Cultura

A capital federal com tempero nordestino

Carne de sol, baião de dois, sarapatel, buchada, vatapá; Brasília tem uma forte tradição gastronômica nordestina

Não é novidade que o Nordeste é uma das regiões brasileiras com maior diversidade, seja por sua cultura ou pela gastronomia presente. Falando em gastronomia, quem é que não gosta dos sabores marcantes da boa comida nordestina? Com influências das culinárias portuguesa, indígena e africana, é possível perceber uma mistura de sabores que se destacam pelos temperos fortes e apimentados. Por isso, o visitante que está em Brasília e adora uma boa comida, como carne seca, moqueca de peixe, buchada, sarapatel, rabada e acarajé pode ter certeza que, mesmo aqui, pode encontrar diversidade de pratos.

Na Bahia e em Pernambuco, os pratos africanos são comuns, por causa da escravidão dos negros. O professor de História Igor Rabelo, 35 anos, explica: “As escravas africanas produziam as comidas típicas e pratos sagrados com alto significado religioso. Exemplo disso, existem o abará e o acarajé”. Outros pratos populares são o caruru e o vatapá. Os pratos oriundos de Portugal foram mantidos e perpetuados pela dona de casa portuguesa. Um exemplo é a galinha ao molho pardo, feito com o sangue da ave, que deu origem a famosa galinha de cabidela. Outros pratos lusitanos são o sarapatel e a buchada.

O Distrito Federal reúne as mais diversas culinárias gastronômicas do Nordeste. São desde restaurantes requintados a bancas em feiras espalhados pelo DF e entorno. As feiras do Distrito Federal integram um circuito turístico para quem quer ir além do tradicional roteiro arquitetônico.

Evânia Bezerra, mais conhecida como Galega, ocupa o mesmo ponto na Feira da Ceilândia há 20 anos. O trabalho começa às 8h de quarta-feira e só acaba às 18h do domingo. O público é fiel. César Antônio Filho, carpinteiro de 48 anos é um deles: “Como aqui todos os dias”. Galega é o tipo de cozinheira que dispensa invenções. “Uso colorau, pimenta-do-reino e alho no tempero de todas as carnes. O ideal é que o sabor delas predomine, não do tempero”, comenta.

Diversidade de comidas típicas no bar da galega

Diversidade de comidas típicas  nordestinas pode ser encontrada nas feiras populares

População nordestina

Dos 1,326 milhão de migrantes residentes no Distrito Federal e que representam 51,8% da população, mais da metade são de origem nordestina. Segundo uma pesquisa da Companhia de Planejamento (Codeplan) feita em 2014, com base na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios do Distrito Federal (PDAD), um total de 677 mil moradores do DF deixaram suas terras nos nove estados do Nordeste.

Noilda Badu, 68 anos, natural de Piancó na Paraíba, mantém um bar na expansão do Setor O, há mais ou menos 38 anos, um lugar aconchegante e acolhedor. Junto com seu esposo, ela prepara um dos pratos mais nordestinos da região: carne de sol, cabrito, buchada que vem direto da Paraíba e uma galinha caipira, que como ela mesma diz, é “de lamber os beiços”.

Há também restaurantes famosos, especialistas em comidas nordestinas. Casas que têm a melhor carne de sol da cidade, outras em que os temperos ajudam a ter o melhor sarapatel, sem falar na rabada. Os baianos não precisam ir muito longe para sentir o gostinho do acarajé. Mas se a vontade é encontrar um grande número de nordestinos e comida com preço em conta, não há lugar melhor do que as feiras da Ceilândia e a do Guará.

Rabada com agrião, farofa e feijão tropeiro

Rabada com agrião, farofa e feijão tropeiro

No caso das feiras, os visitantes podem provar a culinária nordestina já a partir das 8h da manhã. Um convite para se sentar em um balcão para experimentar pratos a partir de R$ 5. Buchada, rabada e sarapatel são obrigatórios em todos os boxes. Além disso, eles oferecem carne de carneiro, linguiça e costelinha assadas.

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