Saúde

Eles também precisam de cuidado

Como os estudantes de medicina lidam com a pressão do curso e da futuro profissão

Quarenta e um por cento dos estudantes de medicina no Brasil têm depressão. O dado é de pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de São Paulo. Outro número alarmante sobre os universitários é que 81% apresentam ansiedade ao longo de algum momento da graduação.

A universitária Leticia Ferreira, no oitavo semestre de uma faculdade particular de medicina no DF, relata que o maior problema é lidar com a pressão. Ela afirma que já teve crise de ansiedade e início de síndrome do pânico. “Quando entrei na faculdade achei que ia pirar de tanto que estudava. Nos primeiros períodos, eu só estudava”.

O estudante de medicina sofre pela carga horária das aulas, a pressão de estar lidando com  vidas e com a quantidade alta de matérias a ser estudada. A futura médica Ana Beatriz Ribeiro, que está no quarto semestre também em Brasília, relata que vivenciou momentos de extrema cobrança dos professores.

“A faculdade é um lugar que exige muito de você, já cheguei a ouvir professor meu falar, ‘mas o que você faz de meia noite as seis? Nada? Então estuda!’ Medicina, assim como qualquer outro curso, é puxado, mas eu sinto que existe uma pressão muito intensa sobre os estudantes para serem perfeitos, não cometerem erros alguns”, relata a estudante.

A psicóloga Rayanne Alves relata que os estudantes de medicina têm certa dificuldade para buscar ajuda psicológica. Segunda ela, os alunos se sentem no papel de quem cura e não de quem merece ser cuidado. “É como se eles não pudessem adoecer, não pudesse ter nenhumas fragilidades. Como se para atender eles tivessem que estra extremamente saudáveis, o que é uma exigência e uma auto cobrança muito grande”, alerta.

O pré

Além das dificuldades da faculdade, o período anterior é de extremo estresse. A estudante Gabriela Ferreira faz cursinho pré-universitário há dois anos e relata que a pressão para passar em medicina vem de todos os lados. Pais, professores, amigos, a comparação com os que passaram, a comparação com os colegas ao lado no cursinho, tudo influência para a criação de um ambiente hostil.

“O mais frustrante é você dar tanto de si para uma prova só, uma prova que vai definir o seu futuro, que vai definir sua carreira profissional. Estudar tanto, se dedicar muito, dar tudo de si e mesmo assim chegar na prova e não ir bem, não passar”, relata Gabriela.

O estudante do quinto período de medicina Carlos Eduardo Cruz  relembra seu tempo de cursinho:  “Foi bem difícil, mas eu acho que dentre a pessoas eu passei por essa fase sem sofrer tanto, é claro que sempre tem uma abdicação e tempo livre, um pouco de choro e ansiedade, mas o fim a gente consegue”.

 

b606ba68-52ec-40f3-9427-5d8de9b4208e (1)

A motivação para continuar

“O que motiva dentro da profissão é poder ajudar as pessoas em seus momentos mais frágeis e poder tornar um momento ruim, um pouco menos pior para a pessoa”, conta a estudante Ana Beatriz, que tem o desejo de se tornar oncologista.

A futura médica Ludmilla Simeão relata que apesar das dificuldades o curso pode proporcionar momentos incríveis a serem vivido. “O curso ao mesmo tempo que é gratificante, incrível, ele também é complicado. Medicina é um curso como qualquer outro, porém proporciona as melhores experiências da sua vida”, avalia.

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Turismo e Lazer
capa Nova edição da revista Redemoinho discute temas polêmicos
Economia
Movimento Empresa Júnior: empreendedorismo começa cedo
Cultura
IMG_2603 Arte fora do eixo

Mais lidas