Comportamento

Novo método de alimentação estimula autonomia de bebês

Texturas, tamanhos, cores e sabores ajudam crianças a desenvolverem o sistema motor oral durante alimentação

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#bebês alimentação blw infantil

Passou-se o tempo em que a alimentação dos bebês se resumia a alimentos triturados ou papinhas oferecidas com colher por um adulto. Sob recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria, o método BLW, do inglês “Baby Led Weaning”, ganhou espaço entre as famílias. Nessa nova estratégia de alimentação, o desmame é induzido pela própria criança, que ao possuir determinada autonomia, consegue selecionar os alimentos e fazer a ingestão destes sem precisar da influência direta dos pais.

Segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, a introdução alimentar se inicia pelo aleitamento materno. A recomendação é de que a alimentação complementar seja iniciada somente aos seis meses de vida, e de acordo com a pediatra Isabela Dorneles, esse é o período no qual a criança pode, inclusive, se alimentar sozinha. “Se houver, a partir dos seis meses, um desenvolvimento neuropsicomotor adequado, ou seja, ter boa sustentação da cabeça, estar sentado sem apoio e conseguir levar objetos até a boca, a criança pode ter a autonomia na alimentação”, afirma.

Tamanhos, texturas, cores e sabores: o BLW vai além disso. Segundo a pediatra, uma vez que o método estimula o desenvolvimento motor oral da criança, onde ela come a quantidade que lhe satisfaz e interage com os alimentos aprendendo que eles são importantes para ela. “Diferente do método tradicional, os alimentos oferecidos são sólidos e cortados em tamanhos apropriados para que o bebê possa pegar e saborear. Isso melhora seu desenvolvimento e autonomia, além de instigar uma alimentação saudável, prevenido a obesidade infantil”, explica.

O dia a dia com o BLW

Foi com esse pensamento que Bárbara Toledo resolveu aplicar o método dentro de casa, com seus filhos. Rafael (1 ano e 7 meses) e Alice (4 anos) tiveram contato com o BLW desde os 6 meses de vida, e segundo a mãe deles, sempre tiveram uma boa alimentação. “A relação dos meus filhos com a comida é muito boa. Aceitam provar tudo, mesmo que não gostem do primeiro contato. Conhecem cheiros, texturas de todos os tipos. A independência e evolução motora e de mastigação são incríveis”, exclama.

Coordenação psicomotora e maior aceitação a novos alimentos são algumas das consequências positivas que o novo método traz para a vida das crianças

Coordenação psicomotora e maior aceitação a novos alimentos são algumas das consequências positivas que o novo método traz para a vida das crianças

Bárbara conheceu o método através de um curso, e desde então não parou de estudar sobre. “Encontrei no BLW uma maneira de entender o mundo dos meus filhos. Se querem comer, eles comem. Mas se não quiserem, ok. Ver eles explorando os alimentos, descobrindo por si só as texturas, cheiros e sabores”, conta.

Maíra Araújo, mãe do Érian (2 anos), decidiu adaptar o método segundo sua realidade: intercalava o método tradicional com o BLW quando achava necessário, aliando independência com a qualidade na alimentação de seu filho. “Sempre procurei que ele tivesse independência para fazer as coisas e descobrir o mundo dele. Como psicóloga infantil, sempre vi com meus pacientes que o método tradicional não era tão efetivo para construir um gosto por alimentos saudáveis”, diz.

Para a mãe, o método também tem seus pontos negativos, como falta de praticidade, a demora devido ao fato de ter que esperar o tempo da criança. Mas completa: “Isso é muito insignificante perto dos ganhos que a criança tem”. Independência, ganhos no desenvolvimento emocional, coordenação motora, autonomia e seletividade alimentar são alguns dos pontos positivos que Maíra viu Érin adquirir com a alimentação.

Hoje, o método BLW vem sendo cada vez mais procurado pelos pais. “Querer proporcionar o que há de mais novo e seguro aos filhos é algo que os motiva”, explica a pediatra Isabela Dorneles. Mas completa que é necessário que os pais recebam e tenham em mente orientações importantes para a utilização do método: cortes seguros de alimentos para oferecer à criança, saber o que é reflexo de “gag” – reflexo de proteção onde o bebê faz um movimento semelhante a uma náusea, e o alimento sai da garganta e vai para a boca ou é cuspido. Além disso, saber identificar o que é engasgo e quais manobras devem ser utilizadas no momento.

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