Cultura

Povos indígenas lutam para manter vivas suas tradições

Os índios vêm resistindo contra as autoridades na busca de seus direitos e assim permanecem vivos com a cultura indígena

Os povos indígenas vêm resistindo há cerca de 519 anos. Mesmo habitando o território brasileiro antes mesmo da chegada dos portugueses no Brasil, esses povos continuam sofrendo diversas violações. De acordo com o censo demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), existem 800 mil indígenas, separados por etnias vivendo em todo território nacional. A maior concentração é na região Norte.

Desde o ensino básico, as crianças são ensinadas que os índios são os verdadeiros nativos do país com tradição e cultura de caça e pesca. O Brasil é detentor de umas das maiores tribos indígenas, que são: guarani, ticuna, caingangue, macuxi, terena, guajajara, ianomâmi, xavante, pataxó, potiguara, entre outras.

Fabiano da silva cacique da tribo tupiniquim- ES

Fabiano da Silva cacique da tribo tupiniquim, do Espírito Santo

Fabiano da Silva, da tribo tupiniquim de Aracruz, no Espírito Santo, é cacique na aldeia que tem 540 famílias no total de 1600 pessoas. As famílias cultivam seus próprios alimentos e o que produzem é dividido entre elas. Para a produção do artesanato dependem da colheita dos cipós e das madeiras, mas sempre trabalhando em equipe, vendem o material e dividem o dinheiro.

“Para manter vivas nossas tradições fazemos vários eventos de encontros que são as noites culturais na comunidade. É quando resgatamos nossa cultura com apresentações, comidas, artesanato, danças, batemos tambores, casacas (instrumento musical feito de madeira) e lutas corporais”. Assim, fazem divulgações via internet desses projetos e por meio disso conseguem ajuda financeira para suprir as necessidades da comunidade.

Fabiano defende que “o que nos mantêm vivo é a luta pelo reconhecimento do nosso povo, pela nossa identidade e suas terras. Pois eles estão querendo acabar com o nosso conhecimento. Isso vem me fortalecendo a continuar. O evento Acampamento Terra Livre que ocorre anualmente  é muito importante, pois assim podemos lutar pelas nossas causas e defender o que acreditamos. Queremos que o presidente olhe para nós e assim possa nos ajudar nas causas indígenas”.

15º edição do Acampamento Terra Livre, na Esplanada dos Ministérios

15º edição do Acampamento Terra Livre, na Esplanada dos Ministérios

O Acampamento Terra Livre com sua 15a edição ocorre anualmente em Brasília-DF, reunindo indígenas de todo o Brasil, com o intuito de lutar pelos seus direitos protestando pelas demarcações de terras.

Segundo o antropólogo cultural Claudio Ferreira a antropologia brasileira se fez utilizando vários estudos e pesquisas em comunidades indígenas. “É de suma importância mapear a questão da diversidade e saber como mantêm essa tradição pela unanimidade. Todos os grupos indígenas vêm sofrendo uma dificuldade para manter viva essa cultura. Porém, todas as culturas e tradições são ricas e complexas. Os povos indígenas continuam mantendo coisas bem significativas como: no canto, dança, na alimentação e nas formas de reverenciar suas divindades”.

O antropólogo diz que acha muito difícil manter a tradição, pois diversas vezes são tradições negociadas e abaladas, porque o poder de sedução da individualidade da aculturação acaba sendo muito grande. “Determinadas tribos tentam manter, mas é com muita dificuldade”.

Hoje, a principal razão para homicídios de indígenas no país é a falta de demarcação de terras. Isso vem agravando a violência quando eles entram em conflitos com autoridades em busca dos seus direitos, já que é consagrado pela Constituição Federal de 1988 no artigo 5º: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou sair com seus bens”, dizendo claramente que todos tem o direito de ir e vir.

Muitas riquezas na cultura indígena

Muitas riquezas na cultura indígena

Museu indígena

O Memorial dos Povos Indígenas foi projetado por Oscar Niemeyer e construído em 1987. A ideia central do memorial é demostrar as diversidades e riquezas da cultura indígena com peças representativas de várias etnias. Hoje, o museu abre para eventos comemorativos desde que tenham algum vínculo com a cultura indígena. Uma grande exposição será aberta no local no dia 24 de junho com o tema Séculos Indígenas no Brasil que é um projeto do Fundo de Apoio a Cultura (FAC).

Renato de Oliveira Santos, diretor do Memorial Indígena conta que o museu poderia ser usufruído bem mais. “Foi necessário fazer uma intervenção das peças. E atualmente estamos com nossas peças sendo higienizadas e se essa intervenção não fosse feita, perderíamos peças com datas de 1940 e 1950. São peças do acervo fundado raríssimo da coleção de Darcy Ribeiro”, explica.

Segundo Santos, a Secretaria de Cultura optou pela intervenção até que essas peças fossem devidamente higienizadas e estivessem em condições de exposições. “É triste nesse momento, mas é muito necessário. Elas não são mais fabricadas nem pelos indígenas, pois são peças com dentes de onça, com pena de tucano que atualmente as vias ambientais não permitem que sejam utilizadas”.

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