Cidades

Sinal verde para motoristas surdos

Habilitação é permitida no trânsito brasileiro para pessoas surdas

Tags:
Karen Elysee

Você sabia que pessoas com deficiência auditiva podem dirigir pelas ruas brasileiras? A legislação de trânsito do país permite a habilitação para surdos sem grandes restrições e oportuniza mobilidade veicular a milhares de pessoas com essa condição de nascença ou adquirida. O desafio, entretanto, está no dia a dia de caos das vias engarrafadas e no mau humor cada vez maior dos motoristas, e se comunicar na blitz também requer atenção para surdos e treinamento para policiais.

A intérprete de Libras Cátia Ferreira, 43 anos, trabalha em uma autoescola na Asa Sul e, para ela, é um privilégio ver uma pessoa surda tirar a tão sonhada carteira de motorista (CNH). Os alunos contam com tradução nas aulas teóricas, e nas aulas práticas, ela sinaliza em Libras mostrando os pedais, ensina sentir o motor do carro para poder fazer o controle de embreagem e, em alguns casos, é necessário parar o carro e conversar para tirar as dúvidas. Cátia tem ajudado muitos surdos a quebrar essa barreira e deixa uma mensagem aos que ainda sonham com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH): “O medo nunca irá perder, mas tem como controlar. Muitos irão dizer que você não consegue, mas com paciência e perseverança você irá conseguir’’.

O estudante de Arquitetura Welington Edmundo, 28 anos, tirou a CNH com a ajuda de um professor surdo. No começo, ele teve medo do trânsito, mas foi se acostumando.  Dirigir para Welington é ter liberdade e conforto para ir a qualquer lugar sem depender de alguém, além de que o fazer se sentir  mais responsável. Wellington explica que os surdos podem sim dirigir “pois são muito visuais o que ajuda perceber o que acontece em sua volta mesmo sem ouvir, além de serem atencioso, mas é preciso cuidado e responsabilidade”. Ele admite, porém, que alguns surdos não conseguem vencer o medo e às vezes a família não deixa e não acredita que surdos podem guiar um carro, por falta de conhecimento.

Wellington já passou por uma batida enquanto dirigia e relata:  “eu estava fazendo retorno e um homem bateu na traseira do meu carro. O homem pediu desculpa porque errou”. Wellington explicou que era  surdo e logo o homem entendeu. Eles trocaram telefones e tudo foi resolvido depois.

4

Já Leônidas Mendonça, 30 anos, também surdo e habilitado, admite as dificuldades e o medo no começo, mas diz que conseguiu superar os obstáculos e hoje tem a carteira de motorista. Leônidas explica que umas das dificuldades que ele tem ao dirigir é o estresse de outros motoristas, especialmente em engarrafamentos. Ele já foi parado em uma blitz e relata: “Eles chamaram, pediram para parar, eu falei sou surdo, eles explicaram ‘só precisa de documento CNH e documento IPVA’. A policia perguntou ‘você bebeu?’ ‘Não’,  precisa provar no bafômetro, e liberam carro”. Ele não teve dificuldade de comunicação com policiais:  “é muito simples perceber sinais, expressão como a próprio sinal de beber, documento e bafômetro”.

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Economia
Movimento Empresa Júnior: empreendedorismo começa cedo
Cultura
IMG_2603 Arte fora do eixo
Comportamento
CAPA Jovens desigrejados
Ciência e Tecnologia
IMG_8921-min Muito além de heavy metal
Comportamento
body-positivity-800x475 ESPECIAL: Movimento #BodyPositive nas redes incentiva o amor próprio
Cidadania
Projetos sociais ajudam na inclusão de imigrantes e refugiados ESPECIAL: Longe de casa
Cidadania
Grupo usa paixão pelo futebol para ajudar as pessoas
Turismo e Lazer
capa Nova edição da revista Redemoinho discute temas polêmicos

Mais lidas