Saúde

Uma sociedade desatenta e com dores musculares

A falta de atenção e memória, juntamente com a má postura, são alguns componentes da dependência de smartphones

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2016, cerca de 116 milhões de brasileiros possuem pelo menos um aparelho telefônico. O smartphone se tornou mais do que um meio de comunicação. É um instrumento de trabalho, para realizar pesquisas e estudos, além de ser uma diversão. Porém, seu uso em excesso pode vir a trazer, além de problemas de atenção e memória, a má postura e dores na coluna, dedos e braços.

Como quem se vicia em drogas, o uso excessivo do celular pode fazer com que a pessoa busque uma satisfação em estar conectada. Um estudo sobre o uso de internet e redes sociais feito pela agência We Are Social e a plataforma Hootsuite, em 2017, constatou que o brasileiro gasta em média 9 horas e 14 minutos navegando na internet, por semana. Se, no começo, acessar o celular por uma hora gerava felicidade, o tempo gasto no aparelho pode se tornar insuficiente e há um aumento no uso.

Monique Portugal, 26 anos e psicóloga, explica que o que caracteriza essa dependência é uma preocupação excessiva com o objeto, uma apreensão se está recebendo mensagem, ou a necessidade de saber o que está acontecendo nas redes sociais, como se a pessoa precisasse estar por dentro de tudo, o tempo todo. “A característica principal para entender se a pessoa é dependente, e se isso está virando uma patologia, é perceber os prejuízos na vida dela, tanto cognitivos quanto afetivos e sociais”, Monique explica.

Um dos perigos que a psicóloga aponta é o da pessoa acabar associando a sua felicidade em estar no celular, de forma que isso leve a um real vício, onde o ser humano não consiga mais fazer algo se estiver sem o smartphone. Então, ele só se sente plenamente bem caso esteja conectado. “As doenças mais associadas a esse vício são a ansiedade, a depressão e o desenvolvimento de alguns transtornos, como o do pânico, relacionados ao sono e neurológicos”. Monique também conta que podem existir casos de substituição do vício do celular para outras substâncias químicas, como drogas.

O conforto de uma determinada posição, traz dores na coluna e pescoço

Apesar de parecer confortável, postura pode trazer dores na coluna e no pescoço

Dores na coluna e má postura

É errado pensar que os aparelhos telefônicos trazem apenas problemas cognitivos e sociais, afinal a postura mais usada para o uso dos smartphones é aquela que for mais confortável. De acordo com o estudo publicado na revista científica Surgical Technology International, a cabeça pesa, em média, 5kg e cada vez que se utiliza o celular abaixo da altura dos olhos, esse peso é triplicado.

Quatro em cada dez pessoas tem dores nas costas, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas de São Paulo. Tainá Maria de Mendonça, 26 anos e fisioterapeuta, explica que a síndrome mais relacionada ao uso do dispositivo é chamada de “pescoço de texto”, ou mais conhecida pelo seu nome em inglês “text neck”.

“Quando a gente altera a nossa postura correta e faz com que fiquemos com a cabeça flexionada apenas olhando para baixo, isso pode gerar dores, rigidez, além de contraturas”, diz a fisioterapeuta. A musculatura do pescoço é cada vez mais exigida, ficando sempre mais tensionada. Em longo prazo isso irá alterar a postura da pessoa e, às vezes pode gerar uma postura de hipercifose torácica, mais conhecida como corcunda.

Como qualquer doença, é preciso tratamento

Monique Portugal, psicóloga, explica que o acompanhamento psicológico pode ser associado ao psiquiátrico dependendo da gravidade da dependência, como casos em que o psiquiatra terá que intervir com medicamentos. É importante esclarecer que o psicólogo entrará no tratamento com o papel de fazer com que essa pessoa perceba o vício para que, juntos, eles entendam o porquê ela só encontrou satisfação no celular e possa procurar outro objeto para dar uma felicidade mais saudável, trabalhando juntos o processo da compulsão.

Como fisioterapeuta, Tainá explica que os profissionais tentam ajudar prevenindo a situação, mas também passando exercícios corretos, para que a biomecânica do corpo humano seja utilizada da melhor forma possível, e não haja uma sobrecarga nos ombros, mãos e pescoço, porque é esse o causador das lesões. Existem algumas recomendações, como exercícios de fortalecimento e alongamento, para a diminuição das dores.

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