Saúde

HMIB oferece tratamento alternativo para combater crises de epilepsia

Dieta cetogênica transforma a vida e reduz crises epiléticas em crianças

Um método alternativo, que funciona como uma espécie de medicamento para tratar crianças e adolescentes portadoras de epilepsia, está sendo oferecido pelo SUS no DF. O tratamento, único desse tipo na capital, está disponível no Ambulatório de Dieta Cetogênica do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) desde 2016. A dieta cetogênica é usada para casos de epilepsia refratária, que é a forma da doença de difícil controle, e deve ser seguida por cerca de 2 a 3 anos, quando se iniciam tentativas de introduzir uma dieta comum, verificando se há reaparecimento das crises. Com a dieta cetogênica, muitas vezes é possível reduzir ou até zerar a medicação para controle das crises, segundo a equipe do HMIB.

No ambulatório do hospital, mais de 30 pessoas já foram submetidas à terapia contra a epilepsia, que consiste em prescrever um cardápio com alimentação rica em gorduras, pobre em carboidratos, acompanhado de proteínas, que pode reduzir mais de 50% das crises e, em 20% dos casos, pode até levar à cura. Podem participar do tratamento crianças e adolescentes até 15 anos de idade. As pessoas com interesse devem procurar o Hmib, na 608 Sul, nas quartas-feiras, sempre no período da tarde.

A médica Ludimila Ucho, especialista em neuropediatria, implantou o tratamento no Hmib. “Estava cansada de não ter resposta para aquelas pessoas, essa situação me angustiava e era muito ruim; porque querendo ou não eu me envolvi com a história de cada paciente”. Ela informa ainda que o procedimento existe desde 1920, quando foi desenvolvido nos Estados Unidos para ser empregado no tratamento da epilepsia refratária em crianças. O método caiu em desuso com o advento de novas drogas anticonvulsivantes nos anos de 1940. Agora, a dieta volta a ser usada e com bons resultados.

Amanda Louizy, 31 anos, técnica em enfermagem, é mãe de Emily, 10, e defende a dieta para filha, que tinha epilepsia e parou de ter as convulsões com a mudança alimentar. “Os remédios não apresentavam resultados. A doença, que não tinha indicação cirúrgica, parecia invencível”. Hoje, dois anos e meio depois do inicio do tratamento, sua filha não tem mais crises. “Foi maravilhoso, mudou a vida dela e de toda a nossa família, que não podia ter uma vida normal”. Ela conta ainda que tinha medo de fazer um passeio em família e sua filha ter uma das crises imprevisíveis, agora isso mudou.

A alimentação cetogênica foi o remédio que eliminou as crises epiléticas da menina Emily Louizy.“Todo dia, minha mamãe precisava me buscar na escola, porque eu passava mal. Hoje, essa dieta faz parte de um sonho que se tornou realidade. Mudou a minha vida”, confirma a criança, que fala da enorme dificuldade que tinha para executar atividades normais para a maioria das crianças, como brincar, ler e escrever, em razão do uso dos remédios que não resultaram em melhorias.

Arthur, de 7 anos, é filho de Valmira Pereira, 27, dona de casa. A mãe também defende a troca da alimentação. “Quando tinha três anos ele começou a ter as crises, eram em média 30 por dia, ela já nem andava direito”. Hoje, segundo ela, Arthur melhorou totalmente só fazendo uso da dieta, não toma mais remédios e até voltou para escola.

A dona de casa Patricia Matos, 34 anos, diz que o filho Gabriel, 6, melhorou bastante com os novos hábitos alimentares, que foram ampliados para toda a família. “Não sinto falta do arroz, açúcar e doces, se é para meu Gabriel ficar livre das crises, nada disso faz falta”. A mãe conta que a criança é portadora de uma síndrome genética, não anda e não fala, depois de dois anos seguidos fazendo uso da alimentação cetogênica, as crises desapareceram.

Mayra Flávia, hoje com 10 anos, sofre desde os 2 com crises epiléticas. Sua mãe, Samara lima, 30, e o pai, Flávio Nugagi, 36, contam que entraram desacreditados no programa. “Quando nós disseram que o tratamento seria feito à base de alimentação, quase desistimos, se medicamento não estava resolvendo alimento é que não iria resolver”, diz Flávio. Para Samara, que foi uma das primeiras participantes, o apoio das outras mães foi um fator fundamental para que ela não desistisse. “O uso das redes sociais também ajuda muito, trocamos receitas e novidades sobre o tratamento, ajudamos os que estão ingressando”.

 

O ideal é começar o tratamento o mais cedo possível, pois o cérebro pode sofrer consequências se as convulsões não forem controladas

“O ideal é começar o tratamento o mais cedo possível, pois o cérebro pode sofrer consequências se as convulsões não forem controladas”, diz a médica Ludimila Uchoa

O que é a dieta cetogênica?

A coordenadora do Ambulatório de Dieta Cetogênica do HMIB, Ludmila Uchoa, detalha esse tipo de alimentação. “As dietas geralmente recomendadas por nutricionistas incluem os carboidratos como principal fonte de calorias, seguidos por fontes proteicas e por último as gorduras, formando a famosa pirâmide alimentar”. Entretanto, segundo ela, dependendo do objetivo de cada pessoa, esse esquema alimentar pode não ser o mais adequado.

Para médica, nas dietas cetogênicas, o esquema se inverte, a fonte energética é principalmente proveniente de gorduras, “enquanto os carboidratos são ingeridos em quantidades mínimas, as proteínas devem ser consumidas em quantidades moderadas”. Fala ainda, que esse balanço leva a uma alteração de como as células obtém energia no organismo. A escassez no fornecimento de carboidratos, força o fígado a quebrar a gordura proveniente da alimentação e do tecido adiposo em ácidos graxos e corpos cetônicos para obtenção de energia, aumentando os níveis destes últimos no sangue, daí o nome dieta cetogênica.

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