Economia

Falta de planejamento financeiro impulsiona endividamento nas famílias

O percentual de famílias endividadas em março foi para 62,4%. Segundo relatório, cartão de crédito é um dos principais motivos de dívida

Com famílias cada vez mais endividadas no país, a educação financeira se mostra cada vez mais necessária para que essa realidade se modifique. De acordo com relatório realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em março, a porcentagem de famílias endividadas chegou a 62,4%, alcançando o maior nível de endividamento desde setembro de 2015.

A pesquisa indica que 78% das famílias estão endividadas com cartão de crédito. O uso de carnês ocupa o segundo lugar (14,4%), seguido pelo financiamento de carro (10%). O Brasil possui a maior taxa de juros cobradas nas operações em cartão de crédito em comparação a países como Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Segundo o economista Ronald Lins do Conselho Regional de Economia da 11ª Região do DF (Corecon-DF), o brasileiro tem que entender como funciona seu dinheiro e que o endividamento pelas despesas fixas (água, luz, telefone) são as mais simples de se contornar. Por outro lado as despesas variáveis são mais complexas porque deve haver dinheiro sobrando para adquirir. “Existe uma regra geral básica que você não pode gastar mais do que você ganha. E de preferência você pega aquilo que ganha e guarda pelo menos 10% todo mês. Se você ganhar mil, por exemplo, pode gastar até 900, mas pelo menos 100 tem que guardar”, afirma o economista.

Economista orienta sobre falta de gestão orçamentária

Economista, Ronald Lins, orienta sobre falta de gestão orçamentária

A falta de planejamento orçamentário faz parte da rotina do cozinheiro de 29 anos, José Marcos Dantas. Apesar de pagar todas suas contas em dia, ele não consegue deixar dinheiro reservado. “Eu pago tudo certo e o resto pago em bobagens. Não consigo manter um valor guardado e sempre gasto pensando no próximo mês o que vou fazer. Acaba que uso cheque especial e fico mais apertado, mas no final eu pago certo”, relata.

Para se organizar melhor, o economista sugere a procura por alguém que conheça mercado e finanças, mas caso não seja possível, mudar hábitos a partir da organização é essencial para sair de uma crise financeira. Anotar todos os gastos, das contas mais simples às mais complexas é uma solução inicial.

Existe uma forma de calcular para ter um diagnóstico orçamentário mais preciso. De acordo com o administrador e bancário Manuel Antonio de Macedo, a pessoa endividada deve juntar todas as dividas contraídas de empréstimos, o valor da prestação mensal e dividir pelo salário líquido multiplicando por 100. “Se esse índice estiver até 30%, está dentro do aceitável, porque se convencionou que até 30% da nossa renda a gente pode comprometer com empréstimo. Entre 30% e 35%, é melhor ficar alerta, entre 35% e 40% já se começa um ‘engessamento financeiro’; passando dessa porcentagem, a pessoa está em uma situação delicada”.

O cozinheiro José marcos Dantas diz que durante o período de dois meses ele e sua esposa controlaram seus gastos colocando tudo no papel, mas depois voltaram à rotina. “A gente continuou a ficar apertado, não devendo ninguém, mas sem dinheiro pra fazer qualquer coisa a não ser pagar conta”, conclui.

Servidores

Segundo dados do Banco Central de 2018, o endividamento em operações de crédito consignado de servidores da União, estados e municípios são dez vezes maiores do que o contratado por trabalhadores da iniciativa privada, contabilizando R$ 180 bilhões, os que trabalham no setor privado têm um saldo de R$ 19 bilhões de empréstimos consignados com instituições financeiras.  Ronald Lins afirma que cerca de 80% dos servidores públicos federais e estaduais chegam a ter 90% do seu salário tomado de dívidas acima da margem do consignado e empréstimos do banco autorizado. “Por terem a noção de estabilidade, os funcionários públicos acabam pedindo empréstimos sem nenhum tipo de planejamento, se endividando”, conclui.

Finanças nas escolas

Depois de anos de conversa, apenas a partir de 2020 a educação financeira será obrigatória nas escolas de ensino fundamental no Brasil. Nos Estados Unidos dezessete estados atualmente exigem que os alunos façam um curso de finanças pessoais para se formarem no ensino médio.

Atualmente o número de escolas que aderem à educação financeira vem crescendo no país. O Programa DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar) Educação Financeira está educando financeiramente mais de 300 mil crianças e jovens no Brasil. A 1ª Pesquisa Nacional de Educação Financeira nas Escolas realizada em 2017 pelo Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT) do Instituto de Economia da UNICAMP com outros parceiros, revelou que 71% dos alunos que recebem educação financeira em suas escolas ajudam seus pais com compras conscientes.

A administradora Esther Uzoamaka, 41 anos, ensina seus filhos à importância do dinheiro. “Toda vez que eu recebo salário eu sempre coloco na mesa para todo mundo dividir o valor, do aluguel, luz, água. Quando pergunto para meu filho se eu posso gastar o dinheiro do aluguel com outra coisa ele já tem consciência de que o aluguel é prioridade”, completa.

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