Educação

Centro de ensino para deficientes visuais ajuda na vida acadêmica de estudantes

Além da autonomia, o intuito também é a inclusão dos alunos no mercado de trabalho

Uma  escola com foco em trabalhar com pessoas cegas ou com baixa visão. Este é o Centro de Ensino Especial para Deficientes Visuais (CEEDV), da Secretaria de Educação do DF, na quadra 612 Sul, na Avenida L2. Os métodos utilizados são o Braille na parte da escrita e o Sorobã para matemática. Também há  ensino de orientação e mobilidade, utilizando equipamentos próprios para a adaptação dos  estudantes. O objetivo é promover cidadania para os alunos poderem ser incluídos na sociedade e na vida acadêmica.

Os métodos utilizados na escola evoluem de acordo com cada aluno. Isso tem ocorrido por meio de programas de vozes. O Diretor da unidade de ensino, Airton Dutra de Farias, explica: “O aluno vai ao computador e acessa normalmente um teclado normal que utilizamos no dia a dia, inclusive os celulares tem leitor de tela”. Atividades diárias e sociais são ensinadas e educação física também faz parte do ensino.

A professora do CEEDV Jaqueline de Melo  trabalha com Orientação e Mobilidade, disciplina que ajuda tanto a pessoa totalmente cega, quanto aquela que tem baixa visão. O trabalho é feito com treinamentos. “Primeiro nós saímos com o aluno, ensinamos ele a andar dentro do CEEDV para se localizar aqui dentro. O aluno que veio pela primeira vez vai aprender técnicas para sentar de uma forma segura e estar em cima de uma mesa”. Depois de concluída estas fases, o próximo passo é a parte da área externa, onde o aluno vai aprender a andar com a bengala.

Para Jaqueline, existem dificuldades enfrentadas, e a principal delas é em relação ao aluno de baixa visão “existe momentos em que a gente venda o aluno. E nesse momento em que ele é vendado, ele tem certas dificuldades porque ele não está usando o que chamamos de resíduo visual (aquilo que ele consegue perceber com a visão)”. Apesar das dificuldades, as evoluções dos alunos têm obtido resultados porque os alunos já estão aprendendo os movimentos com forme os resultados vão aparecendo.

O professor Deusdede Marques de Oliveira trabalha com Serviço de Orientação a Trabalho e é responsável por atende 15 alunos adultos na turma da manhã e no período da tarde. Porém, pela especificidade do serviço, ele atende toda comunidade, além dos matriculados. E, para Deusdede, o aluno possui dificuldades no momento inicial. “Ao se tornar deficiente visual, ele pensa que a vida acabou. Então até tirar dele este trauma, é a grande dificuldade porque depois ele segue em frente”. A facilidade enxergada pelo professor é a vontade do aluno de recomeçar e reaprender porque a escola atende estudantes que nunca cursaram a escola e também pessoas que tiveram pós-doutorado.

Já o estudante Paulo Lafaiete, 34 anos,  está na escola pra estudar para concurso público. Ele consegue perceber a sua evolução por meio  dos métodos de ensino de aprendizagem. “Os professores estão se capacitando a cada momento, o ambiente está ficando mais propício e consigo ter mais oportunidades”. Ele sente que consegue ter autonomia, como o ensino da Orientação e Mobilidade.

Paulo Lafaiete é formado em Publicidade e Propaganda e utiliza o espaço da biblioteca para estudar

Outra estudante, Maria Oneide, 59 anos, faz curso no CEEDV e matérias como Braille, Sorobã e Educação  Física. Ela consegue sentir evoluções com o ensino e, para ela, o espaço foi muito importante para o aprendizado. “Quando eu comecei a perder a visão e não consegui andar sozinha, foi aqui que eu consegui aprender a andar, por exemplo, com a bengala”. A dificuldade para ela foi no começo, quando não conseguia chegar na escola sozinha “depois tive melhoria porque tive aulas de mobilidade, e hoje consigo chegar com facilidade”.

A coordenadora do Centro Especial, Alessandra Missiaggia,  é responsável pela avaliação funcional da visão de crianças de zero a quatro anos. Ela coordena a educação precoce do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais. As dificuldades variam de diagnósticos obtidas por meio dos exames: “algumas crianças não são apenas deficientes visuais. Elas podem ter alguma deficiência intelectual junta ou deficiência física”. Por outro lado,  a evolução existe. “A gente aprende a não esperar grandes evoluções, a gente  aprende a ver, quando a criança aprendeu a fazer algum comando. Dependendo da criança e da patologia, pra gente isso é um grande avanço”, relata. O objetivo é até mesmo para os pais não fazer um marco muito grande “por exemplo, o objetivo é que a criança sacuda um objeto, pegue o objeto, interaja com o objeto e mude de posição”.

Segundo o diretor Airton, a principal dificuldade é a de acessibilidade geral, fora da escola. A escola é a única unidade pública de ensino especializado para atender os aluno que possuem deficiência visual. Atualmente, o centro possui 400 alunos e a procura  tem crescido, 280 alunos era o número estipulado anteriormente e hoje a demanda tem aumentado. “Isso significa que a pessoa deixou de estar em casa para encara um processo acadêmico e seguir sua vida normalmente”.

A escola também possue alguns dos clássicos da literatura adaptado para o Braille

A escola também possue alguns dos clássicos da literatura adaptado para o Braille

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