Comportamento

Sem “pé na jaca”, sexta-feira pode ser dia de jejum e abstinência

Católicos escolhem jejum como forma de se aproximarem de Deus

Para os brasileiros, sexta-feira já se tornou sinônimo de final de semana. Como o encerramento do expediente, a dieta pode ser quebrada e ninguém se importa com mais nada. Em contrapartida, para alguns, esse dia tem um outro sentido. Os devotos da Igreja Católica observam o pedido feito no Código de Direito Canônico que pede o jejum e a abstinência da carne às sextas-feiras. Ficar sem comer por algumas horas, tomar apenas líquidos, comer apenas pão e beber água são algumas das opções recomendadas pela tradição do catolicismo.

Dois são os dias deixados pela Igreja como obrigação do católico de seguir o jejum e a abstinência: a quarta-feira de Cinzas e a sexta-feira da Paixão. Mas a escolha desses fiéis de permanecerem com o jejum durante outros dias vem apenas da vontade do coração de cada um. Joseane Salmito tem apenas alguns anos de prática, mas ela conta que isso a fez se sentir mais íntima de seu Criador e ajuda nos momentos difíceis. “É como eu consigo me conectar de maneira mais intensa com Deus”.

E se engana quem pensa que as pessoas que têm essa prática são apenas idosos. Yago de Moura tem 24 anos e é estudante de Educação Física. Para ele, fazer o jejum é para sua santificação. “Isso me ajuda no meu autocontrole e me faz reconhecer o valor correto das coisas”. Mesmo tendo as atividades práticas do curso e a correria de estudar e trabalhar, ele mantém sua decisão desde 2015, quando foi a primeira vez que escolheu fazer isso.

Como retomada da tradição da Igreja Católica, as pessoas que decidiram e mantém a prática não tem o costume por muitos anos, mas apenas por, no mínimo, cinco anos. Não existe uma regra bem definida de horários, mas a escolha é feita ao que é mais cabível na rotina, mas principalmente na saúde. “O jejum em si é contraditório, porque você deixa de alimentar o corpo, mas alimenta a alma’, conta Felipe Sitônio.

 

Felipe Sitônio tem a prática do jejum há três anos

Felipe Sitônio tem a prática do jejum há três anos

E faz bem à saúde?

A nutricionista Loyanne Prybylski conta que os riscos do jejum são mais para pessoas que possuem algum tipo de doença, como por exemplo diabetes. E em casos de transtornos alimentares, pode acabar gerando ansiedade. Mas até para pessoas que tenham a saúde “em dia” o cuidado não pode ser deixado de lado. “A privação de alimentos pode levar a um quadro de hipoglicemia, dores de cabeça e náuseas”, explica a doutora.

Estudos feitos pelo grupo de pesquisadores Benjamin Horne, nos Estudos Unidos, mostraram que os benefícios do jejum são claros. “Há uma melhora no colesterol, resistência à insulina e até a perda de peso”, Loyanne conta. Ainda assim é importante ver a quantidade de tempo que ficará de jejum e a qualidade dos alimentos ingeridos durante o dia, porque isso gera influência na resposta metabólica do corpo.

As recomendações para se fazer um jejum saudável são: comer alimentos que tragam mais saciedade, como ricos em fibras e evitar alimentos ricos em açúcares. “Por se tratar de uma refeição que deve ser feita sem exageros, frutas, sementes, lacticínios, seriam refeições para iniciar o jejum”, Loyanne indica.

 

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Turismo e Lazer
capa Nova edição da revista Redemoinho discute temas polêmicos
Economia
Movimento Empresa Júnior: empreendedorismo começa cedo
Cultura
IMG_2603 Arte fora do eixo

Mais lidas