Política

Acampamento Terra livre: Momento de luta, inclusão e diversidade

Com a 1ª Marcha de Mulheres Indígenas no Brasil, que acontece em agosto, mulheres buscam visibilidade no meio indígena

O 1º Encontro Nacional de Mulheres Indígenas contou com uma forte participação de mulheres, servindo de planejamento para a 1ª Marcha de Mulheres Indígenas no Brasil, prevista para acontecer em agosto desse ano, quando é comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas. O encontro aconteceu no dia 25 de abril, na Esplanada dos Ministérios.

O encontro se deu dentro da 15ª edição do ATL (Acampamento Terra Livre), que reuniu mais de 4 mil pessoas com o intuito de alertar sobre a violência e discriminação contra populações tradicionais em todo o país. O evento é considerado a maior conferência sobre povos tradicionais do Brasil e teve como temad este ano “Sangue indígena, nenhuma gota a mais”.

Uma das defensoras e articuladoras das mulheres indígenas no Brasil, Célia Xakriabá, é professora ativista indígena do povo Xakriabá, em Minas Gerais. Ela destaca a importância desse momento de luta para as mulheres indígenas, já que antes mesmo de existir o movimento social, as mulheres indígenas sempre foram um movimento tradicional que historicamente acompanhou o movimento de luta junto às lideranças indígenas. “Nesse momento, em que existe uma política que está enferma e em crise, nós, mulheres indígena, insurgirmos como uma grande potência e possibilidade de cura, tanto para o cenário político como também para o conhecimento que está aí sobre uma relação de poder.”

Célia Xakriabá, é professora ativista indígena do povo Xakriabá em Minas Gerais

Célia Xakriabá é professora ativista indígena do povo Xakriabá, em Minas Gerais

Célia explica que no mês de abril esteve reunida com a Comissão das Mulheres Indígenas, com representação de todas as regiões do país, para que durante o Acampamento Terra Livre fizessem um momento estratégico, em que as mulheres se reunissem e trouxessem propostas já consolidadas de melhorias.

Também durante o acampamento foi anunciada a marcha que acontecerá em agosto. “É um momento muito significativo porque as mulheres também estão na linha de frente contra o agronegócio, contra o latifúndio e, principalmente, na defesa do território e da terra que também é um útero feminino.”

Papel feminino nas aldeias

Durante o acampamento, muitas mulheres faziam pinturas e vendiam artesanatos. Uma delas é Hakakwyi Haraxare, de 33 anos, do povo Kyikatejê Gavião, localizado em Bom Jesus do Tocantins, no estado do Pará. Técnica de enfermagem na sua aldeia e professora de linguagem e arte pela UEPA (Universidade Estadual do Pará), Hakakwyi dá aula para o ensino fundamental 1 e 2 da sua aldeia.

“É o 3º ano que venho e entre muitas questões viemos reivindicar a retirada da Funai do Ministério da Justiça, a questão da saúde. Na nossa aldeia faltam médicos e estão querendo municipalizar a saúde, o que a gente não quer. Temos dificuldade em termos de contratação. Mas temos escolas, professores, aulas regulares…Conseguimos tudo com muita luta, já que tudo só funciona na base da pressão e ainda assim insistem em tirar conquistas que os mais velhos nos garantiram”.

A professora vive em uma aldeia, onde se organizam em 3 grupos, que hoje chegam a aproximadamente 280 pessoas. No dia a dia, mas especialmente nas festividades, todos usam pinturas corporais com colorações feitas a partir do fruto do jenipapo, de onde obtém a cor preta, e do urucum, a cor vermelha. As maiores festividades são a festa da arara e do milho verde, quando é tempo de colheita.

Hakakwyi recebendo pintura obtida pelo fruto do jenipapo

Hakakwyi recebendo pintura obtida através do fruto do jenipapo

Uma das maiores tradições são os jogos, como corrida de toras, arco e flecha e jogo da peteca. De algumas atividades só os homens podem participar e em outras as mulheres são inclusas. No acampamento, Hakakwyi acha interessante porque acaba conhecendo culturas de outras etnias.

Perguntada sobre o empoderamento das mulheres nas aldeias ela diz: “Lá é bem tranquilo, por mais que a rotina das mulheres gire em torno de cuidar da casa e das crianças, os homens fazem é nos incentivar.” Antes, por exemplo, as mulheres não poderiam sair para estudar e trabalhar fora. Inclusive se as mães saírem para trabalhar, hoje em dia, e as avós não puderem ficar, as brancas saem da cidade para trabalhar na aldeia.

Sobre as dificuldades de manter sua cultura viva nos tempos de hoje ela diz: “A tecnologia que entra está balançando um pouco, já que no mundo em que a gente vive é necessário. Tentamos colocar isso a nosso favor, para que a nossa cultura continue viva e não apaguem nossas marcas que são antigas,” finaliza a técnica.

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