Educação

Escola pública oferece inclusão para surdos, mas precisa de investimentos

Apoio pedagógico e interprete fazem a diferença para a experiência escolar de deficientes auditivos

Apesar da falta de recursos e estrutura muitas vezes sucateadas e sem inovação, a educação inclusiva é uma realidade para surdos que residem na capital do país. A rede pública de educação do Distrito Federal conta com o esforço de professores e apoio pedagógico que, mesmo sem grandes investimentos, são capazes de transformar a vida de milhares de alunos deficientes auditivos. Muitos chegam de outras cidades e estados brasileiros não alfabetizados e deslancham com o suporte de professores, intérpretes e salas de recursos visuais e reforço de ensino.

A interprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) Maria Madalena atua na escola Elefante Branco, na Asa Sul, desde o ano 2000. O colégio tem uma sala com recursos visuais, material didático, material eletrônico, data show, computador e matérias confeccionados por professores para ensinar disciplinas como matemática, física e química, permitindo aos estudantes experienciar o que estão aprendendo. Na sala de recursos, o estudante conta com apoio total dos interpretes, tanto para estudar quanto para fazer avaliações.

“Para mim, já está em processo que é a escola bilíngue para alunos surdos e deve continuar a inclusão para os alunos oralizados que eles aproveitam melhor e tem conteúdo maior maios aprofundado, eu acho que deve continuar tanto a inclusão quanto a escola bilíngue, não deve acabar com a inclusão pois a sala de recursos é muito importante para a inclusão dos surdos”, defende Maria Madalena.

A professora Silvana Marques atua há 25 anos na educação especial de surdos e explica que a sala de recursos do Elefante Branco surgiu há mais de 20 anos, quando os surdos que foram incluídos no ensino regular começaram a apresentar dificuldades de aprendizagem. “Não existe uma metodologia específica, no geral exploramos mais os recursos visuais: vídeo, desenhos, esquemas etc. A estrutura é muito deficiente, pois não dispomos de recursos apropriados: como bons computadores, internet e outros materiais”, reconhece. No espaço, trabalham três professores de cada área: linguagem (português como segunda língua) humanas e exatas. Silvana acrescenta que em  geral todos os casos são bem-sucedidos, mas alguns alunos com mais dificuldades são acompanhados com mais proximidade.

A professora Rejane Nunes, da área de Ciências Humanas, avalia que a sala de recursos é essencial: “surgiu da necessidade de estar ensinando e dando apoio e suporte ao aluno surdo para sua aprendizagem. A sala de recurso e extremamente necessária para os alunos surdos porque a gente pode aprimorar as aprendizagens, dar o suporte para eles e o reforço das matérias aprendidas durante a aula no seu curso normal e na sala de recursos a gente faz esse trabalho de aprimoramento também”. Segundo Rejane, muitas vezes o aprendizado é consolidado na sala de recursos, porque na aula regular do ensino médio podem restar dúvidas aos estudantes surdos.

A estagiária de Português do Elefante Branco Ingrid da Costa Silva também atua na sala de recursos e defende a modernização dos equipamentos. “Apesar de os livros e computadores serem antigos dá para trabalhar, mas é necessária uma atualização. Na sala de aula não tem data show para passar slides se quiser usar tem que procurar na escola pedir emprestado é ruim e para trabalhar com surdos o equipamento é essencial pois os surdos são muito visuais”, justifica.

Ingrid também dá aulas de Libras no Elefante Branco e defende: “sou a favor de um ensino bilíngue e de um ensino onde a Libras é respeitada porque a gente consegue perceber que faz uma diferença, usar Libras para ensinando o português para eles e não sinalizar cada palavra no português (Português sinalizado). Os alunos conseguem entender claro e eu também faço atividades de português sem adaptação do material”. Ela ainda apoia a popularização da Libras, já que a maioria dos professores não domina a Língua Brasileira de Sinais.

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