Saúde

Baixa autoestima e depressão têm forte ligação

De acordo com dados de associação americana, distúrbio pode ser a porta de entrada para doença que acomete 300 milhões de pessoas no mundo

Cada vez mais presente e temida, a depressão é considerada o mal do século. 300 milhões é o número estimado de pessoas que sofrem com a doença em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é um dos países com mais quadros de depressão no mundo. Um dos fatores que pode estar relacionado com o surgimento da depressão é a baixa autoestima.

Segundo informações fornecidas pela Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association, APA) em 2018, a baixa autoestima é um fator de risco no desenvolvimento de vários distúrbios mentais e psicológicos, entre eles está a depressão. O indivíduo com baixa autoestima não consegue identificar a capacidade de realização em si mesmo, colocando sobre si um alto nível de exigência.

Maria Souza (nome fictício, pois a entrevistada solicitou que seu nome verdadeiro não fosse citado), de 35 anos, que trabalhava como professora da rede pública do Distrito Federal (DF), ilustra bem esse quadro. Todos os anos o Governo envia as verbas diretamente para as escolas e cada gasto realizado deve passar pela prestação de contas, de modo a confirmar o uso correto da verba. Em 2016, Maria estava responsável pela conferência destas verbas. Acontece que, naquele ano, após investigações, descobriu-se que todas as assinaturas contidas nos documentos aprovados por Maria eram falsas e que o dinheiro não foi utilizado na escola.

Maria conta que, no primeiro momento, o choque não foi tão grande. Mas os maiores problemas vieram depois. “Quatro anos atrás achei que estava tudo bem, mas, na verdade, não tinha me recuperado do trauma”, relatou. Em 2019, a pressão pelo ocorrido fez com que Maria se sentisse incapaz de realizar o seu trabalho e, em um surto psicótico, ela se trancou no banheiro da escola e não queria contato com ninguém, até que sua irmã foi até o local e a convenceu a sair.

A situação foi ainda mais adversa, especialmente por um detalhe: no período, ela estava grávida. “Tive deslocamento de placenta. Mesmo assim eu achava que estava forte, mas hoje eu sei que esse descolamento de placenta era um sinal que tudo que descobrimos tinha passado do limite que eu poderia aguentar”, explicou.

Atualmente, Maria está afastada de suas atividades e foi diagnosticada com ansiedade e depressão, toma remédios controlados e realiza acompanhamentos com psicólogos e psiquiatras.

Desde o ocorrido, Maria diz se sentir inútil, mesmo tendo realizado diversos cursos em sua área. “Essa situação mexeu muito com minha autoestima, pois foi para isso que estudei e o que a vida me levou a fazer, me sinto também impotente na fiscalização do dinheiro que deveria ir para quem mais precisa”, analisou.

Para o terapeuta José Norberto Fiuza, quando se trata de saúde emocional, fica muito difícil protagonizar o agente causador. “Nenhuma depressão tem um só fator, ela é uma doença multifatorial. De modo que é importante a reflexão de que a depressão pode gerar no paciente a baixa autoestima, o cuidado consigo mesma, com a sua aparência, com a sua vestimenta, higiene pessoal, ou seja, a baixa autoestima pode ser um dos sintomas da depressão”, explicou Fiuza.

O terapeuta José Norberto Fiuza

O terapeuta José Norberto Fiuza

O terapeuta alerta também que, se tratando de doenças, transtornos, distúrbios emocionais e mentais, nada é como parece ser. É necessária uma análise profunda de cada caso. “Cada pessoa tem suas particularidades, com suas especificidades e sua individuação. Isso precisa ser respeitado, para que a gente não rotule as pessoas e que não se rotule um tratamento”.

Serviço:

O Centro Universitário IESB oferece tratamento psicológico gratuito, em regime de plantão, à comunidade, com atendimento de segunda a sábado. Os interessados podem comparecer ao Serviço de Psicologia do Campus Sul (que fica no Campus do IESB, SGAS 613/614, no segundo andar do prédio da biblioteca). Para mais informações, ligue para o telefone (61) 3962-4802.

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