestrandos e doutorandos no curso de geografia, e todos são professores da Secretaria de Educação. Então, nossa orientadora (de doutorado) fez o contato com o professor de Portugal e nós convidou a iniciar o projeto aqui no DF, então cinco escolas colocaram o projeto em prática.

O que despertou o interesse por participar dessa iniciativa?

Sou professor e pós-graduando em geografia, então, existe uma preocupação de fazer com que o ensino da geografia seja cada vez mais interessante e vinculado com a realidade. Então, minha motivação veio da vontade de fazer com que o ensino ganhasse um espaço além da escola.

Como são feitas as atividades e propostas com os alunos?

O projeto é tão simples que ele está certo. Ele propõe os alunos a pensarem sua própria realidade, pedir para que eles identifiquem problemas, estudem esses problemas e depois façam propostas. Na fase inicial, dividi os alunos em grupo e cada grupo fica com uma parte, por exemplo: grupo 1 fica com a hipótese da causa política. Na segunda fase, esses mesmos grupos entraram em contato com profissionais que não são professores, mas sim técnicos, e então perguntaram e tiraram dúvidas para que pudessem fazer sugestões para o problema.

Como surgiu o tema para o seu capítulo do livro?

O DF estava passando por uma crise hídrica bastante severa em 2017, e o tema era quase que inescapável. Assim, foi sugerido e os alunos acataram. Nesse caso da crise hídrica foi um problema muito comum a todo mundo, afetando inclusive a rotina porque tinha o racionamento, onde uma vez por semana em algum lugar do DF não tinha água. Então, eu sugeri a temática, e a partir da crise hídrica montamos nossos objetivos.  Além do professor e do que a geografia pode colaborar na compreensão do problema, a gente levou à escola os professores da UnB, o pessoal da Caesb, e até mesmo agentes políticos que pudessem nos fazer entender na parte política, até porque nossa crise nem foi uma crise só de falta de chuva porque também tinha ligação a obras atrasadas.

Como surgiu a ideia em registar as suas experiências em um livro?

O projeto acontece em vários lugares e já tinha um livro feito por pessoas de Tocantins, mas ele não tinha uma característica de apresentar metodologicamente como fazer o projeto. Já o livro que eu participei era de fato mostrar como que projeto foi realizado em escolas de Ensino Fundamental e Ensino Médio e então tivemos a preocupação de mostrar quais conceitos foram trabalhados, e quais são os pressupostos que vamos considerar para pode falar de geografia através desse projeto de identificação de problemas.

Os demais autores abordam temas sociais para pensar no ensino da Geografia

Os demais autores do livro abordam temas sociais para pensar no ensino da Geografia

 

 

 

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