Educação

Pesquisa revela que nove em cada 10 brasileiros utilizam YouTube para estudar

Profissionais da educação defendem prática do ensino à distância, mas alertam para credibilidade do conteúdo disponível na plataforma de vídeos

Tags:
#educação #ensinoàdistância #vídeoaula

Quando o assunto é internet, os brasileiros costumam liderar as pesquisas. Mesmo em um cenário com tantos desafios relacionados à educação, um estudo recente da Video Viewers, feito pela Google, chamou a atenção: nove em cada 10 pessoas utilizam o YouTube para estudar. De acordo com o levantamento, a principal busca é por conteúdo educacional, principalmente na faixa etária pré-vestibular, com foco na revisão das matérias.

Na opinião do coordenador do curso de pré-vestibular Exatas, Osvaldo Nascimento, existe certo exagero na pesquisa. “O YouTube serve apenas como base de apoio, pois os vídeos trazem exercícios para complementação do estudo. Você não ouve ninguém falar que passou no vestibular ou no Enem porque estudou pelo YouTube”, pondera o gestor.

Hoje, o Exatas reúne mais de 12 mil inscritos na plataforma de vídeos. Segundo Osvaldo, o canal ajuda, mas é um aperitivo. “O foco está no curso presencial. Por meio do YouTube é possível ter um acesso maior e mais rápido do público. Mas o aluno precisa checar os livros, conteúdo, professores. Não é tão simples”, contrapõe.

A advogada Daniela Tonin, 25 anos, estuda para concursos por conta própria e também afirma não recorrer ao portal. “Quando você estuda sozinho, alguns assuntos são difíceis. Só assisto vídeo aula quando realmente não compreendo o conteúdo. Aí, procuro por um professor que entenda da matéria. Porém, o cursinho que comprei já inclui algumas, então, assisto por lá mesmo, não vou ao YouTube”, explica.

Daniela Tonin, 25 anos, estuda para concursos via internet, mas recorre a outras plataformas quando busca por uma vídeo aula

Daniela Tonin, 25 anos, estuda para concursos via internet, mas recorre a outras plataformas quando busca por uma vídeo aula

A concurseira conta que, no início, estudava por vídeo aula e achava legal. “Depois percebi que, muitas vezes, ficava mais de uma hora para entender uma coisa pequena. Se estivesse lendo, aprenderia bem mais rápido. Por isso, prefiro estudar por sites e livros que tenham questões de concurso”, argumenta.

Dinâmica do ensino à distância

Fátima Guerra, especialista em educação à distância da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), reconhece a pesquisa como reflexo de um novo nicho de mercado, mas alerta: “É preciso ficar atento à confiabilidade dos conteúdos que estão disponíveis no YouTube. Não podemos garantir que tudo o que está lá possui qualidade. Estamos vivendo uma era de fake news”.

A professora defende que é possível obter uma formação de qualidade por meio de cursos não presenciais, que vão além da plataforma de vídeos, mas acrescenta que muitos estudantes não têm perfil para o estudo à distância. “O aluno precisa, primeiramente, entender como funciona o processo, pois estamos falando de uma dinâmica diferente de estudos. Existem fóruns, chats e outras situações coletivas, além do encontro presencial com professores e tutores. Portanto, é fundamental que o estudante se prepare antes e durante as aulas”, explica.

Além do conteúdo pré-vestibular

Há cerca de um ano, Alesson Ramos, 31, passou a estudar investimentos financeiros pelo YouTube. “Comecei a seguir uma digital influencer nesse assunto e depois migrei para outros canais”, conta o profissional de tecnologia da informação, que confessa já ter baixado um aplicativo e simulado investimentos após os estudos online.

Profissional de tecnologia da informação, Alesson Ramos, 31 anos, passou a estudar investimentos financeiros a partir de canais no YouTube

Profissional de tecnologia da informação, Alesson Ramos, 31 anos, passou a estudar investimentos financeiros a partir de canais no YouTube

Para Alesson, o fato de grandes empresas patrocinarem os profissionais traz credibilidade ao conteúdo. “Por mais que o youtuber esteja fazendo uma propaganda, ele precisa explicar a parte teórica, então, acabo aprendendo”, argumenta. Ele acredita que a pesquisa seja um retrato da realidade. “Quando você pesquisa alguma coisa no Google, ele mesmo indica um monte de vídeos e direciona você para o YouTube”, observa.

Outros interesses na busca

O levantamento da Google mostra, ainda, que 93% dos entrevistados usam a plataforma para saber como fazer pequenos reparos em casa, 87% buscam novas habilidades profissionais e 73% gostam de conferir dicas de esportes e fitness.

Em quatro anos, o consumo online de vídeos cresceu 135%, enquanto a televisão teve alta de apenas 13%. De acordo com o estudo, 80% procura por conteúdo que a TV não oferece.

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Turismo e Lazer
capa Nova edição da revista Redemoinho discute temas polêmicos
Economia
Movimento Empresa Júnior: empreendedorismo começa cedo
Cultura
IMG_2603 Arte fora do eixo

Mais lidas