Saúde

Plantas trazem benefícios para a saúde

Desde problemas leves, como mal-estar e dor de cabeça, até doenças sérias como pneumonia podem ser tratadas com plantas; mas especialistas alertam para os excessos

É um fato que grande parte da população cresceu escutando relatos de seus avós sobre os benefícios de plantas e ervas, como a erva-de-santa-maria, conhecida popularmente como mastruz, ou o boldo-do-chile. Contudo, especialistas alertam acerca do uso em excesso das ervas. “As pessoas acabam se automedicando a torto e a direito o que pode acabar gerando mais problemas do que soluções”, avisa Elizete Cardoso, médica clínica-geral.

Boldo-do-chile. Imagem tirada nas ruas, próximo à Terceira Avenina, Núcleo Bandeirante.

Boldo-do-chile é indicado para mal-estar ou dor de cabeça, mas seu uso tem contraindicações

Mariza Ferreira (74) é aposentada e abriu mão de medicamentos há anos, usufruindo unicamente do poder de cura das plantas. “Quando sinto qualquer mal-estar ou dor de cabeça, bebo chá da folha margosa [boldo-do-chile]. Quando tenho dor nos joelhos, nas costas ou em qualquer outro lugar, faço emplastro de mastruz. É tiro e queda”, garante. Outra utilização para o mastruz é que, de acordo com Mariza, ao ser ingerido com leite, pode curar bronquite e até pneumonia.

“O boldo realmente ajuda no mal-estar, só que deve ser usado poucas vezes. Seu excesso pode causar intoxicação hepática”, Elizete alerta. “Também não é bom que grávidas tomem chá de boldo, nem pessoas com asma, distúrbios renais ou até mesmo problemas no fígado”. No caso do mastruz “deve-se tomar cuidado no caso de mulheres grávidas, pois a planta ingerida em excesso pode ter efeito abortivo”.

Outra pessoa que é capaz de atestar as vantagens do uso de diversas ervas é a estudante de secretariado-executivo, Fabiana Dias (34), que além de ter cursado farmácia também é descendente do povo indígena de etnia Kambeba. Nascida no interior do Amazonas e com o nome indígena Piranga Kambeba, a estudante possui amplo conhecimento sobre ervas e ainda afirma: “tudo na natureza possui suas vantagens e seus benefícios”.

Durante seu curso de farmácia, Fabiana iniciou uma pesquisa acerca dos benefícios da folha da pimenta malagueta e diz já ter visto diversos estudos sobre a pimenta, mas jamais com sua folha. “No nosso povoado tratamos muita coisa com a folha da pimenta malagueta. Por exemplo, quando uma pessoa tem muita acne no rosto, a gente amassa a folha da pimenta, coloca, deixa secar e retira no outro dia. As espinhas acabam e a pele fica limpa, com nenhuma marca”.

Entretanto, ela reconhece que esse não chega a ser o maior benefício da planta, confessando que, desde criança, se

Fabiana Dias, descendente indígena da etnia Kambeba, também conhecida como "Piranga". Imagem tirada em sua casa, no Gama.

Fabiana Dias, descendente indígena da etnia Kambeba: “tudo na natureza possui vantagens e benefícios”

acostumou a observar sua avó, sua mãe e outras mulheres da vila fazendo um emplastro com a folha para expelir nódulos do corpo. “Um nódulo no seio, por exemplo. Elas primeiro massageavam o local com sebo de carneiro, depois faziam o emplastro. No decorrer dos dias o local ia ficando vermelho, então expelia. Não ficava mais interno e sim externo”, conta Fabiana.

A estudante ainda comentou sobre o processo de cicatrização após a retirada do nódulo com a utilização de uma planta do Amazonas chamada Acanthaceae, mas conhecida popularmente como mutuquinha. A raiz é utilizada como cicatrizante ao ser colocada diretamente sobre a ferida e outro uso para ela pode ser como chá-abortivo. Contudo, Fabiana condena seu uso como chá e alerta: “seu excesso seca o útero”, impossibilitando futuras gravidezes.

De acordo com Mariza, até plantas simples como o alecrim podem ser usadas de maneira benéfica. “O chá de alecrim é bom para o coração”. Tal afirmação é atestada por uma pesquisa feita pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) no ano de 2013, na qual folhas de alecrim foram misturadas na ração de ratos induzidos a infarto. Foi constatado que alecrim atenuou consideravelmente os efeitos dessa complicação cardíaca.

“Se tiver problemas de infecção urinária, use a tanchagem”, assegura Mariza. “Gripe ou tosse, as folhas da manga. É só pesquisar que conseguimos encontrar um bom uso para cada planta”. Porém, Elizete adverte: “pessoas com doenças crônicas, altamente alérgicas, grávidas ou gestantes, é bom que procurem por aconselhamento médico antes de administrar qualquer planta para uso de cura”.

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