Economia

Maternidade impulsiona carreira empreendedora de mães brasileiras

Apesar do pouco incentivo no país para mães empreendedoras, mulheres quebram paradigmas e alcançam novas visões de vida

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Troca de fraldas, amamentação, cuidados com a sua saúde e a do bebê. Definitivamente, ser mãe não é uma tarefa simples. A maternidade muda a vida de uma mulher, tanto pessoal quanto profissionalmente, e isso se dá por uma série de fatores: muitas não têm condição de sustentar uma criança ou precisam mudar sua rotina para conciliar os cuidados com a criança e seu trabalho. Com horários mais flexíveis, e uma maneira de conquistar sua própria fonte de renda, muitas mães encontram no empreendedorismo uma alternativa para solucionar estes problemas.

A necessidade de independência financeira fez com que Rosimere Valadares criasse a Chama Alternativa, empresa especializada em aquecimento solar. Com o histórico de empreendedores na família, ela explica que desde muito jovem começou a trabalhar e passou a se destacar na área administrativa, mas foi quando se viu desempregada que sentiu na sua independência maior chance de crescimento. “Sem boas opções de emprego, eu e meu marido montamos um depósito onde vendíamos gás de cozinha. Neste momento foi plantada a semente que originou a empresa. Hoje, é uma grande paixão. Ela faz parte de mim e também da minha família, que se orgulha de nossa história”, conta.

Apesar da construção de seu sonho, Rosimere explica que conciliar a maternidade com seu lado empreendedor foi a parte mais complicada. Com um lado maternal muito aguçado, sempre sonhou em ter filhos. Com quatro, achava que ser dona do próprio negócio daria maior flexibilidade e tempo livre, até ver que isso seria uma ilusão. “Como mãe, tive, muitas vezes, um sentimento de culpa. O desejo de estar mais presente era uma lança no peito. É uma grande luta interior entre a plenitude da maternidade e a realização profissional”, desabafa. A solução que a empreendedora encontrou foi adaptar um espaço no escritório para levá-los, forma de acompanhar a fase de bebê e manter a amamentação.

Para Roseane, o maior desafio hoje é conciliar o trabalho sem deixar que a ausência se transforme em culpa para a mãe e trauma para os filhos

Para Rosimere, o maior desafio é conciliar o trabalho sem deixar que a ausência se transforme em culpa para a mãe e trauma para os filhos

As dificuldades que Rosimere encontrou ao empreender não estão aliadas somente à maternidade. Segundo a economista Nathalia Mendes Nascimento, o índice de mortalidade das pequenas empresas no Brasil ainda é muito elevado. Somado a isso, existe a grande burocracia para os novos empreendedores que desejam abrir uma empresa no país. “Isso é fruto de uma economia que vem em crise nos últimos tempos. O mercado brasileiro é sempre muito impactado por setores como o agronegócio, que possui grandes empresas instaladas no Brasil, e geralmente são elas que conseguem se manter”, explica.

Apesar disso, a economista explica que ao permitir que pequenos empreendimentos se desenvolvam e tragam novas soluções para o país, um grande setor da economia é movimentado. “Ele vem com essas duas alavancas, onde uma é boa para o consumidor, que encontra novos serviços e soluções, e para quem empreende, por ser dono do seu próprio negócio e gerar novos empregos na economia”, afirma. Nathalia completa que serão vários desafios para aquele que deseja empreender, mas deixa a dica: “Tenha um bom plano de negócios e uma boa ideia. É nessa ideia incrível que você consegue fazer com que um novo empreendimento dê certo” conclui.

Para Juliana Figueiredo e Luciana Krohn, fundadoras da Levitar Closet, loja de vestuário feminino, empreender e ser mãe são um desafio diário. Luciana explica que ter o próprio negócio exige dedicação e doação em tempo integral, assim como a maternidade. “É quase outro filho, literalmente”, diz.

Para sua sócia não é muito diferente. Mãe de duas crianças, a presença na loja e no dia a dia dos meninos é algo difícil de ser conciliado. “A cabeça trabalha 24 horas, não paro de pensar na loja. Mas apesar dessa constante sensação de que tem algo a ser feito, eu consigo levar e buscar as crianças na escola, almoçar e seguir a agenda escolar”, conta.

Luciana Krohn e Juliana Figueiredo iniciaram iniciativa que busca incentivar o crescimento de mulheres e mães que desejam iniciar seu próprio negócio

Luciana Krohn e Juliana Figueiredo buscam incentivar o crescimento de mulheres e mães que desejam iniciar seu próprio negócio

Mulheres empreendedoras

Localizado no bairro Park Sul, as empreendedoras da Levitar Closet enxergaram um grande potencial econômico na localidade ao identificar que muitas de suas clientes conduziam empresas. A partir disso, surgiu o projeto I Encontro das Mulheres Empreendedoras do Bairro Park Sul, que tem como objetivo fortalecer o comércio local e incentivar outras mulheres que desejam iniciar seu próprio negócio.

Para Luciana, a questão principal não é que a maternidade atrapalha a vida profissional da mãe, e sim que ela deseja ter a certeza que seus filhos estarão bem cuidados e sadios. “É muito importante que esses incentivos sejam contínuos. Acredito que se houvesse uma iniciativa privada e apoiada pelo governo onde as mães recebessem esse estímulo, elas poderiam produzir muito mais”, afirma.

Prêmio Sebrae

Em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o apoio técnico da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW), criaram o prêmio Sebrae Mulher de Negócios. A premiação tem como objetivo o reconhecimento estadual e nacional às mulheres que transformaram seus sonhos em realidade.

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